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Europa quer a paz mas está preparada se houver invasão da Ucrânia
Mundo 5 min. 16.02.2022
Von der Leyen

Europa quer a paz mas está preparada se houver invasão da Ucrânia

Von der Leyen

Europa quer a paz mas está preparada se houver invasão da Ucrânia

Foto: AFP
Mundo 5 min. 16.02.2022
Von der Leyen

Europa quer a paz mas está preparada se houver invasão da Ucrânia

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A presidente da Comissão Europeia pediu ao Kremlin para escolher não repetir as tragédias do século XX e procurar um futuro de cooperação. Biden disse esta quarta-feira na Casa Branca que um ataque ainda é "altamente possível".

Na sessão plenária desta manhã do Parlamento Europeu reunido em Estrasburgo, em que se debateu as relações com a Rússia e a ameaça militar à Ucrânia, Ursula von der Leyen fez um discurso onde comparou os dias atuais com os anos 40 do século XX e lembrou que o "motivo pelo qual a União Europeia foi criada foi para pôr fim a todas as guerras". Por isso, disse aos eurodeputados, "é particularmente penoso, dirigir-me hoje a vocês, enquanto enfrentamos a maior concentração de tropas em terreno europeu desde os dias negros da Guerra Fria".

Como em 1940: Ucranianos com mochilas de emergência à porta

"O povo da Ucrânia está corajosamente a tentar seguir com as suas vidas. Mas muitos têm mochilas de emergência à porta de casa, com vestuário básico e documentos importantes no caso de terem de fugir. Outros estão a armazenar comida enlatada. Outros criaram abrigos nas caves. Isto não são histórias de 1940. Isto é a Europa em 2022. E está a acontecer por causa da política deliberada da liderança russa. A Ucrânia é um país soberano. Tem direito a fazer escolhas sobre o seu futuro. Mas o Kremlin não gosta e ameaça com guerra. Isto é a essência da atual escalada. E apesar dos sinais de esperança que vimos ontem, isto é algo que simplesmente não podemos aceitar", afirmou Leyen.

Esta terça-feira, já o chanceler alemão Olaf Scholz e o próprio presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, tinham sublinhado que a questão da adesão da Ucrânia à NATO é um falso pretexto de Putin para a invadir. "Não está na nossa agenda para o futuro imediato", disse Zelenskiy, numa conferência de imprensa conjunta após a visita do chanceler alemão a Kiev. Também esta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia recordou no plenário em Estrasburgo, que "há já sete anos que a Ucrânia sofre com as constantes agressões do Kremlin".


O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.
NATO diz que Rússia continua a reforçar presença militar nas fronteiras com Ucrânia
O secretário-geral da NATO afirma que “nesta fase” não há sinais de desescalada, apesar das declarações de Moscovo.

E repetiu mais uma vez que a UE "vai estar firmemente com a Ucrânia" e que a ideia de "esferas de influência" - algo que o próprio Putin tem dito de que não abdica, para manter as antigas repúblicas soviéticas sob ameaça constante de invasão – já não é aceitável: "São fantasmas do século passado".

36 cartas da Rússia e duas em resposta

Von der Leyen contou igualmente as táticas do Kremlin para dividir os países da Aliança Atlântica. Segundo ela, no início de fevereiro, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov – uma figura particularmente odiada em Bruxelas - escreveu 36 cartas para cada um dos Estados-membros da União Europeia e aliados da NATO, com uma série de exigências. "Recebeu duas cartas de resposta: uma de Josep Borrell por parte da União Europeia, e outra de Jens Stoltenberg, por parte da NATO", contou von der Leyen. 

Segundo a presidente da União Europeia esta troca de correspondência mostra bem como a Aliança Atlântica está unida e como "mais uma vez o governo russo tentou dividir-nos". Para von der Leyen, o pedido à Rússia é claro como água: "Não escolham a guerra. Um caminho para a cooperação com a Rússia ainda é possível". Mas, von der Leyen, alertou que é preciso estar atento ao facto de a Rússia dizer uma coisa e fazer outra. Apesar das notícias de ontem, a NATO não registou nenhuma redução de tropas. Se a Rússia enveredar pela agressão à Ucrânia, disse von der Leyen,"já está preparado um exaustivo pacote de sanções económicas à Rússia, em coordenação com os EUA, Canadá e Reino Unido", sanções essas que farão um "um grande estrago e o Kremlin sabe disso".


Putin dá passo atrás. Paris aplaude, mas Berlim e Londres estão mais cautelosos
Presidente russo indicou que está disposto a iniciar conversações sobre a limitação da instalação de mísseis de médio alcance na Europa, transparência de manobras militares e outras medidas, mas insiste que Ocidente tem de atender às principais exigências de Moscovo.

No entanto, salientou num sinal de esperança que "a diplomacia ainda não deu a última palavra" e continuam as conversas entre os líderes europeus e Vladimir Putin. "Estou constantemente em contacto" com os líderes que visitam Moscovo - disse aos eurodeputados - "bem como com o presidente Biden, o chanceler Scholz, o primeiro-ministro Trudeau e o primeiro-ministro inglês Boris Johnson". Segundo, von der Leyen, "a Aliança Transatlântica há muito tempo que não estava tão unida".

Leyen: Europa está preparada para o que vier

Von der Leyen salientou que "esta foi uma crise criada por Moscovo. Não escolhemos o confronto mas estamos preparados para ele". Estamos numa encruzilhada, segundo von der Leyen, onde "o Kremlin escolhe fazer guerra à Ucrânia com graves custos de vidas humanas – algo que pensávamos ter deixado para trás após as tragédias do século XX. E também com custos graves para as perspetivas de a Rússia modernizar a sua economia". O outro futuro possível , é "aquele em que a Rússia e a Europa colaboram nos seus interesses comuns. Um futuro em que países livres trabalham juntos". Von der Leyen salientou que este é também o desejo do povo russo, "mas cabe agora ao Kremlin decidir", mas a "Europa não vacilará nos seus valores".


Uma das sanções previstas pela UE é o fecho do gasoduto Nord Stream 2.
Japão vai fornecer gás natural à Europa
Em caso de invasão da Rússia à Ucrânia, o gasoduto Nord Stream 2 não funcionará, confirmou esta terça-feira o representante da diplomacia da UE. Encontrar novos fornecedores é agora uma necessidade básica.

Europa já tem gás suficiente para não precisar da Rússia

Se a Rússia decidir fazer da exportação de gás uma arma contra a Europa- uma ameaça que paira há meses - Ursula von der Leyen disse que, neste momento, os países da UE já estão fora de perigo. Uma série de países já garantiram estar preparados para fornecer gás natural à Europa, que serão suficientes para aguentar as necessidades de eletricidade para o inverno. Por causa da crise, a EU "já reforçou os seus gasodutos pan-europeus e as interligações elétricas". A parte boa, desta reconversão, afirmou von der Leyen, é que estes novos terminais e gasodutos serão "a espinha dorsal para o fornecimento de hidrogénio verde por toda a Europa", acelerando assim a independência dos combustíveis fósseis.

Joe Biden diz que "uma invasão continua altamente possível"

O presidente dos Estados Unidos proferiu igualmente esta quarta-feira um discurso à nação a partir da Casa Branca, no qual disse que ainda não foi verificado "que as tropas russas estão a regressar às suas bases na Rússia". "Pelo contrário, o que temos visto é que continuam numa posição muito ameaçadora. E o facto é que a Rússia tem neste momento mais de 150 mil tropas na Ucrânia Bielorrússia e ao longo da fronteira com a Ucrânia". Segundo Joe Biden "uma invasão continua altamente possível".

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