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Grand Est. Hospitais lotados e com falta de camas para doentes com coronavírus
Mundo 6 4 min. 16.03.2020 Do nosso arquivo online

Grand Est. Hospitais lotados e com falta de camas para doentes com coronavírus

Grand Est. Hospitais lotados e com falta de camas para doentes com coronavírus

AFP
Mundo 6 4 min. 16.03.2020 Do nosso arquivo online

Grand Est. Hospitais lotados e com falta de camas para doentes com coronavírus

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Esta região francesa regista 1378 casos e 21 mortes. Médicos e autoridades alertam para "situação grave" das unidades públicas e para a falta de profissionais de saúde para atender tantos doentes.

Na região do Grand Est, a mais afetada de França e já considerada “zona de Risco” de sábado para domingo confirmaram-se 293 novas infeções pelo novo coronavírus e mais 21 mortes “em três dias”, segundo o comunicado da Agence Régionale Santé desta região.

“A situação está a piorar” e a ficar preocupante, alertam as autoridades e os profissionais de saúde perante o crescimento de doentes que todos os dias chegam aos hospitais públicos da região.

O mesmo se passa em toda a França, onde sábado foram hospitalizados 400 doentes. O diretor-geral da Saúde lançou um apelo esta manhã aos cidadãos para respeitar as medidas de prevenção. 

"É uma epidemia muito rápida e vemos que o número de casos agora duplica a cada três dias", alertou Jérôme Salomon.

"Está claro que hoje os hospitais (...) estão realmente a ter grandes dificuldades em cuidar dos doentes que chegam todos os dias, a cada hora", afirmou o diretor-geral.

"Apelo à mobilização geral de todo o povo francês. Seria catastrófico ter de fazer triagem de pessoas (...) em terapia intensiva porque não há lugar", para todos, pediu Jérôme Salomon.

Os números no Grand Est

O Alto Reno, o mais afetado tem 688 casos confirmados contra 323 casos no Baixo Reno e 197 casos em Moselle. Nos outros departamentos, a epidemia é menos intensa, de acordo com o último balanço da ARS.


Situação "muito inquietante" em França
O director-geral de Saúde está preocupacom com "a possível saturação" dos hospitais.

Meurthe-et-Moselle regista 60 casos, 10 casos em Meuse, 22 em Marne, 7 em Aube, 3 em Haute-Marne, 1 em Ardennes, 59 em Vosges. Oito dos casos foram de doentes que vieram de outras regiões fora do Grande Est.

Perante a situação a ARS pede a todos os habitantes que “respeitem rigorosamente as medidas de prevenção”, e informa que os “estabelecimentos de saúde foram postos em alerta e foram reforçadas as suas unidades de reanimação e as capacidades para realização de análises à infeção pelo novo coronavírus”.

Mesmo assim já não estão a ser suficientes para atender os doentes mais graves nos hospitais públicos.

Falta de camas e de pessoal

Entre os médicos e enfermeiros nos seus WhatApps circulam desde domingo mensagens de como os serviços de reanimação dos hospitais do Grand Est já se tornaram “um inferno” e estão saturados, escreve o Le Monde.

“Temos 25 pessoas em ventilação em Colmar e estamos lotados”, explica Jean-Francois Cerfon, presidente do Conselho departamental da Ordem dos Médicos a este diário francês. Este hospital já cancelou todas as cirurgias não urgentes e reuniu mais camas para os doentes infetados pelo Covid-19 mas não chegam.

O mesmo se passa em Nancy. “Recebemos mais de 100 telefonemas por dia e realizamos um número de tratamentos muito superior ao normal”, descreve por seu turno, à France 3 Lorraine, Christian Rabaud, especialista em doenças infeciosas do Hospital Universitário de Nancy. "Nós não podemos atender todos de uma vez como é necessário, face à rapidez com que este vírus se está a espalhar".

Este especialista lembra em declarações à France 3 Lorraine que o mundo já passou por outras epidemias de vírus como a “SARS e o H1N1”, “mas este é um vírus que causa uma síndrome respiratória aguda muito grave”.


Covid-19. Consulados portugueses em França fechados até ordem em contrário
Os postos vão ficar atentos a emergências e será possível contactar os Consulados ou o Gabinete de Emergência Consular através de correio eletrónico.

Perante a chegada de tantos doentes este hospital já reforçou a equipa de atendimento telefónico da linha de emergência, e chamou médicos reformados e estudantes de medicina para os serviços mais necessitados.

"Situação dramática"

No Alto Reno que concentra o maior número de casos a situação é muito preocupante porque “já não há camas”.

“Não temos mais espaço para os doentes, é uma confusão, estamos sempre à procura de camas”, explica um anestesista ao Le Monde temendo que as “próximas três semanas sejam muito difíceis”.

Um médico de emergência de Strasbourg confirma o mesmo a este jornal: “É uma reorganização permanente, porque não temos camas suficientes nos cuidados intensivos. Mal temos novas camas ‘Covid’ elas ficam lotadas”.

AFP

Também neste departamento a faculdade de medicina mobilizou os seus estudantes pedindo voluntários para ajudar os hospitais públicos. Os médicos com consultórios nas cidades e vilas fecharam portas para dar apoio nos hospitais. Uma prova de solidariedade “bem-vinda pois a situação é dramática”.

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