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Explosão de festa no Chile. Constituição do tempo da ditadura vai fazer parte do passado
Mundo 2 min. 26.10.2020

Explosão de festa no Chile. Constituição do tempo da ditadura vai fazer parte do passado

Explosão de festa no Chile. Constituição do tempo da ditadura vai fazer parte do passado

Foto: AFP
Mundo 2 min. 26.10.2020

Explosão de festa no Chile. Constituição do tempo da ditadura vai fazer parte do passado

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Os resultados do referendo mostram que 78,27% dos eleitores votaram a favor de uma nova constituição.

Uma autêntica maré humana colapsou a Plaza Italia, em Santiago do Chile, para celebrar a vitória do 'sim' no referendo que se realizou no domingo naquele país. Provavelmente muitos dos jovens que iniciaram os protestos há um ano vão estar de ressaca quando acordarem nesta manhã de primavera austral. Foram eles que espoletaram as multitudinárias manifestações quando se indignaram com o aumento do preço dos transportes e queimaram dezenas de estações de metro e autocarros.

Este referendo foi resultado de um ano de revolta popular contra o Governo de Sebastián Piñera. O descontentamento de grande parte da população com as desigualdades sociais, a falta de acesso a serviços básicos e o endividamento das famílias marcou uma mobilização histórica que foi objeto de grande repressão policial.

Durante os protestos, foram registadas mais de 30 mortes, bem como milhares de detenções, violações de mulheres e ferimentos graves devido às ações dos temidos carabineros, forças policiais enviadas por Sebastián Piñera que declarou o estado de emergência e considerou o conflito social uma "guerra". A Procuradoria-Geral está a investigar mais de 5.558 queixas de alegadas vítimas de violência institucional.

A explosão social forçou o Governo de Sebastián Piñera a aceitar convocar um referendo para decidir se fazer uma nova constituição ou se manter a que existe desde a ditadura militar de Augusto Pinochet. A esmagadora maioria dos chilenos aprovou a elaboração de uma carta magna. Com base na contagem dos votos, de acordo com as autoridades eleitorais, em 99,83% das mesas de voto, a 'aprovação' obteve 78,27% e a 'rejeição' 21,73%.

Para além desta pergunta, 14,8 milhões de chilenos foram também chamados a definir se, em caso de 'aprovação', a nova constituição devia ser redigida por uma assembleia constituinte composta por 155 cidadãos, ou por uma assembleia composta por 86 deputados do parlamento e 86 cidadãos eleitos especialmente para este novo órgão.

De acordo com os primeiros resultados, 79,05% apoiaram uma assembleia constituinte, para a qual os seus membros vão eleitos pelo voto popular a 11 de abril do próximo ano. Este novo corpo deverá ter paridade entre homens e mulheres e quotas especiais para os povos indígenas.

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