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Golpe de Estado lança incerteza na Bolívia
Mundo 3 min. 11.11.2019

Golpe de Estado lança incerteza na Bolívia

Golpe de Estado lança incerteza na Bolívia

Foto: AFP
Mundo 3 min. 11.11.2019

Golpe de Estado lança incerteza na Bolívia

Bruno AMARAL DE CARVALHO
Bruno AMARAL DE CARVALHO
A dois meses de terminar o mandato presidencial, forças armadas obrigaram Evo Morales a renunciar ao cargo.

La Paz acordou uma vez mais fria e húmida mas sem presidente. A capital mais alta do mundo assistiu à deposição durante o dia de ontem de Evo Morales, o primeiro presidente indígena num país governado desde sempre por brancos. As forças armadas bolivianas obrigaram o antigo líder sindical cocalero a demitir-se depois de três semanas de turbulência política e social numa contagem decrescente que começou no dia das eleições presidenciais. 

A violência tomou conta do país quando a oposição, encabeçada por Carlos Mesa, anunciou que não reconhecia a vitória de Evo Morales com 47% dos votos, o que lhe daria, de acordo com a constituição boliviana, a presidência sem a necessidade de uma segunda volta. De imediato, a Organização de Estados Americanos (OEA) denunciou irregularidades no apuramento dos resultados e exigiu uma recontagem independente por parte deste organismo. O governo boliviano aceitou uma nova contagem dos votos sempre e quando fosse feita em conjunto com as autoridades daquele país, o que acabou por não ser aceite pela OEA.

A partir daqui, o país incendiou-se como um rastilho que nunca deixou de existir durante os 14 anos que Evo Morales governou um país fortemente polarizado. Há quatro dias, um grupo de manifestantes opositores capturou a autarca da pequena cidade de Vinto e humilhou-a em público. Patrícia Arce viu como lhe cortavam o cabelo à força e deitaram tinta vermelha da cabeça aos pés. 

As casas de vários membros do governo foram incendiadas nos últimos dias e a esperança para Evo Morales acabou quando Williams Kalliman, chefe das forças armadas, e Yuri Calderón, responsável nacional da polícia, pediram a cabeça do presidente boliviano que até tinha acedido às exigências da oposição e anunciou a renovação dos membros do Tribunal Eleitoral e novas eleições presidenciais. A resposta violenta da oposição e a inação das forças armadas acabou por ditar a demissão de vários ministros e de Evo Morales que numa declaração ao país precisou estar a ser vítima de um golpe.

Na espiral de acontecimentos, o procurador-geral do Ministério Público abriu uma investigação e as autoridades judiciais pediram a prisão de todos os membros do Tribunal Eleitoral que já se tinham demitido. Esta madrugada foram capturados e apresentados como troféus numa demonstração de força que parece antever uma caça às bruxas. 

Apesar de o responsável pela polícia ter assegurado que não há qualquer ordem de detenção de Evo Morales, o líder opositor Luís Camacho anunciou que o ex-presidente está a ser procurado pelas autoridades para ser responsabilizado e o próprio Evo Morales denunciou que a casa da sua família terá sido destruída numa manobra de vingança.

O secretário-geral das Nações Unidas disse que continua “profundamente preocupado com a situação na Bolívia”. António Guterres apontou que está acompanhando os desenvolvimentos recentes ocorridos no país, incluindo a renúncia do presidente Evo Morales. António Guterres fez um apelo para que todos os envolvidos se abstenham da violência, reduzam a tensão e exerçam o máximo de contenção. O chefe da ONU pediu ainda para que todas as partes envolvidas cumpram o direito internacional, principalmente os princípios fundamentais dos direitos humanos. O secretário-geral também fez um apelo para que todos os atores se comprometam a alcançar uma solução pacífica para a crise atual e que garantam eleições transparentes e credíveis. 

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