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França já debate vacinação obrigatória
Mundo 2 min. 12.11.2020

França já debate vacinação obrigatória

França já debate vacinação obrigatória

Mundo 2 min. 12.11.2020

França já debate vacinação obrigatória

Dividida a classe política francesa começou a antecipar o fim da pandemia depois da divulgação dos testes que dão 90% de eficácia à vacina da Pfizer/BioNtech. Num apelo à transparência, a Autoridade para a Saúde responde que a decisão só pode ser tomada depois de se "tornarem públicos os dados científicos disponíveis sobre a eficácia e segurança das vacinas".

Ainda em fase de testes, a vacina produzida pelos norte-americanos da Pfizer em conjunto com os alemães dos laboratórios BioNtech continua a marcar o debate mundial, especialmente de ter sido divulgada a sua eficácia de 90% na eliminação do novo coronavírus. Em França a discussão faz-se em torno da vacinação obrigatória, embora as Autoridades para a Saúde recomendem cautela. Num apelo à transparência, avisam que a decisão só pode ser tomada depois de se "tornarem públicos os dados científicos disponíveis sobre a eficácia e segurança das vacinas", seja a da Pfizer, a de Oxford ou a primeira da Rússia que também viu comprovada a sua eficácia de 92% nos relatórios preliminares. 

Na política, o eurodeputado dos Verdes, Yannick Jadot, que não esconde as suas pretensões presidenciais, é um dos maiores defensores da vacinação obrigatória, muito embora haja dissonâncias dentro do partido , como recorda o Le Monde. Nas redes sociais, aberta a quem quiser ler, a opinião da colega de bancada, Michèle Rivasi, alinha com as autoridades de saúde. "É irresponsável falar de vacinação obrigatória sobre uma vacina cuja eficácia e segurança é desconhecida", escreve no Twitter.

"Os números apresentados dizem respeito a 94 voluntários. Por enquanto é apenas um bom golpe comercial e financeiro para este laboratório!", continua a eurodeputada. 

Mais cauteloso, o líder dos deputados do Les Républicains, Damien Abad, levantou o assunto numa conferência de imprensa na Assembleia. A favor de "uma campanha de vacinação maciça", se a vacina for "altamente fiável", fez questão de deixar claro que "isto não significa uma vacina obrigatória para cada pessoa francesa, mas sim uma vacina de distribuição maciça que é certamente obrigatória para um certo número de grupos "frágeis", "vulneráveis". 

Praticamente em peso, os socialistas defendem uma campanha de vacinação em massa, deixando em aberto a questão da obrigatoriedade. Por seu lado, o France Insoumise apela a uma vacina "universal e gratuita", mas sem qualquer dimensão obrigatória. O pior é convencer os franceses. 

Sem se comprometer com o amanhã, o governo de Jean Castex diz que "é demasiado cedo para dizer em que condições vamos implantar uma vacina". Debruçado sobre a situação caótica que se vive nos hospitais franceses, o porta-voz Gabriel Attal, atira discussão para depois já que, acrescenta,"a vacina não será uma solução para a segunda vaga que estamos a viver". 

43% dos franceses rejeitam 

À frente dos Estados Unidos, praticamente metade dos gauleses recusam ser vacinados contra a covid-19. No último inquérito "Fractures françaises" publicado pelo Le Monde em setembro 43% das pessoas inquiridas opuseram-se à ideia. 

"O problema é que, para além da confiança política, que está em queda livre há vários anos, a confiança no mundo científico desceu desde o início da crise sanitária", diagnostica o professor associado de ciências sociais que realizou um próximo estudo sobre a adesão a uma futura vacina, Antoine Bristielle. 


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