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"Havia gente pendurada da janela, parecia o 11 de Setembro"
Mundo 1 2 min. 14.11.2015 Do nosso arquivo online
Jornalista filmou fuga de sobreviventes

"Havia gente pendurada da janela, parecia o 11 de Setembro"

Mundo 1 2 min. 14.11.2015 Do nosso arquivo online
Jornalista filmou fuga de sobreviventes

"Havia gente pendurada da janela, parecia o 11 de Setembro"

Um jornalista do Le Monde que vive nas traseiras da sala de concertos Bataclan filmou a fuga dos sobreviventes e descreve o horror dos ataques, evocando o 11 de Setembro. Ferido quando tentava socorrer as vítimas, o jornalista aguardava esta manhã para ser operado, tal como dezenas de vítimas.

O pesadelo começou às 10h da noite, conta Daniel Psenny, jornalista do jornal francês Le Monde, e arrastou-se até às 3h da manhã. Ferido por uma bala no braço, provavelmente disparada de uma janela, o jornalista teve de esperar até de madrugada para ser evacuado, tal como dezenas de feridos encurralados no bairro XI, em Paris. 

O jornalista descreve o horror do que viu no jornal Le Monde.

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"Eu estava a trabalhar em casa. A televisão estava ligada, e passava um filme em que Jean-Hugues Anglade faz o papel de um polícia. Ouvi um barulho, como petardos, e no início pensei que era no filme. Mas o barulho era tão forte que decidi ir à janela. Eu moro no segundo andar, e do meu apartamento vêem-se as saídas de segurança do Bataclan. Às vezes há evacuações agitadas, mas desta vez toda a gente corria de todos os lados, vi corpos por terra, sangue...", conta o jornalista. "Uma mulher estava pendurada de uma janela do Bataclan, no segundo andar. Pensei nas imagens do 11 de Setembro".

O jornalista acabaria por sair para abrir a porta do prédio aos sobreviventes que tentavam escapar do massacre. "Havia um homem estendido no passeio. Com outro homem que não voltei a ver, arrastámo-lo para o pôr a salvo no 'hall'. Devo ter sido atingido [por uma bala] nessa altura (...). Lembro-me de uma sensação como se um petardo tivesse explodido no meu braço esquerdo, e de ver o sangue a escorrer. Achei que o atirador estava à janela do Bataclan. Subimos até ao quarto andar, onde moram vizinhos. O indivíduo que arrastámos tinha uma bala na perna. Era um americano. Ele vomitava, tinha frio, achámos que ia morrer. Telefonámos aos bombeiros, mas eles não podiam evacuar-nos", conta.

O jornalista acabaria por receber instruções por telefone de como fazer um garrote com uma camisa, de uma amiga médica. Só depois de o assalto das forças especiais à icónica sala de concertos parisiense estar terminado é que os feridos foram evacuados. O ataque ao Bataclan, onde na sexta-feira decorria um concerto com a banda americana Eagles Of Death Metal, com lotação esgotada, fez dezenas de mortos.

Os autores dos ataques terroristas à emblemática sala de concertos parisiense fizeram reféns e invocaram a intervenção francesa na Síria para justificar a sua acção, segundo vários testemunhos recolhidos pela AFP e pelo jornal Libération. "Ouvi os reféns dizerem claramente ‘A culpa é de Hollande. A culpa é do vosso Presidente. Ele não devia intervir na Síria'. Eles também falaram do Iraque”, afirmou uma destas testemunhas, que se encontrava no Bataclan. Segundo fonte policiais, três suspeitos foram mortos durante o assalto feito pela polícia para libertar os reféns.

O vídeo do Le Monde (contém imagens chocantes).