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Governo libanês foi alertado em julho sobre o perigo do material químico em Beirute
Mundo 3 min. 11.08.2020

Governo libanês foi alertado em julho sobre o perigo do material químico em Beirute

Governo libanês foi alertado em julho sobre o perigo do material químico em Beirute

Foto: AFP
Mundo 3 min. 11.08.2020

Governo libanês foi alertado em julho sobre o perigo do material químico em Beirute

Numa carta remetida ao primeiro-ministro e ao presidente, elementos do departamento de segurança advertiram que o nitrato de amónio armazenado no porto da capital libanesa podia destruir a cidade no caso de uma explosão.

Oficiais de segurança libaneses alertaram as autoridades no mês passado sobre as 2.750 toneladas de nitrato de amónio armazenadas no porto de Beirute e avisaram que representavam um risco e que poderiam destruir a capital caso ocorresse uma explosão, de acordo com documentos vistos pela Reuters e com fontes de segurança de alto nível consultadas, cita o El País.

Pouco mais de duas semanas depois, o químico, que é altamente reativo em contato com outras substâncias, desencadeou uma explosão arrasadora que destruiu a maior parte do porto e afetou várias áreas da capital, matando pelo menos 163 pessoas, ferindo 6 mil e inutilizando outros 6 mil edifícios. Um relatório da Direção-Geral de Segurança do Estado sobre os acontecimentos que levaram à explosão inclui uma referência a uma carta de 20 de julho enviada a alertar para a situação ao presidente do país, Michel Aoun, e ao primeiro-ministro, Hassan Diab, que se demitiu e está apenas em funções até às eleições.

Um alto funcionário afirmou que a carta resumia as conclusões de uma investigação judicial lançada em janeiro que concluiu que os produtos químicos deveriam ser sujeitos a medidas de segurança imediatas. "Havia o perigo de este material, se fosse roubado, poder ser utilizado num ataque terrorista", disse o funcionário à Reuters, que não concordava com o conteúdo específico da carta mencionada no relatório. 

"No final da investigação, o Procurador-Geral [Ghassan] Oweidat preparou um relatório que foi enviado às autoridades", acrescentou. "Avisei-os de que isto poderia destruir Beirute se explodisse", reforçou a fonte, que estava envolvida na redação da carta e prefere não ser identificada. O gabinete do primeiro-ministro e a presidência não responderam.

No entanto, um representante de Diab, cujo governo se demitiu na segunda-feira após a explosão e os protestos massivos da população, declarou que o primeiro-ministro recebeu a carta a 20 de julho e que esta foi enviada ao Conselho Supremo de Defesa para aconselhamento no prazo de 48 horas. "O atual Gabinete recebeu o ficheiro 14 dias antes da explosão e agiu em poucos dias. As administrações anteriores não fizeram nada durante mais de seis anos", afirmou. 

Esta correspondência pode acirrar ainda mais as críticas e a revolta na população, uma vez que a explosão não é apenas mais um caso de incompetência, mas o exemplo mais dramático de negligência governamental que levou ao colapso económico do Líbano, assim como o peso das sanções económicas dos Estados Unidos contra o país.

Aoun confirmou na semana passada que tinha sido informado sobre o material e disse aos repórteres que tinha ordenado ao secretário-geral do Conselho Superior de Defesa, que agrupa as agências militares e de segurança chefiadas pelo presidente, que fizessem "o que fosse necessário".

"[O serviço de segurança do Estado] disse que era perigoso. Eu não sou responsável! Não sei onde foi colocado e não sabia como era perigoso. Não tenho autoridade para lidar diretamente com o porto. Há uma hierarquia e todos aqueles que sabiam deveriam ter assumido os seus deveres para fazer o que era necessário", afirmou Aoun. 

A carta ao presidente e primeiro-ministro do Líbano somou-se a uma série de cartas anteriores enviadas aos tribunais do país durante os seis anos anteriores por funcionários portuários, aduaneiros e de segurança, instando repetidamente os juízes a ordenar a remoção do nitrato de amónio do seu local tão próximo do centro da cidade.

O relatório da Direção-Geral de Segurança do Estado sublinhou precisamente que muitos pedidos tinham sido feitos, sem dar um número exato, e que um departamento portuário enviou vários por escrito à direção da alfândega até 2016, pedindo-lhes que chamassem um juiz para ordenar que o material fosse retirado imediatamente. "Mas até agora, ainda não foi tomada qualquer decisão sobre este assunto. Após consulta com um dos nossos especialistas químicos, foi confirmado que este material é perigoso e é utilizado para produzir explosivos", dizia o documento.

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