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Guaidó desmente Bolsonaro e diz que não vai haver intervenção militar na Venezuela

Guaidó desmente Bolsonaro e diz que não vai haver intervenção militar na Venezuela

Foto: AFP
Mundo 3 min. 15.04.2019

Guaidó desmente Bolsonaro e diz que não vai haver intervenção militar na Venezuela

"De facto, já existe uma intervenção militar ilegítima, como a russa e a cubana, permitida por Maduro", afirmou Guaidó, que garantiu que na Venezuela "há tropas russas não autorizadas" que "devem ir-se embora".

 O presidente do parlamento e autoproclamado Presidente da Venezuela, Juan Guaidó, assegurou que a possibilidade de uma intervenção militar estrangeira para destituir o governo de Nicolás Maduro não está em cima da mesa.

Desmentindo as declarações na semana passada de o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que em entrevista a uma rádio aventou essa hipótese como provável:  "Vamos supor que haja uma invasão lá [na Venezuela]. A decisão vai ser minha, mas eu vou ouvir o Conselho de Defesa Nacional e depois o Parlamento brasileiro para tomar a decisão de facto". Na mesma entrevista, acrescentou: "É nossa intenção e dos EUA que exista uma cisão no exército, porque são eles que ainda apoiam Maduro. São as Forças Armadas que decidem se um país vive em democracia ou numa ditadura", acrescentou.  

O Presidente do Brasil também afirmou que um possível conflito na Venezuela provavelmente envolveria uma guerra de guerrilha e que essa situação pode prolongar o conflito.

Numa entrevista publicada no domingo pelo diário argentino Clarín, Guaidó afirmou que "o único que pode autorizar uma missão e intervenção estrangeira é o Parlamento nacional. Isso elimina qualquer possibilidade de intervenção militar".

Guaidó, que se proclamou Presidente interino da Venezuela em 23 de janeiro e foi reconhecido por menos de meia centena de países, incluindo Portugal, sustentou que desde aquele dia "se avançou muitíssimo para encurralar e encostar Maduro às cordas", mas insistiu que, como oposição, nunca colocou a "opção militar sobre a mesa".

"Falamos de cooperação internacional. Foi o regime de Maduro que o fez e é um escândalo", disse, acrescentando que é o próprio Maduro que procura uma "solução militar" quando "vai falar com o Presidente sírio, Bashar Al Assad, e ameaça transformar o país em outra Síria" e permite "a abertura de voos entre Teerão (Irão) e Caracas".

"De facto, já existe uma intervenção militar ilegítima, como a russa e a cubana, permitida por Maduro", afirmou Guaidó, que garantiu que na Venezuela "há tropas russas não autorizadas", por ele, e que portanto "devem ir-se embora".

O autoproclamado Presidente que não controla de facto nenhum aspeto da governação da Venezuela, reiterou que "não pode haver uma intervenção militar, mas sim cooperação internacional" e que internamente se aguarda um posicionamento dos generais que comandam as forças armadas.

"Cerca de 97% do país está contra Maduro e 91% quer uma mudança de governo, segundo as últimas sondagens. Estamos, por isso, à espera de que os generais no ativo se pronunciem", disse.

Guaidó classificou o regime de Maduro como uma "ditadura sádica e miserável" que "bloqueia a comida e os medicamentos ao povo faminto e necessitado e ainda se regozija com essa atitude".

"Já vamos em mais de dois milhões por cento de inflação e o Banco Mundial projeta uns 10 milhões por cento de hiperinflação. A contração económica este ano será 25%. O salário mínimo mensal é cinco dólares (cerca de 4,3 euros) e está a baixar", advertiu.

A resposta de Maduro a Bolsonaro

Maduro respondeu ao Presidente brasileiro, num encontro com a Federação Mundial de Juventudes Democráticas e com o Conselho Mundial de Paz, realizado em Caracas, no dia 12 de abril: "A Venezuela rejeita de maneira absoluta as ameaças de guerra e invasão militar de Jair Bolsonaro contra o povo bolivariano nobre, pacífico e solidário." E lançou o seu próprio apelo aos militares brasileiro: "Peço às forças militares do Brasil que enfrentem a loucura de Jair Bolsonaro e a sua ameaça de guerra contra a Venezuela."

O presidente venezuelano lembrou que Bolsonaro esteve recentemente nos EUA e em Israel. "No seu regresso das viagens veio mais louco que nunca. É um fascista. Mas nunca, jamais, um presidente do Brasil tinha ameaçado invadir um povo vizinho. Qual é a causa da guerra? Vai invadir-nos porquê? A Venezuela agrediu ou ofendeu o Brasil?", disse, lembrando que a Venezuela quer paz com o povo do Brasil.

Com Lusa

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