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Grupo de 9 mil migrantes hondurenhos tenta chegar aos Estados Unidos
Mundo 3 min. 18.01.2021

Grupo de 9 mil migrantes hondurenhos tenta chegar aos Estados Unidos

Forças de segurança da Guatemala dispararam gás lacrimogéneo sobre uma caravana de milhares de migrantes que se dirigiam para os EUA.

Grupo de 9 mil migrantes hondurenhos tenta chegar aos Estados Unidos

Forças de segurança da Guatemala dispararam gás lacrimogéneo sobre uma caravana de milhares de migrantes que se dirigiam para os EUA.
Foto: AFP
Mundo 3 min. 18.01.2021

Grupo de 9 mil migrantes hondurenhos tenta chegar aos Estados Unidos

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
À espera de mudanças na política migratória norte-americana com Joe Biden, milhares de hondurenhos tentam chegar atravessar a Guatemala e o México a poucos dias da tomada de posse do futuro inquilino da Casa Branca.

As medidas anunciadas por diversos governos latino-americanos para combater a pandemia deixaram milhares de pessoas sem emprego e numa situação mais fragilizada economicamente e socialmente. O furacão Eta aprofundou mais o desespero de quem vive nas Honduras com a destruição do tecido industrial. Agora, a dois dias da tomada de posse de Joe Biden, milhares de centro-americanos seguem os passos de tantos outros que partiram em busca do sonho norte-americano. 

É a primeira grande vaga migratória no ano que agora começa. Um desafio para quem empreende o desafio de chegar aos Estados Unidos para deixar para trás a violência e a miséria mas também um desafio para as autoridades norte-americanas e para o novo inquilino da Casa Branca num dos temas mais sensíveis na política interna dos Estados Unidos.

São sobretudo hondurenhos e foram cercados no domingo pelas forças armadas guatemaltecas na fronteira entre os dois países. Houve cargas e gás lacrimogéneo para evitar que esta maré humana chegue ao México e, posteriormente, aos Estados Unidos. Animados com a possibilidade de haver alterações na política norte-americana de imigração, um grupo de 3.500 pessoas deixou a cidade de San Pedro Sula, nas Honduras, e avança agora com 9 mil pessoas, de acordo com as autoridades que falam da pandemia para justificar o bloqueio fronteiriço.

 "Estamos preocupados com esta situação, que de alguma forma coloca a população em risco em termos de saúde", afirmou o responsável da migração guatemalteco ao El País. Já organizações humanitárias como a Cruz Vermelha têm vindo a alertar há dias sobre a desproteção que sofrem os migrantes. "Muitas pessoas sofrem acidentes e amputações, enfrentam extorsão e violência sexual, ou desaparecem e são separadas das suas famílias. Alguns são mortos ou morrem de doenças ou intempéries", alertou Lorena Guzmán, coordenadora de migração do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na América Central e no México. A estes perigos juntam-se agora os riscos da pandemia: falta de água ou acesso à lavagem das mãos e ajuntamentos.

O México responde da mesma forma. Qualquer migrante que queira atravessar a fronteira com o estado de Chiapas deve submeter-se aos controlos e protocolos contra a covid-19. O Governo de Andrés Manuel López Obrador duplicou o número de militares na Ponte Internacional Rodolfo Robles entre Ciudad Hidalgo e Tecún Umán. 

Depois de chegar a um acordo com Donald Trump para impedir a chegada de mais migrantes, que ameaçou subir as taxas nas trocas comerciais entre os dois países, esta questão foi praticamente a única abordada por Lopez Obrador e Biden na conversa que tiveram.

Antes do Natal, os dois líderes concordaram em iniciar um novo caminho na política de imigração e, pelo menos no papel, comprometeram-se a promover "a cooperação entre os Estados Unidos e o México para assegurar uma migração segura e ordeira, conter o coronavírus, impulsionar as duas economias e assegurar a fronteira comum". Isso vai significar também, informaram os dois governos, "abordar as causas profundas da migração em El Salvador, Guatemala, Honduras e sul do México para construir um futuro de maiores oportunidades e segurança na região".

Biden admitiu na reta final da campanha eleitoral que durante os mandatos de Barack Obama, quando era vice-presidente, esta emergência não foi abordada com a urgência que merecia. Planeia agora regularizar 11 milhões de pessoas que estão nos Estados Unidos sem papéis nos primeiros dias da sua administração.

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