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Greve geral no Equador exige a queda do governo
Mundo 3 min. 09.10.2019

Greve geral no Equador exige a queda do governo

Greve geral no Equador exige a queda do governo

Foto: AFP
Mundo 3 min. 09.10.2019

Greve geral no Equador exige a queda do governo

Bruno Carlos AMARAL DE CARVALHO
Bruno Carlos AMARAL DE CARVALHO
Manifestantes invadiram parlamento equatoriano depois de governo ter fugido para fora da capital pelos violentos protestos contra medidas de austeridade.

Certamente que nem o governo equatoriano anteciparia que poucos dias depois do anúncio de um pacote de medidas de austeridade o presidente Lenín Moreno tivesse que fugir da capital com os seus ministros para outra cidade e que o parlamento nacional fosse invadido pela população. O Equador é agora um país sitiado onde o silêncio foi substituído pelas balas da polícia e pelas pedras dos manifestantes.

Esta quarta-feira é já o sexto dia de protestos massivos que atravessam todo o país desde que Lenín Moreno anunciou no primeiro dia de outubro que ia satisfazer as exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), responsável por um empréstimo de mais de 4 mil milhões de dólares ao país sul-americano.

O chefe do governo equatoriano viu os ânimos inflamarem-se depois do anúncio do aumento dos preços dos combustíveis, como consequência do corte nos subsídios estatais que mantinham as tarifas reguladas, da redução em 20% dos salários na renovação dos contratos a prazo, da redução dos dias de férias de 30 para 15 e da contribuição mensal obrigatória de um dia de salário por parte dos funcionários públicos.

Logo no dia em que a lei entrou em vigor, o setor dos transportes convocou uma paralisação nacional para exigir a revogação do decreto. Camiões, táxis, autocarros e veículos escolares e institucionais bloquearam as principais estradas do país.

De imediato, a comunidade indígena e os estudantes juntaram-se aos protestos e houve confrontos entre a polícia e os manifestantes. Foi então que Lenín Moreno decidiu declarar o estado de exceção durante 60 dias e a mobilização de 24 mil militares para assegurar a ordem nas ruas. 

Mas foi o grito de guerra indígena que lançou o caos sobre o país. “As nossas bases preparam-se para intensificar as medidas de facto ante o iminente aumento do preço dos transportes em todo o Equador, afetando os bolsos dos equatorianos enquanto se perdoam as dívidas dos ricos e o governo cede perante as pressões do FMI”, afirmava um comunicado do movimento indígena. Jaime Vargas, presidente da CONAIE, organização que agrupa os povos originários, que representam 7% da população, convocou, então, todos a dirigirem-se para a capital e fazer greve geral esta quarta-feira.

Quando milhares de manifestantes se dirigiam para Quito, Lenín Moreno decidiu, à pressa, mudar o governo para Guayaquil, capital económica do país, já o país estava incontrolável. Na terça-feira, os manifestantes invadiram o parlamento nacional num ato que revela bem a situação crítica que se vive no Equador. Foram desalojados pelos militares mas em Pastaza a população assaltou o edifício do governo regional e desafiaram Lenín Moreno.

Erik Bozo, economista do país sul-americano, afirmou que "nos mais de 40 anos em que estes subsídios estiveram em vigor, nenhum governo, nem mesmo o mais neoliberal dos anos 90, ousou removê-los completamente, devido ao sério efeito que poderiam ter na dinâmica macroeconómica do país". Para o economista, o aumento do combustível poderia produzir vários cenários: a subida generalizada da inflação, a redução da capacidade aquisitiva da população e o aumento do desemprego.

Em Guayaquil, o presidente fez uma declaração na televisão e na rádio públicas para pedir calma e acusou o ex-presidente Rafael Correa de “tentativa de golpe de Estado”. Lenín Moreno, que foi vice-presidente de Rafael Correa, acusa também o ex-mandatário de ter desbaratado as contas públicas. Em resposta a Moreno, Correa acusou o atual governo de ser golpista "por ter rasgado a constituição sempre que lhe apeteceu".

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