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"Europa está a bater o recorde da vergonha com migrantes"
Mundo 3 min. 05.01.2019

"Europa está a bater o recorde da vergonha com migrantes"

"Europa está a bater o recorde da vergonha com migrantes"

Foto: AFP
Mundo 3 min. 05.01.2019

"Europa está a bater o recorde da vergonha com migrantes"

"Já faz 14 dias que eles [migrantes] estão abandonados no mar. Um novo recorde de vergonha", escreveu na rede social ‘Twitter’ um conjunto de associações humanitárias e de defesa dos direitos humanos.

Várias organizações não-governamentais acusaram hoje a Europa de estar prestes a bater o "recorde de vergonha" ao recusar receber cerca de 30 migrantes desde que foram resgatados no Mar Mediterrâneo há duas semanas.

"Já faz 14 dias que eles [migrantes] estão abandonados no mar. Um novo recorde de vergonha", escreveu na rede social ‘Twitter’ um conjunto de associações humanitárias e de defesa dos direitos humanos.

Três crianças, de um, seis e sete anos, "vomitaram continuamente e correm risco de hipotermia e desidratação", disse Alessandro Metz, um dos líderes do grupo.

Estas pessoas estão "a dormir no chão", disse Philipp Hann, chefe da missão Sea-Watch 3, à radio italiana 24, acrescentando que têm "enormes problemas de higiene" e que a "situação está a ficar cada vez mais difícil do ponto de vista psicológico".

Uma nova tripulação e alimentos chegaram hoje a bordo do Sea-Watch 3, onde, além das três crianças, estão três adolescentes desacompanhados e quatro mulheres da Nigéria, Líbia e Costa do Marfim.

Na quarta-feira, a Organização Internacional das Migrações (OIM) pediu uma solução “urgente” para as dezenas de migrantes resgatados nos últimos dias por navios humanitários no Mediterrâneo e que continuam em alto mar à espera de um porto para desembarcar.

A organização não-governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF) também se juntou ao apelo da OIM, que lembra os 49 migrantes que foram resgatados no Mediterrâneo por navios de duas ONG alemãs nos últimos dias de dezembro e que estão bloqueados no mar há 12 dias.

Um dos casos é o navio “Sea Watch 3”, da ONG alemã com o mesmo nome, que resgatou no passado dia 22 de dezembro na rota do Mediterrâneo Central (da Líbia para Itália) um grupo de 32 migrantes.

O outro caso é o navio "Professor Albrecht Penck", da organização humanitária Sea-Eye, que resgatou outros 17 migrantes no passado dia 29 de dezembro.

“É urgente e necessário que os Estados europeus demonstrem sentido de responsabilidade e de solidariedade para com os imigrantes e para com os refugiados e que ofereçam o quanto antes um porto seguro às 49 pessoas em questão”, assinalou a OIM, organização liderada desde outubro passado pelo português António Vitorino, num comunicado.

"É inaceitável deixar tanto tempo no mar, sem uma assistência adequada, homens, mulheres e crianças que arriscaram as suas vidas a bordo de embarcações em mau estado, depois de terem enfrentado as dificuldades de uma viagem caracterizada por experiências dramáticas e violentas", acrescentou a mesma nota informativa.

A MSF também se solidarizou com estes migrantes, pedindo uma “solução rápida”, uma vez que as condições meteorológicas estão a piorar, nomeadamente com a descida acentuada das temperaturas.

“Fazemos um apelo às autoridades europeias e italianas para que se encontre um porto seguro o mais rápido possível", afirmou a MSF.

A Holanda manifestou no mesmo dia disponibilidade para acolher alguns dos 32 migrantes que aguardam a bordo do “Sea-Watch 3”, navio que tem pavilhão holandês e que navega desde dezembro no Mediterrâneo.

Haia tinha inicialmente recusado receber estes migrantes, tal como fizeram outros Estados-membros da União Europeia (UE) como Itália, Malta ou Espanha, segundo a agência noticiosa francesa France-Presse (AFP).

No sábado, a Alemanha também declarou que só aceitaria acolher estes migrantes se outros países europeus assumissem o mesmo compromisso.

Desde que Itália fechou oficialmente os seus portos aos navios humanitários em junho passado, a solução para estes casos tem sido avaliada “barco a barco” e tem passado pela distribuição dos migrantes por vários países.

Cerca de 113.482 migrantes atravessaram o Mar Mediterrâneo no ano passado e 2.262 morreram no mar, segundo dados do Alto Comité das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Lusa

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