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George Floyd. Dois mortos nos protestos em Chicago
Mundo 5 min. 02.06.2020

George Floyd. Dois mortos nos protestos em Chicago

George Floyd. Dois mortos nos protestos em Chicago

AFP
Mundo 5 min. 02.06.2020

George Floyd. Dois mortos nos protestos em Chicago

Lusa
Lusa
Duas pessoas morreram durante os distúrbios em Cicero, Chicago, enquanto os protestos pela morte do afro-americano George Floyd às mãos da polícia continuam em várias cidades dos Estados Unidos, bem como as pilhagens.

O porta-voz da autarquia de Cicero, Ray Hanania, disse que 60 pessoas foram detidas naquela localidade de cerca de 84 mil habitantes, localizada a oeste de Chicago. Hanania não forneceu informações adicionais sobre os mortos ou em que circunstâncias ocorreram.

A polícia do estado de Illinois e o Gabinete do Xerife do Condado de Cook foram chamados para ajudar as forças de segurança locais na segunda-feira, devido às pilhagens que ali tiveram lugar.

Em Buffalo, Nova Iorque, o condutor de uma viatura investiu sobre um grupo de polícias numa manifestação, ferindo pelo menos dois agentes.

Em Washington, na capital, a polícia voltou a usar gás lacrimogéneo e projéteis para dispersar os manifestantes, enquanto que em Nova Iorque o recolher obrigatório não impediu outra noite de destruição, registando-se detenções na sequência de pilhagens.

Antes de alguns destes casos, a agência de notícias Associated Press indicara que pelo menos 5.600 pessoas tinham já sido detidas nos Estados Unidos desde o início dos protestos contra a morte de George Floyd.

As detenções tiveram lugar sobretudo em cidades em que as manifestações se tornaram mais violentas e num momento em que a polícia e os governadores são instados pelo Presidente, Donald Trump, a endurecer as ações para reprimir os protestos.

Em Minneapolis, onde Floyd morreu, foram efetuadas 155 detenções, 800 em Nova Iorque e mais de 900 em Los Angeles.

A indignação foi sentida um pouco por todo o país. De Nova Iorque a Los Angeles, de Filadélfia a Seattle, centenas de milhares de norte-americanos têm-se manifestado contra a brutalidade policial, o racismo e a desigualdade social.

As manifestações terminaram muitas vezes em confrontos com a polícias, em pilhagens e tumultos, levando várias cidades a mobilizar a Guarda Nacional e a impor o recolher obrigatório.

George Floyd foi assassinado às mãos da polícia norte-americana, devido à pressão feita no seu pescoço, e o afro-americano estava sob o efeito de drogas, concluiu o médico legista responsável pela autópsia.

O afro-americano de 46 anos teve uma "parada cardíaca e pulmonar" por causa da forma como foi imobilizado pela polícia, indicou em comunicado, esta segunda-feira, o médico legista do condado de Hennepin.

No relatório, listou "outros parâmetros importantes: arteriosclerose e pressão alta; envenenamento por fentanil [um opiáceo]; uso recente de anfetaminas".

George Floyd, suspeito pela polícia de falsificar uma nota de 20 dólares (18 euros), morreu quando foi detido em Minneapolis, no norte dos Estados Unidos, há uma semana.

De acordo com imagens que já percorreram o mundo, um agente manteve-o imobilizado no chão, ajoelhado sobre o seu pescoço por quase nove minutos.

O polícia, Derek Chauvin, 44, foi demitido, detido e acusado de homicídio. Os três outros agentes presentes no momento dos eventos também foram despedidos, mas não foram até ao momento sujeitos a qualquer acusação.

De joelhos

Milhares de manifestantes em vários pontos dos Estados Unidos ajoelham-se durante protestos, por vezes acompanhados por polícias, num gesto simbólico desde que George Floyd morreu, deitado no chão, com o joelho de um polícia sobre o pescoço.

Apesar de poder ter sido o motivo da morte do cidadão afro-americano George Floyd em Minneapolis (Minnesota) há uma semana, o movimento de ajoelhar-se tornou-se símbolo de protesto contra o racismo e a violência policial contra cidadãos afro-americanos desde um jogo de futebol americano há quatro anos.

Em 26 de agosto de 2016, o jogador e ativista Colin Kaepernick ficou ajoelhado durante o hino nacional, gesto que foi considerado por alguns setores altamente ofensivo e desadequado para a cerimónia que antecedeu um jogo.

“Não me vou levantar para mostrar orgulho por uma bandeira de um país que oprime negros e pessoas de cor”, disse Kaepernick, que na altura integrava a equipa San Francisco 49ers.

“Para mim, isto é mais do que futebol e seria egoísta da minha parte olhar para o lado”, acrescentou, em declarações à imprensa.

Em protesto contra a brutalidade dos polícias norte-americanos e contra o racismo, o jogador repetiu o movimento durante o hino nacional nos restantes jogos daquela época desportiva, até sair dos 49ers e não ser contratado por nenhuma outra equipa, o que levou a supor que estaria a ser excluído de propósito e que estava a ser forçado a terminar a carreira desportiva.

Nos últimos dias, têm sido milhares os manifestantes que param e ajoelham-se durante os protestos, enquanto gritam nomes de afro-americanos desarmados mortos por polícias ou levantam cartazes com a frase repetida por George Floyd, quase sem voz: “Não consigo respirar”.

Os protestantes chegam a estar nove minutos com um joelho no chão, sabendo que foi exatamente durante oito minutos e 46 segundos que a vítima foi asfixiada.

O gesto de solidariedade também já foi realizado por polícias em todo o país, de Nova Iorque a Los Angeles, imagens que chegaram às primeiras páginas dos jornais norte-americanos.

Em alguns casos, os polícias ajoelhados e com máscaras nos rostos rezam.

Para a colunista Sally Jenkins, do jornal The Washington Post, trata-se de tomar uma posição entre o joelho de protesto na relva e o joelho sobre o pescoço de uma pessoa.

“Os donos da Liga Nacional de Futebol (NFL) escolheram o joelho no pescoço”, acusou a autora.

“[Os donos da NFL] podem racionalizá-lo como prevenção de controvérsias, ou respeito à bandeira, ou apaziguamento do público, estratégia económica ou exigência de negócios. Mas quando ostracizaram coletivamente Colin Kaepernick (…), escolheram o joelho errado. Escolheram o joelho que pressiona, asfixia, engasga e silencia”, escreveu Sally Jenkins.

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