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Francês sobrevive a 16 horas debaixo de veleiro virado
Mundo 3 min. 05.08.2022
Naufrágio

Francês sobrevive a 16 horas debaixo de veleiro virado

Um mergulhador aproximar-se do veleiro Jeanne Solo Sailor, de Laurent Camprubi
Naufrágio

Francês sobrevive a 16 horas debaixo de veleiro virado

Um mergulhador aproximar-se do veleiro Jeanne Solo Sailor, de Laurent Camprubi
Foto: Salvamento Maritimo/AFP
Mundo 3 min. 05.08.2022
Naufrágio

Francês sobrevive a 16 horas debaixo de veleiro virado

AFP
AFP
Laurent Camprubi foi resgatado ao largo da costa do norte de Espanha. "Um salvamento no limite do impossível", dizem as autoridades.

Depois de passar uma noite no mar, preso sob o seu barco virado, Laurent Camprubi foi resgatado ao largo da costa do norte de Espanha após ter estado 16 horas sob o casco do seu veleiro, numa bolsa de ar de 30 centímetros.

"Um salvamento no limite do impossível", descreveu no Facebook o Salvamento Maritimo, o serviço espanhol de socorro marítimo. O barco do navegador francês virou no Atlântico a meio da regata de qualificação para a Route du Rhum 2022.

O homem, 62 anos e natural de Marselha, é um veterano das grandes regatas, e estava a 22km do pequeno arquipélago das Sisargas, ao largo da Galiza, quando acionou o sinal de emergência às 20h30 de segunda-feira.

Mergulhadores durante o salvamento de Laurent Camprubi
Mergulhadores durante o salvamento de Laurent Camprubi
Foto: Salvamento Maritimo/AFP

"O mar estava agitado, com um vento de cerca de 30 nós, mas o barco estava a ir bem. Eu estava a descansar na cabine quando bati violentamente na água: o barco começou a saltar e percebi que tinha perdido a quilha", contou à AFP.

"Em poucos segundos, dei por mim de cabeça para baixo. O barco começou a afundar-se e a água a entrar. Disse a mim mesmo: 'isto não é bom'", continuou o marinheiro, que se colocou "num canto, agachado", enquanto esperava por ajuda. "Não tive tempo a perder porque o espaço disponível estava a ficar cada vez mais pequeno", recordou.

Barco estava "tombado" entre ondas altas

Mobilizados a bordo de um navio, apoiado por três helicópteros, os serviços de socorro espanhóis conseguiram localizar o veleiro cerca de duas horas após o acidente: estava "tombado" na escuridão, arremessado por ondas altas, explicou o Salvamento Maritimo.

Um dos socorristas foi largado no barco com a ajuda de um helicóptero e bateu no casco do barco. Ouviu "batidas de volta" que o fizeram perceber que "havia uma pessoa presa lá dentro", disse o serviço de salvamento marítimo, que assegura que a emoção então "disparou".

Naquele momento, o mar estava agitado. O acesso à cabine era quase impossível. Os socorristas decidiram, portanto, instalar boias de reflutuação para evitar que o barco se afundasse. O trabalho foi "frenético" para segurar o navio, disse o capitão do navio de salvamento, Rodrigo Piñeiro.

Às primeiras horas da manhã, mergulhadores com lanternas finalmente conseguiram passar por baixo do casco, onde avistaram uma bota vermelha. "A reação imediata foi tocar-lhe e o pé retirou-se instantaneamente", explicam os socorristas, que depois seguraram um poste que Laurent Camprubi agarrou imediatamente.

Para Camprubi, foi um alívio. "Eu sabia que eles estavam lá, mas tive de aguentar", confidenciou o marinheiro, que depois se atirou à água: "Respirei fundo e saí debaixo de água: era preciso fazer dois metros para passar debaixo da porta, depois quatro para sair da cabine."

O navegador francês Laurent Camprubi (direita) e o chefe do Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo de Finisterre (esquerda), Manuel Capeans junto ao veleiro Jeanne Solo Sailor
O navegador francês Laurent Camprubi (direita) e o chefe do Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo de Finisterre (esquerda), Manuel Capeans junto ao veleiro Jeanne Solo Sailor
Foto: Salvamento Maritimo/AFP

Em estado de choque, mas sem ferimentos

Era meio-dia e Laurent Camprubi tinha acabado de passar quase 16 horas "com apenas 30 centímetros de ar", de acordo com os socorristas espanhóis. Em estado de choque, mas sem ferimentos, o navegador foi evacuado de helicóptero para um hospital em La Coruña, na Galiza.

Lá, "passei por uma série de testes: estava com 34,5 graus e muito desidratado, mas agora estou melhor", confiou o francês, que permaneceu em La Coruña para supervisionar a reflutuação do seu barco, mas que se prepara para regressar a França para ver a esposa e filhos.

"Vou colocar o meu projeto da Route du Rhum em pausa (...) Vou continuar a navegar" mas "tive medo pelos meus entes queridos e não quero que isto se repita", disse o marinheiro, que tem várias vitórias em regatas, nomeadamente no Rolex Giraglia, no Mediterrâneo.

Numa declaração, os serviços de emergência espanhóis elogiaram a coragem do marinheiro e o seu "conhecimento", "que lhe permitiu esperar calmamente" por ajuda para chegar. "Cada vida salva é a nossa maior recompensa", escreveram no Twitter.

O marinheiro de Marselha prestou homenagem aos mergulhadores que o salvaram. "Estes são momentos que nunca esquecerei", disse ele.

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