Escolha as suas informações

Huawei acusa EUA de "assédio" por imposição de sanções

Huawei acusa EUA de "assédio" por imposição de sanções

Foto: AFP
Mundo 2 min. 21.05.2019

Huawei acusa EUA de "assédio" por imposição de sanções

Na semana passada, Donald Trump alegou riscos de segurança nacional para impedir as empresas dos EUA de recorrerem a tecnologia da chinesa Huawei.

A empresa chinesa Huawei acusou esta terça-feira os EUA de “assédio”, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter proibido as empresas norte-americanas de usarem equipamento fabricado por aquela marca de telecomunicações.

Na passada semana, Donald Trump alegou riscos de segurança nacional para impedir as empresas dos EUA de recorrerem a tecnologia da chinesa Huawei, pelo risco de invasão abusiva de dados que ficariam ao serviço do Governo de Pequim.¨


Google suspende negócios com a Huawei, obedecendo a uma ordem de Trump
Guerra comercial entre Estados Unidos e China pode afetar milhões de utilizadores da Huawei em todo o mundo. A Casa Branca usa leis duvidosas para prejudicar um concorrente das empresas dos EUA e para vencer, fora do mercado, uma batalha tecnológica.

Esta segunda-feira, Trump suspendeu a sanção sobre a Huwaei por três meses e a empresa de telecomunicações chinesa continua a desmentir quaisquer riscos de espionagem.

Hoje, durante um evento em Bruxelas, o representante da Huawei para as instituições da União Europeia, Abraham Liu, acusou os EUA de “assédio”, dizendo que as sanções anunciadas sobre a sua empresa constituem um desrespeito pelas regras internacionais de comércio.

“A Huawei respeita todas as leis e regulamentos aplicáveis. Tornámo-nos vítimas de assédio por parte da administração dos EUA”, disse Abraham Liu, acrescentando que este ataque não é apenas contra a Huawei.

“Este é um ataque contra a ordem liberal baseada em regras. E isto é perigoso. Agora, está a acontecer à Huawei, amanhã pode acontecer com qualquer outra empresa internacional. Podemos fechar os olhos a este comportamento?”, interrogou-se o representante da empresa chinesa.


Trump não quer permitir que outro país ganhe a corrida ao 5G
"Não podemos permitir que qualquer outro país ultrapasse os EUA nesta poderosa indústria do futuro (…) simplesmente não podemos permitir que isso aconteça", disse Donald Trump, na sexta-feira, na Casa Branca.

Abraham Liu referiu ainda que a tecnologia 5G que a Huawei está a desenvolver é o resultado de cooperação com parceiros europeus e está adaptada às necessidades e desafios da Europa.

"A Huawei opera na Europa há quase 20 anos, temos 12.200 funcionários na Europa, 70% contratados localmente", disse Liu.

Trump invocou emergência nacional, na quarta-feira passada, para proibir as empresas do país de usar equipamentos de telecomunicações fabricados por empresas que supostamente tentam espionar os Estados Unidos, o que restringe os negócios com empresas chinesas, como a Huawei.

Os Estados Unidos lideram uma campanha global para impedir que empresas asiáticas, como a Huawei, assumam o controle das redes 5G, que permitem navegar na Internet com muito mais velocidade e que podem facilitar o desenvolvimento de tecnologias autónomas para conduzir operações por controlo remoto.


As questões do 5G, entre espionagem e tentativa de eliminar concorrentes
O assunto tem sido marcado pelas suspeitas de espionagem chinesa, lançadas pelos norte-americanos, fazendo tábua rasa com a colaboração das grandes empresas informáticas dos EUA com a sua principal agência de espionagem, a NSA.

Os EUA temem que a China use as redes 5G da Huawei para espionagem, acusações que a empresa chinesa negou categoricamente.

Após a medida anunciada por Trump, as principais empresas de tecnologia dos EUA, incluindo a Google, anunciaram que deixarão de vender componentes e ‘software’ para a Huawei.

Na segunda-feira, o Departamento de Comércio dos EUA emitiu uma licença de suspensão do veto sobre a Huawei, durante 90 dias, para preparar a transição para a fase em que as sanções entrem em vigor.

A Comissão Europeia reiterou ontem que a Europa é um "mercado aberto" e que cabe a cada país decidir se impõe restrições a qualquer empresa por razões de segurança.

Bruxelas tem mostrado em várias ocasiões preocupação com a entrada da Huawei na implantação de futuras redes móveis 5G na Europa, sabendo-se que as empresas chinesas serão obrigadas por lei a cooperar com os serviços secretos do seu país.

Lusa


Notícias relacionadas

China. Todas as empresas que obedecerem às sanções de Trump irão para uma lista negra
"As empresas, organizações e particulares estrangeiros que não obedecerem às regras do mercado, que se afastam do espírito de um contrato, que impõem embargos ou param de fornecer empresas chinesas por razões não comerciais e danificam gravemente os seus interesses e direitos legítimos serão colocados numa lista de entidades não confiáveis", disse o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng.