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Hamburgo dá vitória a SPD, forte subida aos Verdes e recuo da extrema-direita
Mundo 2 min. 24.02.2020

Hamburgo dá vitória a SPD, forte subida aos Verdes e recuo da extrema-direita

Hamburgo dá vitória a SPD, forte subida aos Verdes e recuo da extrema-direita

Foto: Daniel Reinhardt/dpa
Mundo 2 min. 24.02.2020

Hamburgo dá vitória a SPD, forte subida aos Verdes e recuo da extrema-direita

Apesar da quebra eleitoral de 6,6%, as eleições deste domingo em Hamburgo deram oxigénio ao Partido Social-Democrata alemão (SPD) que ganhou as eleições com 39% interrompendo uma série de derrotas eleitorais no resto do país.

Hamburgo também catapultou os Verdes dos 12,3% para os 24,2% que mantêm a tendência de forte subida em toda a Alemanha ameaçando a hegemonia do SPD e da CDU. Outra das novidades da noite eleitoral na cidade portuária alemã foi o ligeiro retrocesso da extrema-direita que perdeu 0,8% dos votos face a 2016 alcançando os 5,3%, a escassos 0,3% de ficar de fora do parlamento regional. Por sua vez, o partido de esquerda Die Linke subiu ligeiramente para os 9,1%.

O atentado terrorista da extrema-direita em Hanau, na quarta-feira passada, que resultou na morte de dez pessoas, conduziu a uma forte contestação social contra o principal partido fascista alemão AfD que desde 2013 vinha entrando em todos os parlamentos estaduais. O discurso xenófobo tem estado presente em todas as suas campanhas políticas.

É cedo para apontar para um retrocesso geral deste partido no resto do país mas a tendência de crescimento pode ter aqui um ponto de viragem. A AfD entrou no parlamento federal pela primeira vez em 2017, depois de alcançar os 12,6% dos votos.

Hamburgo é uma das cidades-estado mais ricas da Alemanha com 1,8 milhões de habitantes e que resiste à agitação política do restante território, em parte gerada pela turbulenta transição interna dentro da CDU, o partido que tem a difícil missão de substituir Angela Merkel.

O partido conservador da chanceler alemã sofreu em Hamburgo uma derrota histórica com 11,2% dos votos, uma queda de quase cinco pontos, e passa para terceiro lugar atrás dos Verdes. Somente uma vez, em 1951 e em Bremen, a CDU obteve um resultado tão mau numa eleição regional. "Hoje é um dia amargo para a CDU na Alemanha", reconheceu o seu secretário-geral, Paul Ziemiak, após a realização das primeiras pesquisas, de acordo com o El País.

É mais um problema para a CDU gerir no meio da crise interna para substituir Angela Merkel, no poder há quase 15 anos. Estas eleições eram também as primeiras desde que Annegret Kramp-Karrenbauer anunciou, há duas semanas, que ia desistir da presidência do partido e da corrida pela sucessão de Merkel.

Os liberais, FDP, também caíram e ficaram em torno dos 5%, o que pode ditar a sua saída do parlamento. Este partido liberal é um dos principais culpados do caos que se seguiu às eleições na Turíngia onde aceitaram num primeiro momento governar com a extrema-direita apesar da forte rejeição política e social à decisão.

O autarca de Hamburgo, Peter Tschentscher, foi um dos grandes vencedores da noite com uma campanha pragmática, na qual a habitação acessível e as políticas públicas desempenharam um papel central. Um vencedor indireto é Olaf Scholz, ministro das Finanças e vice-chanceler, que governou a cidade até 2018 durante sete anos.

O SPD quer que Hamburgo funcione como uma alavanca e marque o início do fim da erosão de um partido que não está a conseguir avançar nas sondagens em intenções de voto nacionais. Se hoje houvesse eleições federais no país, os sociais-democratas ganhariam apenas 14% dos votos, atrás da CDU e dos Verdes e praticamente em igualdade com a extrema-direita.

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