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Guerra aberta. Europa ameaça banir exportação de vacinas
Mundo 3 min. 29.01.2021 Do nosso arquivo online

Guerra aberta. Europa ameaça banir exportação de vacinas

Guerra aberta. Europa ameaça banir exportação de vacinas

Foto: AFP
Mundo 3 min. 29.01.2021 Do nosso arquivo online

Guerra aberta. Europa ameaça banir exportação de vacinas

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Por causa da quebra de contrato com a AstraZeneca e a falha da Pfizer/BioNTech em fornecer as doses contratadas, a Comissão Europeia vai hoje propor banir a exportação de vacinas produzidas na União Europeia.

É uma medida extrema. Por causa da quebra de contrato com a AstraZeneca e a falha da Pfizer/BioNTech em fornecer as doses contratadas, a Comissão Europeia vai hoje propor banir a exportação de vacinas produzidas na União Europeia.

A Comissão Europeia anunciou ontem, dia 28, que irá propor aos países um mecanismo para que os camiões com doses de vacinas ou componentes médicos fabricados na União Europeia sejam travados nas fronteiras com o espaço exterior. É o último passo de uma guerra que dura há mais de uma semana, no meio de uma enorme ansiedade nas várias capitais com as falhas de entregas que estão a levar a que o ritmo das campanhas de vacinação esteja a ser frustrante praticamente em todos os países.

A desconfiança em relação à fuga das vacinas está ao rubro. Na semana passada, o gigante farmacêutico AstraZeneca avisou as autoridades europeias que não iria entregar as doses contratadas, alegando problemas de produção com a fábrica na Bélgica. No entanto, o laboratório suíço/inglês AstraZeneca está a fornecer ao Reino Unido as doses previstas.

Na passada reunião de chefes de Estado e de governo, no dia 21, convocada para discutir a nova vaga mortal de covid-19, esta questão levantou a indignação geral e foi pedido à Comissão Europeia que pusesse as garras de fora. O objetivo de vacinar 70% da população adulta europeia até ao verão, combinado pelo conjunto dos países, começa já a parecer impossível de atingir por causa de falta de fornecimento de doses.

Conflito comercial pós-Brexit. União Europeia primeiro

Numa comunicação feita ontem, a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides anunciou que caso as companhias não honrem os seus compromissos com a UE, iria ser criado um mecanismo para bloquear as exportações das doses produzidas no território da União Europeia. É uma decisão drástica e rara de protecionismo que estará a ser discutido hoje, quando cresce a inquietação e as acusações de que apesar de ter contratado com seis vacinas promissoras, a Europa está a ficar muito para trás de outros países, e nomeadamente do Reino Unido. E este é um dos primeiros episódios graves de disputa comercial pós-Brexit.

Mas se a medida, for de facto implementada, pode danificar a fluidez da produção e das campanhas de vacinação em todo o mundo, uma vez que não há componentes médicos – e  só as doses já prontas - que cairiam sob a interdição de exportação. A decisão, além de sem precedentes, mas defendida pelos responsáveis europeus como forma de proteger os direitos dos cidadãos, poderá ser contestada pela Organização do Comércio Mundial.

Isto não é um talho”, diz Kyriakides

As afirmações de Pascal Soriot, o CEO da AstraZeneca, ao jornal italiano La Repubblica, segundo o qual a equipa da Europa levou mais três meses do que o Reino Unido a assinar um acordo com esta farmacêutica, e por isso estaria em segundo lugar, enfureceram particularmente Kyriakides. Numa sessão com jornalistas, ontem, dia 28, a comissária disse que “isto não é o talho, em que o primeiro a aparecer é atendido antes”.

Na passada segunda-feira, dia 25, em duas longas reuniões com a administração da AstraZeneca, a equipa negocial da Comissão confessou não ter recebido respostas satisfatórias às suas dúvidas de que o Reino Unido estaria a ser indevidamente favorecido. A AstraZeneca informou que havia problemas com a fábrica na Bélgica, mas não com a fábrica inglesa, e esse era o motivo pelo qual só os envios para a Europa continental estavam atrasados.

Foi por isso, conduzida uma investigação independente na fábrica da companhia Novasec, em Seneffe, que faz parte da cadeia de produção da vacina da Oxford/Astrazeneca. Mas ainda não foram divulgadas as conclusões sobre se há ou não problemas com a produção que justifiquem a incapacidade de fornecer as doses previstas para os países da UE.

No meio desta turbulência jurídica, e incerteza, a vacina da Oxford/AstraZeneca deverá ser hoje aprovada pela Agência Europeia do Medicamento.

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