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Guterres apela à proteção da Amazónia, que vai estar em debate no G7
Mundo 3 min. 23.08.2019

Guterres apela à proteção da Amazónia, que vai estar em debate no G7

Guterres apela à proteção da Amazónia, que vai estar em debate no G7

Foto: AFP
Mundo 3 min. 23.08.2019

Guterres apela à proteção da Amazónia, que vai estar em debate no G7

O secretário-geral da ONU afirmou que "não podemos permitir-nos provocar mais danos" à Amazónia e presidente francês decidiu incluir o tema na reunião do G7 que se realiza este fim-de-semana.

Nos últimos dias, as redes sociais pegaram fogo com as chamas que têm devorado o pulmão verde do planeta e as críticas contra Jair Bolsonaro crescem. Enquanto o hashtag #PrayforAmazon se convertia em tendência global no Twitter, o presidente brasileiro insistia na tese, sem apresentar provas, de que os responsáveis seriam membros de organizações de defesa do ambiente, alegadamente como vingança pelo corte de fundos decretado pelo governo.

Além das críticas internas, Bolsonaro enfrenta agora contestação internacional. Os incêndios saltaram da política brasileira para o cenário internacional com o secretário-geral da ONU, António Guterres, a mostrar a sua “profunda preocupação” pela situação. “No meio da crise climática mundial, não podemos permitir-nos provocar mais danos a uma grande fonte de oxigénio e biodiversidade. A Amazónia deve ser protegida”, publicou no Twitter o máximo responsável pelas Nações Unidas.

Mas o presidente francês foi mais longe e catalogou os fogos na Amazónia de “crise internacional” e decidiu incluir o tema na agenda do G7 que reúne este fim-de-semana em Biarritz, no País Basco. Longe de recuar, Bolsonaro decidiu esta quinta-feira voltar à carga e contestou a decisão de Emmanuel Macron acusando o presidente francês de querer “instrumentalizar” uma questão interna brasileira para “obter vantagens políticas pessoais”. O presidente brasileiro chegou a apontar o dedo aos países que dão dinheiro para a preservação da maior floresta tropical do mundo afirmando que tratam de “interferir na soberania do Brasil”. Voltou a insistir que os principais suspeitos são as ONG porque “essas organizações perderam os seus lucros”.

Cerca de meia centena de organizações não governamentais responderam unidas na quinta-feira ao ataque lançado por Bolsonaro: “É uma declaração absolutamente frívola e irresponsável que tem um objetivo muito claro: desviar a atenção do que realmente importa” à hora de tomar medidas que reduzam a desflorestação, afirmou Raúl do Vale, diretor de Justiça Socio-Ambiental da WWF Brasil, citado pela EFE.

A Amazon Watch também fez duras críticas e vinculou a desvastação das florestas ao discurso “anti-ambiental” de Bolsonaro, um capitão do Exército na reserva que se mostrou várias vezes partidário de explorar economicamente a Amazónia e reduzir a fiscalização das regras ambientais nas zonas protegidas. “Os agricultores e os criadores de gado entendem a mensagem do presidente como licença para provocar incêndios intencionais com total impunidade com o objetivo de expandir fortemente os seus negócios na selva”, defendeu Raúl do Vale.

A postura do governo brasileiro levou ainda o partido Rede Sustentabilidade a apresentar ante o Supremo Tribunal Federal um pedido de impeachment ao ministro do Ambiente, Ricardo Salles, por delito de responsabilidade na gestão da política ambiental.

De acordo com relatos recolhidos por organizações ambientais, dezenas de produtores rurais provocaram incêndios nas suas propriedades de forma coordenada numa demonstração de apoio ao presidente Bolsonaro. “Os fazendeiros decidiram criar o Dia do Fogo e incendiar bosques para criar pastos para o gado e ter espaço em terras públicas e mostrar ao presidente que estariam trabalhando e, portanto, mereceriam a amnistia prometida pelo crime que estavam a cometer nesse momento”, comentou o diretor da WWF, de acordo com o El País.

O Brasil está a registar um número recorde de incêndios. Entre janeiro e a passada segunda-feira, deflagraram quase mais 84% incêndios do que em igual período de 2018, a subida mais alta desde que o Instituto Nacional de Investigações Espaciais (Inpe) começou os registos, em 2013.

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