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Irredutível. Presidente do Chile não renuncia
Mundo 2 min. 06.11.2019

Irredutível. Presidente do Chile não renuncia

Irredutível. Presidente do Chile não renuncia

AFP
Mundo 2 min. 06.11.2019

Irredutível. Presidente do Chile não renuncia

A entrar na terceira semana de protetos, Sebastian Piñera garantiu à BBC que a violência indiscriminada das autoridades vai ser alvo de uma investigação.

O Presidente chileno, Sebastian Piñera, reitera que vai manter-se no cargo, apesar das manifestações violentas que abalam o país há mais de duas semanas.

Em entrevista à televisão inglesa BBC, o conservador  reconheceu ser "responsável por uma parte" dos "problemas que se acumularam" no país nos últimos 30 anos. Apesar disso promete manter-se de pedra e cal na liderança do executivo. 

A entrar na terceira semana consecutiva, os protestos começaram com a revolta dos estudantes face ao aumento da tarifa do metro. Pressionado pelas ruas, o governo acabou por recuar. Facto é que, no país mais desigual da OCDE onde as escolas, os hospitais e até a àgua são privados, os manifestantes alargaram rapidamente o leque de exigências. 

"Os problemas acumularam-se nos últimos 30 anos. Sou responsável por alguns deles e assumo a responsabilidade, mas não sou o único responsável", sublinhou Piñera.

O chefe do Estado chileno referiu-se às "numerosas denúncias de uso excessivo de força", garantindo que "se isso aconteceu, haverá uma investigação (...) e uma acusação". Certo é que a Polícia Militar entrou em ação depois da declaração de Estado de Emergência, assinada pelo próprio. 

Alguns ativistas, incluindo a vencedora do Prémio Nobel da Paz Rigoberta Menchu, pediram a Piñera que pusesse fim às violações "sistemáticas e graves" dos direitos humanos na forte repressão às manifestações.

"Não haverá impunidade", assegurou Sebastian Piñera à BBC. 

O Presidente chileno justificou ainda a instauração do estado de emergência no país, explicando que "usou as ferramentas democráticas e constitucionais existentes (...) para restaurar a ordem pública e proteger os cidadãos".

Na primeira semana do conflito, o exército chileno juntou-se à polícia civil para patrulhar as ruas de Santiago, palco de cenas de violência indiscriminada que continam a correr o mundo. 

Esta segunda-feira, centenas de manifestantes cercaram a sede do Congresso, na capital, para protestar contra a reforma das pensões e outras medidas anunciadas pelo Presidente, que estava a ser debatida no parlamento.

Na manifestação, convocada pela plataforma Unidade Social, que reuniu cerca de 70 organizações sindicais e sociais, ouviram-se palavras de ordem exigindo a revisão da Constituição, uma reforma do sistema de pensões que acabe com as empresas privadas que administram fundos de pensões ou ainda habitação digna e uma reforma tributária.

O Chile vive uma agitação social sem precedentes desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), com manifestações maciças nas ruas e distúrbios, reprimidos pela polícia e militares, que até ao momento fizeram pelo menos 20 mortos, 600 feridos e seis mil detidos.

Além da revisão constitucional e da reforma do sistema de pensões, os manifestantes exigem reformas ao modelo económico ultra liberal do país.

com Lusa


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