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Francisco Franco: morto mas mal enterrado
Mundo 2 min. 24.10.2019

Francisco Franco: morto mas mal enterrado

Francisco Franco: morto mas mal enterrado

Foto: AFP
Mundo 2 min. 24.10.2019

Francisco Franco: morto mas mal enterrado

Bruno AMARAL DE CARVALHO
Bruno AMARAL DE CARVALHO
Depois de uma batalha judicial entre o governo e os familiares, os restos mortais do ditador que governou Espanha com mão de ferro vão ser finalmente exumados esta quinta-feira para que deixem de ser objeto de peregrinação.

Mandado construir por Francisco Franco e erguido por presos políticos na Serra de Guadarrama, o enorme memorial que alberga mais de 30 mil combatentes da guerra civil espanhola foi objeto durante décadas de intermináveis peregrinações para visitar o mais conhecido dos inquilinos: o próprio ditador. O Vale dos Caídos, onde estava até esta quinta-feira sepultado Franco, recebeu só este ano, até setembro, mais de 266 mil visitas. 

A ditadura franquista deixou uma fratura que todavia paira sobre Espanha. Milhares de pessoas continuam desaparecidas e enterradas em valas comuns e, ao contrário de outros países onde o fascismo foi ostracizado e a sua memória tratada de forma crítica, as grandes figuras da ditadura espanhola continuam a dar nome a ruas. Foi neste cenário que o ditador Francisco Franco resistiu até hoje no lugar onde foi enterrado com honras de Estado em 1975.

A exumação que se realiza esta quinta-feira põe fim a 44 anos de exaltação do ditador e termina um processo que o ex-chefe do governo, Rodríguez Zapatero, iniciou em 2011 mas que teve a resistência da família e da Fundação Franco. Ainda tentaram a trasladação para o cemitério de Almudena, no centro de Madrid, mas sem sucesso.

Depois de tomar conhecimento da recusa da família do ditador, em agosto de 2018, o governo espanhol aprovou um decreto que procurava dar cobertura legal à transferência dos restos mortais dando passo a uma batalha judicial, travada pela família e pela Fundação Franco, que durou praticamente até ao último minuto.

O Tribunal Supremo chegou mesmo a  paralisar a exumação, inicialmente agendada pelo governo para 10 de junho deste ano. Só a 24 de Setembro é que a Justiça rejeitou os recursos dos familiares de Franco com os magistrados a abrir caminho à exumação e a negar a transferência dos seus restos para Almudena. Os restos mortais de Franco vão passar a morar num jazigo familiar no cemitério de Mingorrubio, onde se encontra a sua mulher, Carmen Polo.

O processo de exumação estava previsto para as 10h30 desta quinta-feira e estimava-se que pudesse durar até três horas. Só dois familiares vão poder assistir aos trabalhos onde também vai estar a ministra da Justiça, Dolores Delgado, um médico legista e vários operários responsáveis pela retirada dos restos mortais. No local estão já vários familiares de Franco com a bandeira espanhola do regime fascista.

Quando chegar a Mingorrubio, as ossadas de Franco vão ser depositadas no jazigo familiar com uma cerimónia religiosa conduzida pelo sacerdote Ramón Tejero, filho do ex-tenente-coronel Antonio Tejero Molina, que liderou a tentativa de golpe militar em 1981 que sequestrou os deputados no parlamento espanhol.

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