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Governo brasileiro assume que "cometeu erros" no combate às queimadas na Amazónia
Mundo 2 min. 30.08.2019 Do nosso arquivo online

Governo brasileiro assume que "cometeu erros" no combate às queimadas na Amazónia

Governo brasileiro assume que "cometeu erros" no combate às queimadas na Amazónia

Foto: AFP
Mundo 2 min. 30.08.2019 Do nosso arquivo online

Governo brasileiro assume que "cometeu erros" no combate às queimadas na Amazónia

O 'mea culpa' surge numa altura em que o Brasil enfrenta múltiplos focos de incêndio de grande dimensão na região da Amazónia.

O vice-Presidente brasileiro, Hamilton Mourão, reconheceu na quinta-feira que o Governo "cometeu erros" no combate às queimadas na Amazónia, já que "todos os anos" a situação se repete.

"Cometemos erros, sim. Todos os anos, nós sabemos que agosto, setembro e outubro são meses de seca e de queimadas. É igual ao 07 de Setembro [feriado do Dia da Independência do Brasil], sabemos que existe todos os anos. Compete às entidades governamentais, em todos os níveis, travar o combate às ilegalidades cometidas neste momento", afirmou Hamilton Mourão num encontro com empresários, citado pelo jornal O Globo.

O vice-Presidente do país atribuiu os incêndios que lavram na Amazónia aos "métodos antiquados" de limpeza de terrenos por parte da população.

"Existe gente que trabalha nesse limite da fronteira entre a selva e o cerrado [ecossistema mais seco e que cobre um quarto do território do Brasil], que ainda opera de acordo com o avô, com o pai, conceitos antigos de uso do solo. Ele corta o mato, espera o mato secar e ateia fogo. É aí tem de entrar a ação do Governo", frisou Hamilton Mourão, segundo o Globo.

"Sabemos também que, dentro da área amazónica, convivem três tipos de elementos que cometem essas irregularidades: o madeireiro, o ‘grileiro’ [pessoa que falsifica documentos para ilegalmente tomar posse de terras devolutas ou de terceiros] e o garimpeiro. (...) Nós temos de dar oportunidade de trabalho para essas pessoas, porque senão elas vão buscar um modo de ganhar a vida", acrescentou Mourão.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, proibiu, através de um decreto publicado na quinta-feira no Diário Oficial da União, a realização de queimadas no país durante 60 dias.

A medida, que já entrou em vigor, surge num momento em que o Brasil enfrenta múltiplos focos de incêndio de grande dimensão na região da Amazónia.

Esta é mais uma medida aprovada pelo executivo de Jair Bolsonaro para combater os incêndios na região na Amazónia, depois de ter aprovado, no dia 23 de agosto e face à pressão internacional, o emprego de militares das Forças Armadas numa operação de “Garantia da Lei e da Ordem”.

O efetivo empregado na Amazónia, entre militares e elementos de brigadas de combate a incêndios, é de 3.912 pessoas, além de 205 viaturas.

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

Lusa


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"Este cancelamento foi justificado em função de notícias, relacionando queimadas na região amazónica ao agronegócio do país. Para uma nação que exporta mais de 80% de sua produção de couros, chegando a gerar 2 mil milhões de dólares [1,8 mil milhões de euros] em vendas ao mercado externo em um único ano, trata-se de uma informação devastadora", escreveu o presidente do CICB.