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Greve geral independentista pára Catalunha
Mundo 2 min. 18.10.2019

Greve geral independentista pára Catalunha

Greve geral independentista pára Catalunha

Foto: AFP
Mundo 2 min. 18.10.2019

Greve geral independentista pára Catalunha

Bruno AMARAL DE CARVALHO
Bruno AMARAL DE CARVALHO
Catalunha amanhece paralisada com greve geral convocada pelos sindicatos independentistas. Grevistas fecharam a fronteira com França.

Desde que o Supremo Tribunal espanhol decretou penas de prisão para 12 ex-governantes e líderes independentistas catalães, Barcelona tem sido o epicentro de um terramoto social que começou com a ocupação do aeroporto por parte de milhares de pessoas e que continua dia após dias com marchas pelas principais auto-estradas da região e com violentos confrontos que se estendem noite fora.

Quando as centrais sindicais convocaram a greve geral de hoje já a Catalunha se encontrava paralisada por diferentes ações dos independentistas. A Seat, por exemplo, decidiu parar a produção da sua fábrica nos arredores de Barcelona, o principal centro de produção na Catalunha, a partir da tarde de quinta-feira e durante todo o dia de hoje, por causa das marchas independentistas que estão a bloquear o trânsito em várias auto-estradas. A empresa do setor automóvel defendeu que tomou esta decisão de forma preventiva para evitar os problemas que pudessem surgir aos trabalhadores e às peças para chegarem à fábrica.

As previsões da administração da Seat foram acertadas. Depois da quarta noite consecutiva de violência nas ruas de Barcelona, a Catalunha acordou com os serviços e o comércio paralisado. 

Nem a Sagrada Família escapou à greve e encontra-se encerrada. Durante a manhã, pelo menos 22 estradas e auto-estradas estavam cortadas, até ao momento são já meia centena os voos cancelados, os estivadores pararam os portos de Barcelona e Tarragona e a fronteira com França foi bloqueada pelos independentistas. Um cruzeiro com 918 passageiros teve de ser desviado para Valência por causa da greve.

Extrema-direita provoca feridos

Começam a tornar-se habituais as imagens de contentores e viaturas a arder nas principais avenidas das mais importantes cidades catalães. Ontem, uma vez mais, houve dezenas de detidos e feridos. Foram pelo menos 42 os que tiveram de receber tratamento, de acordo com o Serviço de Emergências Médicas da Catalunha. Se os desacatos se deram até agora entre independentistas e forças policiais, na noite passada grupos de extrema-direita espalharam a violência e agrediram vários independentistas.

A gestão das autoridades da crise está a ser muito criticada por todos os lados, incluindo de alguns partidos independentistas. A suspeita de haver polícias infiltrados que instigam à violência no interior das manifestações e a reação complacente dos agentes perante os grupos de extrema-direita levaram já ao pedido da presidente da Câmara Municipal de Barcelona para que haja detenções “uma vez que a polícia tem as imagens” das agressões. 

Por sua vez, o porta-voz da Esquerda Republicana Catalã (ERC) no parlamento espanhol, Gabriel Rufián, diz que “acabou o tempo das explicações e chegou o tempo das demissões” numa referência ao responsável pela pasta da segurança no governo catalão. Também Joan Tardà, ex-deputado da ERC no mesmo parlamento, foi duro nas críticas e exigiu eleições antecipadas na Catalunha “para haver um governo que representa maiorias mais amplas e um parlamento com mais consenso”.


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