#IAmNotAVirus. Há um movimento global contra a xenofobia em tempos de surto mundial
#IAmNotAVirus. Há um movimento global contra a xenofobia em tempos de surto mundial
Exibido em plena semana da Moda em Madrid, há uma semana, no peito descoberto do músico Chenta Tsai Tseng, o hashtag #IAmNotAVirus que em português significa "Eu não sou o teu vírus" vem denunciar os casos de preconceito e discriminação em relação à comunidade asiática, sobretudo a chinesa.
O movimento começou a circular dias antes nas redes sociais e, segundo o El País, especula-se que tenha surgido em resposta à manchete da "peste amarela" que o Le Courrier Picard publicou a 27 de janeiro para caraterizar o surto mundial do Coronavírus.
Preservando o anonimato de uma asiática que usou o Twitter para denunciar os discursos discriminatórios e vincar que "o pior vírus é o do racismo sistémico", a atriz francesa Amandine Gay denuncia um caso concreto para exemplificar a proliferação de "discursos racistas nos meios de comunicação e nas redes sociais".
Além dos vários testemunhos de pessoas comuns, inúmeras figuras públicas têm dado as contas pessoais do Twitter ao manifesto. "As pessoas são insultadas e expulsas dos transportes públicos por serem asiáticas. Não estamos a falar apenas de piadas ou ódio nas redes sociais. A discriminação também acontece na vida real", alerta a jornalista francesa de origem asiática, Linh-Lan Dao.
Nem as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) estão a impedir que vários países, entre eles os Estados Unidos e a Nova Zelândia, tenham começado a barrar a entrada de cidadãos chineses. Centenas de voos continuam a ser cancelados, apesar da OMS considerar que estas restrições são "desnecessárias".
Nem a Universidade norte-americana de Berkeley escapa à polémica. Numa publicação que mereceu um protesto do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e que foi entretanto removida, tipificava a xenofobia como uma "reação comum" ao alarme provocado pela disseminação do vírus pelo mundo.
"Não há medo que possa tornar aceitável a discriminação contra pessoas de ascendência asiática", repreendeu a ONU.
