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Hoje: Greve Geral na Bélgica vai sentir-se no Luxemburgo
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Hoje: Greve Geral na Bélgica vai sentir-se no Luxemburgo

Foto: Reuters
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Mundo 4 min. 15.12.2014

Hoje: Greve Geral na Bélgica vai sentir-se no Luxemburgo

A Bélgica prepara-se para a maior greve geral dos últimos anos com a paralisação de companhias aéreas e serviços públicos de transportes que incluem ligações internacionais em protesto contra as novas medidas de austeridade. Uma greve que se vai sentir no Luxemburgo.

A Bélgica prepara-se para a maior greve geral dos últimos anos com a paralisação de companhias aéreas e serviços públicos de transportes que incluem ligações internacionais em protesto contra as novas medidas de austeridade.

A greve geral de segunda-feira apontada como o ponto mais alto do braço de ferro entre os sindicatos e o governo começou no mês passado tendo-se registado manifestações marcadas por confrontos violentos com a polícia, sobretudo na cidade de Bruxelas.

Além dos transportes, os sindicatos esperam a paralisação dos serviços públicos, fábricas, escolas, assim como do setor comercial a nível nacional.

Segundo os sindicatos belgas citados pela agência France Press “não há outra opção” a não ser a greve geral contra as medidas do governo de centro-direita do primeiro-ministro Charles Michael que pretende implementar um plano de poupança de 13 mil milhões de euros durante os próximos cinco anos.

Charles Michael, francófono, 38 anos, é o chefe de governo mais jovem da Bélgica desde 1840 e lidera um Executivo de coligação que incluiu três partidos de expressão flamenga além do Partido Liberal, de expressão francesa.

A formação do governo em outubro, cinco meses após as eleições legislativas, foi vista como uma possibilidade de estabilidade no país - profundamente dividido - entre a Flandres, zona com mais recursos económicos, e a Valónia francófona com uma população mais desfavorecida do que os flamengos do norte.

Apesar da crise política interna dos últimos anos, os sindicatos uniram-se na oposição contra o governo de coligação, acusando o primeiro-ministro de querer fazer aumentar “drasticamente” o custo de vida já em 2015 através de um plano que contempla cortes no setor público e a alteração da idade da reforma laboral dos 65 para os 67 anos.

A paralisação vai afetar Bruxelas mas também as cidades francófonas de Liege e Tournai e os grandes pontos de atração turísticos da Flandres como Bruges e os portos marítimos de Antuérpia e Ostende.

Os maiores sindicatos – a organização laboral cristã CSC, os socialistas do FGTB e os liberais do GGSLB – referem-se a “uma frente comum” contra o governo.

Em novembro uma marcha composta por mais de 100 mil pessoas acabou em confrontos entre manifestantes e a polícia em Bruxelas, tendo 112 pessoas ficado feridas.

Greves setoriais e protestos repetem-se em vários pontos da Europa, em países como Portugal, Espanha, Grécia e Itália contras as políticas de austeridade.

A última greve nacional na Bélgica, em 2012, mobilizou milhares de pessoas contra o antigo governo do socialista Elio di Rupo.

As ligações por avião vão estar paralisadas a partir de domingo à noite sendo que os controladores de tráfico aéreo belgas também aderiram à greve.

Nenhum avião vai aterrar ou descolar dos aeroportos de Bruxelas, Charleroi, Liege, Antuérpia e Ostende durante um período de 24 horas, a partir das 21:00 de domingo.

As ligações ferroviárias Eurostar entre Bruxelas e Londres não vão realizar-se, assim como as ligações por comboio entre a Bélgica e capital francesa; Amsterdão, na Holanda, e a cidade alemã de Colónia.

Os trabalhadores dos transportes públicos nas várias cidades também aderiram à greve.

Nas autoestradas foram colocados hoje cartazes que referem que “os camionistas vão paralisar o país no dia 15 de dezembro”.

Os piquetes de greve, organizados pelos três sindicatos, vão mobilizar-se junto a edifícios do Estado, escolas e zonas industriais.

Os trabalhadores da recolha de lixo, correios, estabelecimentos prisionais e tribunais também já anunciaram a adesão à greve.

O sindicato dos magistrados expressou na sexta-feira “total solidariedade” com a greve e a estação de rádio pública prevê reduzir a programação à transmissão de música excetuando “serviços informativos ocasionais” durante o dia de segunda-feira.

Após a greve geral do dia 15 de dezembro os sindicatos da Bélgica devem anunciar novas formas de luta que devem ocorrer durante o período da passagem de ano.

 


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