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Golpe de Estado no Sudão. Exército depõe Omar al-Bashir
Mundo 2 min. 12.04.2019

Golpe de Estado no Sudão. Exército depõe Omar al-Bashir

Golpe de Estado no Sudão. Exército depõe Omar al-Bashir

Foto: AFP
Mundo 2 min. 12.04.2019

Golpe de Estado no Sudão. Exército depõe Omar al-Bashir

Os organizadores dos protestos que levaram à queda de al-Bashir mostraram-se bastante críticos com a tomada do poder por parte do exército que classificaram como um “golpe conduzido pelo regime para continuar no poder”.

Omar al-Bashir já não é presidente do Sudão, anunciou o vice-presidente e ministro da Defesa, Ahmed Awad Ibn Auf. O líder daquele país africano ocupava o poder há 30 anos, foi deposto pelo exército e, de acordo com diversos meios, está detido no palácio presidencial em Cartum.

Kamal Abdel Maaruf, general do exército, afirmou que um conselho militar vai governar o Sudão por um período de transição de dois anos, que fica declarado o estado de emergência durante três meses e que suspende a constituição.

Entre as várias medidas tomadas pelos militares, as fronteiras foram fechadas, o Aeroporto Internacional de Cartum foi encerrado e o espaço aéreo interditado por tempo indefinido.

O dia de ontem começou com o anúncio, por parte dos militares, de uma “importante declaração” que deixou o país na expectativa toda a manhã. Os rumores sobre a demissão de al-Bashir começaram a circular e dezenas de milhares de pessoas lançaram-se às ruas de Cartum.

Quando se anunciou que o presidente sudanês estava sob prisão no palácio, as celebrações subiram de tom e vários soldados assaltaram a sede do Movimento Islâmico, um grupo apoiante de al-Bashir, e procederam à detenção de colaboradores do ex-presidente. Também a Agência Nacional de Inteligência e Segurança (NISS) anunciou a libertação de “todos os presos políticos” do país, com dezenas a abandonar as prisões. Em vários pontos do país, grupos de cidadãos atacaram as sedes da NISS.

Os organizadores dos protestos que levaram à queda de al-Bashir mostraram-se bastante críticos com a tomada do poder por parte do exército que classificaram como um “golpe conduzido pelo regime para continuar no poder”. Num comunicado, a Aliança para a Liberdade e a Mudança, coletivo que reúne partidos da oposição e grupos da sociedade civil, assegurou que “apresentam as mesmas caras” contra as quais se revoltaram e fizeram um apelo a “manter o protesto em frente ao quartel-general das forças armadas” na capital. Querem que o poder seja entregue a um governo civil de transição: “Os que destruíram o país e mataram o nosso povo tentam roubar todas as gotas de sangue e suor derramados pelo povo sudanês na sua revolução”.

Foto: AFP


A origem dos protestos

As revoltas que levaram à queda de Omar al-Bashir começaram em dezembro com a subida do preço do pão. Organizados pela Associação de Profissionais Sudaneses, que nasceu como forma de organização face ao controlo estatal dos sindicatos oficiais, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas em manifestações sem precedentes que custaram a vida a pelo menos 30 pessoas em confrontos com a polícia.

Omar al-Bashir declarou, então, o estado de emergência e destituiu praticamente todo o governo. Como a pressão popular não diminui, libertou milhares de pessoas. O movimento fortalecido com a adesão dos principais partidos da oposição recebeu ainda o impulso da queda de Abdelaziz Bouteflika na Argélia como uma mensagem de que era possível derrubar al-Bashir.


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