Escolha as suas informações

Flandres quer homenagear colaboradores do Terceiro Reich
Mundo 2 min. 21.01.2021

Flandres quer homenagear colaboradores do Terceiro Reich

Flandres quer homenagear colaboradores do Terceiro Reich

Photo: AFP/Frederick Florin
Mundo 2 min. 21.01.2021

Flandres quer homenagear colaboradores do Terceiro Reich

A iniciativa do parlamento flamengo está gerar polémica no país vizinho com as organizações judaicas da Bélgica a falar em "masoquismo".

Rendida ao nacionalismo, a Flandres das políticas de direita da Nova Aliança (NV-A) e dos radicais do Vlaams Belang pretende homenagear dois colaboradores de Adolf Hitler, apesar do coro de protestos liderado pelo Comité Coordenador das Organizações Judaicas da Bélgica.

A proposta da polémica chega do próprio Parlamento Regional Flamengo. De viva voz, a presidente, Liesbeth Homans, do NV-A, explica que o ato simbólico se justifica pelo facto de ambos "terem contribuído para a emancipação do povo flamengo e da sua língua". Condenada pelas organizações antifascistas da Bélgica, a iniciativa entra, no entanto, em ruptura com a linha que o partido da líder do orgão de decisão flamengo. 

Estávamos em 2015 quando, o Presidente da Nova Aliança decidiu fechar o capítulo da celebração da colaboração da Flandres com o Terceiro Reich. "Esta é uma página negra da história que o nacionalismo flamengo deve ser capaz de ver e que nunca deve ser esquecida. Na história de cada indivíduo há preto e branco, e acima de tudo muito cinzento. Mas o nazismo e a Shoah foram erros criminosos. Ninguém pode negar isso, nem sequer precisa de nuances", disse, na altura, Bart De Wever.

Da Flandres para o resto do país, a polémica também se faz sentir dentro de casa. Do lado de fora, o líder do Comité Coordenador das Organizações Judaicas  acredita que "não se pode combater eficazmente o discurso do ódio quando se celebra um legado vergonhoso. Esta mensagem dupla é totalmente nociva".

Yohan Benizri diz que é urgente "esclarecer o papel dos colaboradores e cúmplices do regime nazi" e que "seria sensato para a Flandres sensibilizar as gerações mais jovens para questões de responsabilidade cívica em vez de glorificar os antigos colaboradores nazis". Acrescenta que "esta terrível história está cheia de lições, que ressoam ainda mais hoje, à medida que vivemos tempos difíceis e que muitos cidadãos procuram respostas simples e bodes expiatórios para a crise de saúde".  

Amigos do amigo 

No artigo que dedica à polémica, a edição francesa do Wort escreve que "a passagem do tempo alimenta a amnésia. Líder do partido antidemocrático VNV, que aspirava retirar a Flandres do mapa do país com uma anexação aos Países Baixos, o assumidamente nazi Staf De Clercq morreu de cancro em 1942. Por sua vez, August Borms morreria quatro anos depois, em 1946. 

Condenado pela primeira vez à morte em 1919 pela sua já ávida colaboração com o "inimigo alemão" durante a Grande Guerra - tendo mais tarde a pena sido convertida em prisão perpétua - esta espécie de musa do nacionalismo flamengo chegou, já em liberdade, a servir o exército nazi, depois da invasão da Bélgica em 1940, que culminou na evacuação de mais de 300 mil homens das praias de Dunkirk. 

Nesse mesmo mês de maio, as tropas alemãs assentaram arraiais no Luxemburgo e nos Países Baixos, numa das ofensivas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial. Chegariam a Paris no mês seguinte, a 14 de junho. 


Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.