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Guaidó perde a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela
Mundo 3 min. 06.01.2020 Do nosso arquivo online

Guaidó perde a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela

Guaidó perde a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela

Foto: AFP
Mundo 3 min. 06.01.2020 Do nosso arquivo online

Guaidó perde a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Acusado de corrupção, Juan Guaidó viu deputados da oposição elegerem Luís Parra como presidente do órgão venezuelano. Os aliados de Juan Guaidó acusam agora os opositores que assumiram a direção da Assembleia Nacional de corrupção e de terem negócios com o governo de Nicolás Maduro.

Todos os anos, a 5 de janeiro, a Assembleia Nacional venezuelana abre os trabalhos com a eleição do seu presidente. Até ao momento, era Juan Guaidó que estava no cargo e foi nessa qualidade que se auto-proclamou presidente da Venezuela em 23 de janeiro do ano passado. Menos de um ano depois, acossado por acusações de corrupção e por ligações ao cartel colombiano de droga Los Rastrojos, a revalidação de Juan Guaidó na presidência da Assembleia Nacional tinha tudo para correr mal. 

A tensão subiu de tom quando vários deputados da oposição ao governo de Nicolás Maduro criticaram o presidente reconhecido pelos Estados Unidos e pela maioria dos países da União Europeia. Já em dezembro, o próprio reconheceu não ter feito o suficiente para afastar Nicolás Maduro do poder. De acordo com a Lusa, Juan Guaidó admitiu haver “diferenças radicais” dentro da oposição sobre como “enfrentar 2020”. As discrepâncias já se tinham agudizado quando uma parte dos opositores escolheu dialogar com o chavismo contra a opinião do auto-proclamado presidente que prefere uma solução mais musculada com o apoio de Washington.

Essas diferenças foram o espelho do que aconteceu este domingo. A sessão da Assembleia Nacional que estava marcada para as 11 horas de domingo foi campo de batalha. Neste espaço exíguo onde se costumam sentar 167 deputados, na sua esmagadora maioria da oposição, foram vários os eleitos que propuseram uma nova direção da Assembleia Nacional arredando Juan Guaidó do cargo. "Neste ano que acaba de terminar, eras a esperança do país, hoje és a maior deceção. Podias ter sido o futuro, mas hoje és e vais ser o passado. Foste um sonho transformado em um pesadelo. Juan Guaidó, o teu tempo acabou", declarou o deputado opositor José Brito.

A oposição acabou por eleger Luís Parra como o novo presidente da Assembleia Nacional enquanto Juan Guaidó e os seus apoiantes ficaram no exterior. De acordo com o auto-proclamado presidente, os guardas impediram-no de entrar na sessão parlamentar mas os opositores que assumiram a presidência da Assembleia Nacional acusam-no de ter montado um “espetáculo mediático”. 

Há imagens que mostram Juan Guaidó a tentar saltar as grades que separam o edifício do exterior. 

Mas também há vídeos em que o ex-presidente da Assembleia Nacional se recusa a entrar em solidariedade com um deputado impedido de passar a barreira policial por ter sido inabilitado pelo Ministério Público por fraude eleitoral. Depois, acaba mesmo por entrar no perímetro do edifício e volta para trás.

Julio Borges, coordenador do partido Primero Justicia e delegado de Guaidó para as Relações Exteriores, advertiu no Twitter "que a ditadura sem quórum juramenta direção [da Assembleia Nacional] ilegal e inconstitucional". "Eles não representam o povo venezuelano, é uma manobra para tentar impor um grupo de cúmplices de Maduro e do seu regime à Assembleia Nacional", escreveu Julio Borges.

Os aliados de Juan Guaidó acusam agora os opositores que assumiram a direção da Assembleia Nacional de corrupção e de terem negócios com o governo de Nicolás Maduro. O auto-proclamado presidente da Venezuela acusa também o novo presidente Luís Parra de se ter auto-proclamado. 

Numa situação política própria de uma telenovela. Juan Guaidó acabou por reunir alguns dos seus deputados e apoiantes na sede do jornal El Nacional numa “sessão da Assembleia Nacional” e foi “eleito” novamente presidente. 

O fracasso e o ocaso de Juan Guaidó, juntamente com a nova situação política na oposição venezuelana, vai ser certamente mais uma dor de cabeça para os governos que o reconheceram como presidente da Venezuela.

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