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Irlanda. Confrontos sobem de tom apesar de apelo à calma
Mundo 2 min. 05.04.2021

Irlanda. Confrontos sobem de tom apesar de apelo à calma

Irlanda. Confrontos sobem de tom apesar de apelo à calma

Foto: Peter Morrison/PA Wire/dpa
Mundo 2 min. 05.04.2021

Irlanda. Confrontos sobem de tom apesar de apelo à calma

As autoridades policiais e políticas na Irlanda do Norte reiteraram esta segunda-feira os apelos à calma após a terceira noite consecutiva de distúrbios naquele território britânico, envolvendo grupos de jovens protestantes que atearam fogos e atacaram agentes policiais.

Os serviços da polícia da Irlanda do Norte anunciaram esta segunda-feira que agentes policiais foram atacados, no domingo à noite, na cidade de Derry, bem como foram registados distúrbios em duas zonas unionistas pró-britânicas perto da capital, Belfast. O regresso da violência à região intensificou-se nos últimos dias com confrontos com as autoridades em várias localidades.

Os distúrbios surgem no meio de um crescente descontentamento na Irlanda do Norte devido às regras comerciais aplicadas com a saída do Reino Unido da União Europeia e do agravamento das relações entre as forças partidárias, o Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês) e o Sinn Féin, que integram o Governo de coligação entre os dois partidos que mais representam a fractura social e política no norte da ilha. De um lado, os unionistas, de maioria protestante, que defendem a continuidade da união da Irlanda do Norte com o Reino Unido, e do outro, os republicanos, que lutam há um século pela reunificação de toda a ilha num só país.


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De acordo com a polícia, a maioria das pessoas envolvidas nos incidentes eram adolescentes. O superintendente-chefe da polícia, Darrin Jones, condenou "o comportamento criminoso insensato e imprudente, cujo único resultado é causar danos à comunidade".

Na sexta-feira e no sábado já tinham ocorrido incidentes violentos nestas zonas, com carros incendiados e com o arremesso de objetos e de bombas incendiárias contra as forças policiais. A polícia divulgou que pelo menos 27 polícias ficaram feridos e oito pessoas foram detidas e acusadas, incluindo um adolescente de 13 anos.

O novo acordo comercial entre Londres e o bloco comunitário impôs controlos aduaneiros e fronteiriços a algumas mercadorias que circulam entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido.

O acordo foi elaborado para evitar controlos entre a Irlanda do Norte e a Irlanda, um membro da UE, uma vez que uma fronteira irlandesa aberta ajudou a sustentar o processo de paz construído pelo Acordo de Sexta-Feira Santa em 1998, que terminou na altura com três décadas de violência que provocaram mais de 3 mil mortes.

Mas, os unionistas têm argumentado que estes novos controlos equivalem a uma nova fronteira no mar da Irlanda entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido, defendendo o abandono do acordo.

Os unionistas também estão revoltados com a decisão das autoridades policiais de não processaram os políticos do Sinn Féin que marcaram presença no funeral de um ex-comandante do exército republicano irlandês em junho passado.

O funeral de Bobby Storey atraiu uma grande multidão, apesar das medidas restritivas aplicadas no âmbito da pandemia do novo coronavírus e que proibiam grandes aglomerações de pessoas.

Os principais partidos unionistas exigiram a demissão do chefe da polícia da Irlanda do Norte por causa da controvérsia, argumentando que o responsável tinha perdido a confiança da comunidade.

Segundo Mark Lindsay, presidente da Federação da Polícia da Irlanda do Norte, a "atmosfera política" está a ser usada como desculpa para a violência, orquestrada por grupos paramilitares proibidos.

"Elementos mais velhos, mais sinistros, utilizam os jovens e utilizam as crianças para alcançar os seus objetivos", denunciou Mark Lindsay, em declarações à estação pública BBC Radio.

Com Lusa

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