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Irlanda vai a eleições fragmentada
Mundo 2 min. 07.02.2020 Do nosso arquivo online

Irlanda vai a eleições fragmentada

Irlanda vai a eleições fragmentada

Foto: AFP
Mundo 2 min. 07.02.2020 Do nosso arquivo online

Irlanda vai a eleições fragmentada

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Sondagens dão a vitória ao Sinn Féin, ex-braço político do IRA, mas sem maioria, numa campanha eleitoral em que o Brexit, os sem-abrigo e as pensões dominaram o debate.

É um dos países com melhores níveis de desenvolvimento económico. Apesar de bater recordes e alcançar a mais alta taxa de cresimento da União Europeia, vivem nas ruas da  Irlanda quase 10 mil pessoas sem-abrigo, um tema que, com o Brexit, está a dominar a campanha para as eleições legislativas que se realizam no sábado.

Depois de o Reino Unido ter acordado a saída definitiva da União Europeia, o governo irlandês decidiu antecipar as eleições parlamentares que estavam previstas só para o próximo ano. Este sábado, os eleitores deste país de quase 5 milhões de habitantes vão às urnas para escolher os deputados que vão eleger o próximo governo com as sondagens divulgadas pelo Irish Times a dar uma surpreendente vitória ao Sinn Féin, histórico partido irlandês de esquerda que foi o braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), com 25% das intenções de voto. Mas a perspetiva é que a composição parlamentar revele uma fragmentação ainda maior das opções políticas dos eleitores irlandeses.

Desde 2016 que o país é governado pelo primeiro-ministro Leo Varadkar, eleito pelo partido de centro-direita Fine Gael. Por falta de maioria,, o atual governo teve subscrever acordos e juntar-se ao Fianna Fáil, sigla conservadora liderada por Micheál Martin. A líder do Sinn Féin é Mary Lou McDonald mas apesar de encabeçar as sondagens dificilmente o seu partido conseguirá uma maioria para governar sem acordos. 

Com a oficialização do Brexit, o novo primeiro-ministro também deverá tomar para si o desafio da fronteira que separa a República da Irlanda do Norte da Irlanda, que se mantém sob administração britânica, e que agora deixa de ser território da União Europeia. Mas a mudança na gestão desta fronteira que até agora não separava o norte do sul pode provocar turbulências no processo de paz que pôs fim a décadas de guerra entre o IRA e as autoridades britânicas pela reunificação da ilha num só país.

O debate sobre a melhor solução para esta fronteira foi, aliás, um dos principais motivos que levou ao atraso em mais de um ano a conclusão do Brexit. A maioria dos eleitores da Irlanda do Norte rejeitaram o Brexit, com apenas 44% dos votos a favor da saída. Embora o acordo firmado entre Reino Unido e UE não mencione uma fronteira física entre as duas Irlandas, o atual primeiro-ministro, Varadkar, insiste que o Brexit ainda não terminou e que a Irlanda vai precisar de negociar com o Reino Unido para demarcar seu território. O líder do governo foi obrigado a antecipar eleições por não ter maioria para governar e pode ser lido como reflexo da fragmentação política irlandesa. 

Outro dos temas que protagonizaram a campanha eleitoral foram os problemas sociais que contradizem o forte crescimento económico. Para além do elevado número de sem-abrigo, a Euronews destacou o debate sobre o serviço nacional de saúde, onde as listas de espera continuam a crescer. Os analistas acreditam que a questão dos sem-abrigo, as falhas no sistema de saúde e as baixas pensões vão custar caro ao partido Fine Gael neste fim-de-semana.

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