Escolha as suas informações

Golpe de Estado em Myanmar. Exército prende principais líderes políticos
Mundo 2 min. 01.02.2021

Golpe de Estado em Myanmar. Exército prende principais líderes políticos

Golpe de Estado em Myanmar. Exército prende principais líderes políticos

Foto: AFP
Mundo 2 min. 01.02.2021

Golpe de Estado em Myanmar. Exército prende principais líderes políticos

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Os militares regressam ao poder na ex-Birmânia depois de questionarem o resultado das eleições legislativas de novembro. Aung San Suu Kyi, líder do partido à frente do país, foi detida assim como as principais figuras do Governo.

As forças armadas da Birmânia anunciaram, segunda-feira, que detiveram os principais líderes do país, incluindo a Conselheira de Estado e líder da Liga Nacional para a Democracia (NLD) Aung San Suu Kyi, no poder, e declararam o estado de emergência por um ano.

Num discurso transmitido pela televisão, o exército declarou que o poder está agora nas mãos do comandante em chefe dos Serviços de Defesa, Min Aung Hlaing. O até agora vice-presidente, Myint Swe, foi designado pelos militares como presidente interino da nação. Já em 2018 tinha assumido essa função depois da demissão de então chefe de Estado Htin Kyaw.

Esta operação militar é a consequência de uma escalada política que denunciava as eleições legislativas de 8 de novembro como fraudulentas. Nesse plebiscito, a NLD teve uma vitória esmagadora com 396 lugares de um total de 476. Os novos deputados deveriam reunir-se pela primeira vez na segunda-feira para eleger um novo presidente e vice-presidente para os próximos cinco anos.

Myanmar, também conhecido como Birmânia, foi governada pelas forças armadas até 2011, quando as reformas democráticas lideradas por Aung Sann Suu Kyi puseram fim ao domínio militar. A vencedora do Prémio Nobel da Paz em 1991, foi a líder "de facto" da Birmânia depois de chegar ao poder com uma vitória eleitoral em 2015, após décadas de prisão domiciliária.

"Dada a situação que vemos estar a acontecer agora, temos de assumir que os militares estão a encenar um golpe", afirmou o porta-voz da Liga Nacional para a Democracia, Myo Nyunt, à AFP, enquanto denunciava a prisão de Aung San Suu Kyi, do Presidente Win Myint e outros altos funcionários.

Quem é Aung San Suu Kyi?

Aung San Suu Kyi é a filha do herói da independência do Myanmar, o General Aung San, que foi assassinado pouco antes de Myanmar conquistar a separação do domínio colonial britânico em 1948. A atual líder política tinha apenas dois anos.

Foto: AFP

Entre 1989 e 2010, passou quase 15 anos em prisão. Em 1991, foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz, ainda em prisão domiciliária, e aclamada como "um exemplo notável do poder dos sem poder".

Em novembro de 2015, conduziu a Liga Nacional para a Democracia (NLD) a uma vitória esmagadora nas primeiras eleições de Myanmar, com a participação da oposição, em 25 anos.

A constituição proíbe-a de se tornar presidente porque tem filhos que são cidadãos estrangeiros, mas com 75 anos de idade, é amplamente vista como a líder de facto. Mas, nos últimos anos, a sua liderança tem sido muito questionada pelo tratamento dado à minoria Rohingya, maioritariamente muçulmana, do país.

Em 2017, centenas de milhares de Rohingya fugiram para o vizinho Bangladesh devido à repressão do exército desencadeada por atentados contra esquadras de polícia no estado de Rakhine.

Os antigos apoiantes internacionais de Suu Kyi acusaram-na de não fazer nada para impedir a violação de direitos humanos, os assassinatos e o possível genocídio daquele povo, por se recusar a condenar os militares ou a reconhecer as denúncias de atrocidades.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas