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França: Galo vai a tribunal por incomodar vizinhos
Mundo 2 min. 05.07.2019 Do nosso arquivo online

França: Galo vai a tribunal por incomodar vizinhos

França: Galo vai a tribunal por incomodar vizinhos

AFP
Mundo 2 min. 05.07.2019 Do nosso arquivo online

França: Galo vai a tribunal por incomodar vizinhos

À porta do Tribunal de Rochefort estavam vários galos que foram levados pelos seus donos para apoiar Corinne Fesseau nesta luta para salvar o canto livre de Maurice.

Maurice é por estes dias o galo mais famoso de França. Porque ele é acusado pelos seus vizinhos, um casal de idosos da aldeia de Saint-Pierre, na ilha de Oléron, onde mora, de os acordar muito cedo com o barulho do seu canto.

A guerra por causa das cantorias do madrugador Maurice foi tal, entre os seus donos e os vizinhos, que estes últimos acabaram mesmo por levar o caso a tribunal, acusando a ave de “poluição sonora”. A audiência decorreu esta manhã no Tribunal de Rochefort, Charante-Maritime, onde o juiz ouviu ambas as partes e decidiu só dar o veredicto a cinco de setembro.

Maurice, o galo não esteve presente. Foi a sua dona, Corinne Fessau. Mas à porta do tribunal estavam vários galos, fãs seus, levados pelos seus donos que se aliaram a Corinne Fesseau, nesta luta. Eles e mais 126 mil franceses que já subscreveram uma petição online para “Salvar Maurice, o galo da ilha de Oléron”, que a proprietária da famosa ave de quatro anos decidiu criar.  Tanto mais que como vinca esta francesa na petição, os seus vizinhos, o casal queixoso só vai à aldeia, “duas a três vezes por ano”, uma delas nas férias de verão, residindo habitualmente na cidade.

“Este processo não é um caso da cidade contra o campo.[…] O galo, o cachorro, a música, é sobre o registro do barulho”, afirmou Vincent Huberdeau, o advogado dos queixosos, que não compareceram em tribunal. Citado pelo jornal Le Parisien, este representante referiu que os seus clientes entendem a vida do campo e os seus ruídos, mas querem ter o direito de dormir entre as 6h30 da manhã e as 8h30, e o galo Maurice não os deixa.

Por seu turno, Julien Papineau, o advogado da dona de Maurice, ironizou: “Podemos mudar o galinheiro, mas para isso temos que trocar com o armário onde Jacky, o marido de Corinne, guarda as coisas da pesca". e de seguida questinou: "Será que os seus clientes conseguem suportar o odor?” No final, este advogado referiu: “Os galinheiros existem desde sempre ali na aldeia e entre 40 vizinhos só a dois é que o galo incomoda”.

 “O campo tem direito aos seus barulhos. Os galos não começam a cantar às 4h30 da manhã e continuam por tempo indefinido”, declarou Corinne Fessau perante o juiz. O casal alega também que Maurice começa, muitas vezes, a cantoria precisamente às 4h da madrugada, mas a sua dona desmente.

Aliás, na petição, a proprietária do animal conta que, quando os vizinhos lá estão, já coloca Maurice num local às escuras, durante a noite, para não conseguir perceber o amanhecer e começar a cantar. E que “envolve com cartão grosso o local para diminuir o som do canto do galo”. Mesmo assim, os “vizinhos continuam a queixar-se”.

Os queixosos, deste caso que anda em discussão desde 2017 pedem uma indemnização de 1000 euros e o pagamento de uma multa de 150 euros por cada dia que Maurice não respeite o silêncio da noite e decida cantar.

Agora, só em setembro se saberá se Maurice terá de fechar o bico ou poderá a dar largas à sua veia artística. 


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