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Houve menos migração para a Europa em 2020
Mundo 3 min. 14.01.2021

Houve menos migração para a Europa em 2020

Houve menos migração para a Europa em 2020

Foto: AFP
Mundo 3 min. 14.01.2021

Houve menos migração para a Europa em 2020

Num ano marcado pela pandemia, a migração para a União Europeia atingiu o seu ponto mais baixo desde 2013.

Em 2020, o número de pessoas detetadas nas fronteiras externas da UE totalizou 124 mil, menos 13% do que no ano anterior, "em grande parte devido ao impacto das restrições covid-19 estabelecidas por vários países", de acordo com uma declaração com dados preliminares publicada na sexta-feira pela Frontex, a Agência Europeia de Fronteiras. A maior quebra registou-se no Mediterrâneo Oriental, onde foram registadas 17 mil passagens de fronteira que a agência europeia descreve como "ilegais".

A nacionalidade síria é a principal entre os recém-chegados à UE, seguida pela tunisina, argelina e marroquina. Esta última teve um grande impacto na rota para as Canárias, onde houve um aumento migratório de enormes proporções, segundo a declaração, sem precedentes na história da Frontex, que remonta a 2009. No total, foram detectadas 22.600 pessoas na chamada rota da África Ocidental para as Canárias, um número oito vezes maior do que o número de chegadas em 2019.

Segundo o El País, a perigosa rota para Itália a partir da costa líbia com 2 mil quilómetros, somado às partidas para a Europa desde as praias da vizinha Tunísia, segundo a Frontex, fez com que os números triplicassem nesta rota. Cerca de 35.600 pessoas utilizaram arriscaram esta viagem, atravessando o mar em pequenas embarcações de madeira e plástico, tornando-a na mais ativa rota de entrada na UE.

Os números de 2020 podem já fazer parte de uma tendência decrescente que já existia antes da pandemia, em resultado das políticas de migração restritivas da UE postas em prática após a crise dos refugiados de 2015, uma vez que as restrições obriga as pessoas a correr mais riscos e a procurar rotas mais perigosas.

"As fórmulas de entrada legal foram limitadas e isto foi combinado com outras intervenções tais como o apoio à guarda costeira líbia", explicou Marta Foresti, especialista em migrações ao El País. Desde 2017, a UE tem acordos com Tripoli para refrear as partidas de migrantes, uma medida duramente criticada pela ONU e pelas ONG, uma vez que os envia de volta para um porto "inseguro", em violação do direito internacional, onde são mantidos em centros de detenção em condições terríveis.

A relação entre a covid e a migração, no entanto, não é totalmente clara. Uma das explicações de Bruxelas para o aumento do número de pessoas na rota para as Canárias deve-se a um agravamento da situação económica em alguns países africanos. Mas, de acordo com Foresti, o impacto económico da pandemia levará provavelmente também a uma diminuição das viagens em busca do sonho europeu: os que migram são aqueles que conseguem reunir recursos para empreender a odisseia e, ao mesmo tempo, uma UE empobrecida com taxas de desemprego crescentes e menos empregos disponíveis "tornar-se-á um destino menos atrativo", acredita Foresti.

A situação coloca um futuro incerto em muitos setores produtivos em que os migrantes desempenham trabalhos "essenciais" também durante a crise sanitária. Frequentemente são pior remunerados e têm menos qualificações. 

O relatório elaborado pela Frontex regista também uma mudança no perfil dos migrantes em 2020: um em cada dez são agora homens (enquanto em 2019 as mulheres representavam 25%) e o número de menores diminuiu aproximadamente na mesma proporção.

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