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França. Corrosão parece afetar sobretudo reatores nucleares mais antigos
Mundo 3 min. 17.05.2022
Energia nuclear

França. Corrosão parece afetar sobretudo reatores nucleares mais antigos

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França. Corrosão parece afetar sobretudo reatores nucleares mais antigos

Foto: Chris Karaba
Mundo 3 min. 17.05.2022
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França. Corrosão parece afetar sobretudo reatores nucleares mais antigos

AFP
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O mistério em torno dos problemas de corrosão em alguns dos reatores nucleares franceses pode estar ligado à conceção dos reatores mais recentes e assim poupar os mais antigos, em maior número, de acordo com a reguladora do sector, que se mantém cautelosa nesta fase.

O presidente da Autoridade de Segurança Nuclear (ASN), Bernard Doroszczuk, foi ouvido de novo numa audiência perante os parlamentares sobre este dossiê crucial, que pesou nas finanças da Électricité de France (EDF) e suscita alguns receios quanto à segurança do abastecimento elétrico do país.  

"Nesta fase, sob o título de corrosão por pressão, a EDF procedeu ao encerramento ou prolongamento das interrupções programadas de 12 reatores para avaliação em profundidade e, se necessário, reparação", sublinhou.


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EDF encontra sinais de corrosão em Cattenom
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Corrosão pode dever-se a "geometria das tubagens"

Os problemas de corrosão foram detetados ou estão sob suspeita ao nível das soldaduras dos tubos de injeção de segurança (RIS) — que permitem o arrefecimento do reator em caso de acidente — ligados ao circuito primário. Esta chamada "corrosão por pressão" traduz-se em pequenas fissuras.

Concretamente, tratam-se dos quatro reatores mais recentes e mais potentes (1.450 MW) da rede, conhecidos como a fase N4, cinco dos 20 reatores de 1.300 MW e três dos 32 900 MW.

"Nesta fase, os reatores N4, de Civaux e Chooz, são os mais afetados, mais até do que os de 1.300 MW. E tendo em conta os resultados das avaliações de peritos realizadas em vários reatores de 900 MW, parece que esses são pouco ou nada afetados pelo fenómeno para já", indicou Doroszczuk.

As análises "parecem, nesta altura, favorecer uma causa predominante, que está ligada à geometria das tubagens", prosseguiu. Os reatores mais antigos (900 MW) foram de facto construídos de acordo com uma conceção herdada diretamente do grupo americano Westinghouse, ao passo que os modelos subsequentes se desviam do modelo inicial.

"Se esta hipótese for confirmada, poderia explicar porque é que os reatores mais antigos não são ou são apenas ligeiramente afetados", argumentou.

EDF apresentou estratégia de fiscalização

O responsável revelou também que a EDF apresentou "na sexta-feira passada" a sua estratégia de fiscalização para toda a frota nuclear. Serão realizadas inspeções durante as visitas decenais planeadas para certos reatores este ano.

A EDF avaliou, ainda, 35 soldaduras que foram cortadas e pretende avaliar mais de 105 soldaduras adicionais até ao final de junho, o que lhe permitirá saber mais sobre a situação.


No cinturão nuclear que rodeia o Luxemburgo
A Ucrânia está a reavivar um debate antigo na Europa. A oito quilómetros da fronteira com o Luxemburgo fica uma das maiores centrais nucleares francesas. De Cattenom, percebe-se o dilema de um continente inteiro.

A empresa estatal tem atualmente 29 dos seus 56 equipamentos encerrados. Assim, é apenas uma parte, embora certamente significativa, que não está disponível devido aos problemas de corrosão.

Mas este problema inesperado pode teoricamente conduzir ao cenário de pesadelo de uma falha dita "genérica", ou seja, relativa a toda a frota francesa, ameaçando a segurança de abastecimento do país.

Os reatores de 900 MW estão agora a salvo de uma paragem no próximo inverno devido a estas avarias? "Resta esperar para ver", responde o presidente da ASN, explicando que "de momento há sinais positivos mas ainda há uma amostra muito pequena de investigações sobre os reatores de 900 MW". "Não podemos garantir que novos fenómenos não serão descobertos", admitiu.

"Se os resultados das inspeções realizadas durante a visita decenal revelassem defeitos graves, a estratégia teria de ser ajustada e talvez tivessem de ser encerrados outros reatores por precaução".

Um dos reatores de 900 MW, o Chinon B3, foi cortado e o temido fenómeno de corrosão não foi detetado no circuito RIS. Por outro lado, havia uma "indicação" noutro circuito menos crucial, o circuito de arrefecimento do encerramento.

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