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Irão. Ataques a bases não tinham objetivo de “matar soldados inimigos”
Mundo 2 min. 12.01.2020

Irão. Ataques a bases não tinham objetivo de “matar soldados inimigos”

Irão. Ataques a bases não tinham objetivo de “matar soldados inimigos”

Foto: AFP
Mundo 2 min. 12.01.2020

Irão. Ataques a bases não tinham objetivo de “matar soldados inimigos”

"Os danos materiais (provocados pelos mísseis) era justamente aquilo que pretendíamos porque queríamos dizer que somos tão superiores ao inimigo que podemos atacar qualquer ponto que escolhermos, explicou a Guarda Revolucionária iraniana.

O líder da Guarda Revolucionária do Irão declarou, este domingo, no parlamento que o objetivo dos ataques com mísseis lançados na quarta-feira contra bases com militares norte-americanos no Iraque não era “matar soldados inimigos” mas sim causar danos materiais.

“O nosso objetivo não era realmente matar soldados inimigos, isso não era importante", afirmou o general Hossein Salami, durante uma audição realizada à porta fechada no parlamento iraniano, segundo um excerto transmitido pela televisão estatal iraniana.

“Os danos materiais (provocados pelos mísseis) era justamente aquilo que pretendíamos porque queríamos dizer que somos tão superiores ao inimigo que podemos atacar qualquer ponto que escolhermos”, prosseguiu o general.

Em 08 de janeiro, 22 mísseis iranianos foram disparados contra duas bases da coligação internacional anti-‘jihadista’ liderada pelos Estados Unidos, em Ain Assad e Erbil, no Iraque, numa operação de retaliação pela morte, em 03 de janeiro, do general iraniano Qassem Soleimani, emissário da República Islâmica no território iraquiano, num ataque em Bagdad ordenado por Washington.

Na altura, a televisão estatal iraniana avançou que a ação desencadeada por Teerão contra as bases militares tinha matado 80 norte-americanos, mas os Estados Unidos não confirmaram quaisquer baixas.

Hossein Salami foi chamado a testemunhar no parlamento depois de as forças armadas iranianas terem admitido, no sábado, que tinham abatido, inadvertidamente, um avião civil ucraniano.

O incidente com o avião ucraniano também aconteceu no dia 08 de janeiro, algumas horas depois dos mísseis iranianos terem atingido as bases militares no Iraque.

Todas as 176 pessoas que estavam a bordo do Boeing 737 da companhia Ukraine International Airlines (UIA) morreram no incidente, pelo qual o general Amirali Hajizadeh, líder do ramo aéreo da Guarda Revolucionária, assumiu total responsabilidade.

A maioria das vítimas tinha nacionalidade iraniana e canadiana, mas também estavam a bordo cidadãos da Ucrânia, Suécia, Afeganistão, Alemanha e do Reino Unido.

O Irão convidou vários peritos estrangeiros para participarem no inquérito em curso, incluindo do Canadá (que perdeu vários cidadãos no incidente), Estados Unidos (país do construtor do avião), Ucrânia (país da companhia aérea) e de França (país do fabricante do motor do aparelho).

“Não tocámos em nada", assegurou o general Salami aos deputados iranianos, garantido igualmente que todos os elementos relacionados com o incidente, nomeadamente os destroços, o local do impacto, as leituras dos radares e até as coordenadas do sistema de defesa antiaérea, não foram modificados ou manuseados pelas forças iranianas.

As tensões entre o Irão e os Estados Unidos agravaram-se significativamente após a morte de Soleimani e estão a levantar receios sobre uma potencial escalada regional.

Os diferendos entre Washington e Teerão intensificaram-se desde que os Estados Unidos decidiram retirar-se unilateralmente, em maio de 2018, do acordo internacional sobre o dossiê nuclear iraniano, alcançado em 2015, e restabelecer pesadas sanções contra a República Islâmica.

Lusa


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