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Israel. Netanyahu à beira de reeditar vitória
Mundo 2 min. 10.04.2019

Israel. Netanyahu à beira de reeditar vitória

Israel. Netanyahu à beira de reeditar vitória

Foto: AFP
Mundo 2 min. 10.04.2019

Israel. Netanyahu à beira de reeditar vitória

Nas eleições legislativas mais renhidas da última década, a balança eleitoral parece pender para o lado de Benjamin Netanyahu apesar do empate técnico que dá 35 deputados ao actual primeiro-ministro israelita e o mesmo ao ex-general Benny Gantz.

Com a contagem dos votos perto do fim, apesar de bastante fragmentada, a maioria dos 120 assentos parlamentares está, até ao momento, garantida para o bloco de direita, o conjunto de partidos que já mostrou vontade de revalidar a liderança de Netanyahu à frente do governo de Israel.

Tanto Netanyahu como Gantz aproveitaram a saída das primeiras projeções para reclamar vitória. “Ganhámos. Os cidadãos deram a última palavra”, afirmou o ex-general que exigiu formar governo como líder do “partido mais votado”. Já o atual primeiro-ministro anunciou que “o bloco conservador conseguiu uma grande vitória”, mostrando-se disponível para formar imediatamente um novo executivo.

Apesar da apertada disputa na corrida eleitoral, a afluência às urnas caiu quatro pontos, de 72% para 68%. Num dia soalheiro e quente, muitos dos 6,5 milhões de eleitores aproveitaram a jornada para encher as praias de Telavive. Preocupado com as consequências da abstenção, Netanyahu chegou a apelar aos votantes para que acorressem às urnas. “Se querem que eu continue a governar com o Likud, têm de ir às urnas antes de ir à praia ou amanhã vão acordar com um primeiro-ministro de esquerda”, alertou. Há quatro anos, o grito de alerta de Netanyahu ao eleitorado de direita era que os árabes estavam a votar “em manada” em contraste com a abstenção dos judeus.

A polémica relação de ódio do primeiro-ministro com a população árabe voltou a repetir-se desta vez com o partido que lidera a espalhar 1200 câmaras ocultas em secções de voto dos eleitores árabes. De acordo com o diário israelita Haaretz, a polícia confiscou dezenas desses aparelhos depois de o Comité Central Eleitoral ter considerado ilegal a iniciativa do partido Likud que gastou dezenas de milhares de euros para assegurar aquilo a que Netanyahu apelidou de votação “kosher”. Ou seja, feita de acordo com os preceitos judaicos.

O facto é que a afluência árabe às urnas nunca pôs em perigo a hegemonia eleitoral da população judia. Mesmo com as últimas ameaças de Netanyahu de anexar territórios da Cisjordânia, os partidos árabes Haddas-Taal (7 deputados) e Raam-Balad (pode não entrar no parlamento) sofreram as consequências da reduzida participação nos municípios de maioria árabe com mínimos históricos, segundo a imprensa hebraica.

Foi precisamente da Cisjordânia que o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, considerou que os resultados “mostram que os israelitas disseram não à paz e sim à ocupação”, uma vez que apenas uma dezena dos 120 deputados defendem a solução dos dois Estados.

O Partido Trabalhista é outra das formações derrotadas alcançando apenas 7 deputados e a esquerda pacífista Meretz fica no parlamento por um fio com quatro deputados.

Apesar de a campanha do ex-general Gantz se ter centrado na denúncia dos escândalos de corrupção de que Netanyahu está indiciado, foi mais forte o discurso bélico do atual primeiro-ministro contra a Palestina. A confirmar-se a vitória de Netanyahu - que governa desde 2009 de forma ininterrupta - poderia chegar aos 14 anos à frente de Israel. Resta saber quais vão ser as exigências dos partidos do bloco de direita para reeditar a coligação que levou o último governo a ser considerado o mais conservador da história de Israel.

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