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Grécia avança para eleições antecipadas depois da derrota do Syriza

Grécia avança para eleições antecipadas depois da derrota do Syriza

Foto: AFP
Mundo 2 min. 11.06.2019

Grécia avança para eleições antecipadas depois da derrota do Syriza

Conservador Kyriakos Mitsotakis é o melhor colocado para suceder a Alexis Tsipras


 Já há data marcada para as eleições legislativas antecipadas na Grécia. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, notificou formalmente o presidente do país, Prokopis Pavlopulos, sobre a dissolução do parlamento e a ida às urnas no próximo mês, a 7 de julho. O mau resultado do Syriza, partido do qual Tsipras é líder, nas eleições europeias, regionais e municipais precipitou a antecipação da convocatória eleitoral que, de acordo com as sondagens, podem ditar o regresso ao poder do conservador Nova Democracia. 

 Apesar da descida recorde do desemprego - em março registou 18,1%, o nível mais baixo desde 2011, ainda que chegue aos 40% entre os jovens -, o Syriza perdeu popularidade depois de um mandato em que a austeridade marcou a vida dos gregos. Os três resgates representaram um total de 280 mil milhões de euros em empréstimos da troika composta pelo FMI, UE e BCE para evitar a falência da economia grega e saída do país da comunidade europeia.

Foi só no ano passado que a Grécia abandonou o programa de medidas acordado com a troika mas ainda não passou muito tempo do dia em que o farmacêutico reformado Dimitris Christoulas, incapaz de viver com uma pensão sujeita a cortes severos, deu um tiro na cabeça em plena praça Sintagma, à frente do parlamento. Do traumático e turbulento passado recente, os gregos encaminham-se para um período cada vez mais estável economicamente mas nem por isso se esquecem de quem encabeçou o governo durante os últimos quatro anos.

Ainda que Alexis Tsipras tenha celebrado o fim do resgate, o país continua sob supervisão técnica da troika. Tampouco o histórico acordo com a Macedónia que pôs um ponto final numa disputa de duas décadas e meia parece ajudar o atual primeiro-ministro nos estudos de opinião.

A Nova Democracia recebe o apoio de 31,2% dos inquiridos na primeira sondagem publicada a um mês das eleições. O partido liderado por Kyriakos Mitsotakis que já tinha conquistado a autarquia de Atenas fica à frente dos 23,5% atribuídos ao Syriza.

Os estilhaços da crise também provocam vítimas. Os Gregos Independentes, antigos aliados conservadores de Tsipras que abandonaram o governo pela sua oposição ao acordo com a Macedónia, decidiram não participar na corrida eleitoral por causa do péssimo resultado obtido nas eleições de maio. Pelas mesmas razões, o liberal To Potami anunciou que não ia às urnas.

Já Tsipras justificou a antecipação das eleições com a vontade de evitar “um longo período de incerteza política que poderia pôr em causa a recuperação económica”. Mas para os críticos não se trata mais do que tentar evitar mais estragos.

O regresso ao passado?

O previsível triunfo da Nova Democracia, tradicional partido grego que com o PASOK dominou a política do país durante décadas desde a restauração da democracia em 1973, antecipa o regresso de uma das dinastias políticas mais poderosas da Grécia. Kyriakos Mitsotakis, melhor colocado para primeiro-ministro segundo as sondagens, é filho de Kostas Mitsotakis, antigo primeiro-ministros nos anos 90. É ainda irmão de Dora Bakoyanis, ex-autarca de Atenas, que foi também ministra da Cultura e Negócios Estrangeiros, e tio de Kostas Bakoyanis, recém-eleito presidente da Câmara Municipal de Atenas.

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