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Greve geral ameaça parar a Colômbia
Mundo 2 min. 21.11.2019

Greve geral ameaça parar a Colômbia

Greve geral ameaça parar a Colômbia

Foto: AFP
Mundo 2 min. 21.11.2019

Greve geral ameaça parar a Colômbia

Os colombianos saem hoje às ruas num país que acordou com as fronteiras fechadas e com militares e polícias nos centros urbanos para controlar as manifestações. Depois das explosões sociais nos países vizinhos, o governo de Iván Duque receia o contágio.

Com os militares na rua, é desta forma que o governo liderado pelo presidente Iván Duque enfrenta uma greve geral cujo prognóstico geral é de que pode vir a ser a mais importante das últimas décadas. Num contexto latino-americano em que várias explosões sociais se sucederam no Equador, no Chile, na Bolívia e no Haiti, esta paralisação vai servir de termómetro para medir o desgaste da gestão de Iván Duque num dos países mais desiguais do continente. Sindicatos, estudantes e povos indígenas, entre outros opositores, apelaram a uma grande marcha contra as políticas do atual presidente que não chegou sequer ainda a ano e meio de mandato.

No país que foi durante anos campeão no número de assassinato de sindicalistas, o governo deixou nas mãos da polícia e dos militares a resolução do conflito. "Não estamos na Suíça, estamos claramente num ambiente onde há uma imensa maioria de cidadãos que querem marchar em paz, mas há elementos extremistas que cometeram violações da lei e atos terroristas", declarou o autarca da capital, Enrique Peñalosa, na quarta-feira, justificando as medidas de segurança antes da greve.

Mas o governo foi mais longe e decidiu encerrar diversos postos fronteiriços ao longo da linha invisível que divide o país da Venezuela e do Equador. Na terça-feira, agentes realizaram cerca de trinta rusgas em Bogotá, Medellín e Cali, as principais cidades do país, que incluíram a meios de comunicação social e coletivos artísticos e culturais. Uma das mais polémicas ações deu-se na revista Cartel Urbano, na capital, de acordo com o El País. Um grupo de polícias chegou às instalações à procura de propaganda e supostos explosivos depois de receber uma denúncia anónima. Não encontraram nada mas nos vídeos da operação policial pode ver-se os jornalistas protestar por terem sido "tratados como se fossem terroristas".

A greve foi originalmente convocada pelo Comando Nacional Unitário, que reúne as principais organizações de trabalhadores, para rejeitar reformas no mercado de trabalho e no sistema de pensões. Mas cresceu rapidamente com o apelo à greve de outros grupos, como estudantes - que exigem mais recursos para a educação pública -, professores ou povos indígenas. Artistas, organizações sociais e diversos setores da oposição foram acrescentando as suas reivindicações que vão desde a desigualdade social até o assassinato ininterrupto de líderes sociais, povos indígenas e ex-combatentes das FARC que assinaram um acordo de paz.

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