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Europa ameaça Rússia “com consequências sérias”, mas diz que não é caso para evacuar embaixadas
Mundo 4 min. 24.01.2022
Conselho Ministros Negócios Estrangeiros

Europa ameaça Rússia “com consequências sérias”, mas diz que não é caso para evacuar embaixadas

 Josep Borrell, Alto representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.
Conselho Ministros Negócios Estrangeiros

Europa ameaça Rússia “com consequências sérias”, mas diz que não é caso para evacuar embaixadas

Josep Borrell, Alto representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.
Foto: AFP
Mundo 4 min. 24.01.2022
Conselho Ministros Negócios Estrangeiros

Europa ameaça Rússia “com consequências sérias”, mas diz que não é caso para evacuar embaixadas

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Os ministros discutiram sanções, mas não as revelam. “As medidas serão tomadas assim que for necessário”, disse o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, acrescentando que a via do diálogo está aberta.

A União Europeia, o Reino Unido, os Estados Unidos e todos os restantes países da NATO “têm uma visão muito forte e muito clara” sobre como responder à presença de tropas russas na fronteira da Ucrânia, disse o Alto Representante para as Relações Externas da UE, Josep Borrell, no fim da reunião desta tarde dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, em Bruxelas. 

A questão russa não foi o único tema em debate – também se discutiu a questão Síria e as ameaças no Mali – mas foi de longe “o ponto mais importante da agenda”, disse Borrell. A conclusão mais importante, disse, foi a de reforçar a união entre os EUA e a UE sobre a resposta a dar, numa reunião em que o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, esteve a falar com os ministros europeus em vídeoconferência, a partir de Washington. 

Blinken esteve na semana passada na Europa, onde se encontrou, na sexta-feira, em Genebra, com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov. 

Na conferência de imprensa desta tarde, Borrell negou que a União Europeia estivesse a assistir de fora ao desenrolar de uma escalada de tensão às suas portas. “A União Europeia não esteve ausente das conversações, temos sido informados e falamos diretamente com os EUA, com a NATO e, portanto, estamos completamente ao corrente do que se passa”, referiu o responsável máximo pela política externa europeia.

O regresso das memórias sombrias na Europa

Borrell descreveu a presença de 100 mil tropas na fronteira com a Ucrânia e a “tentativa de criar linhas divisórias ao continente “como uma tentativa da Rússia de “trazer de volta memórias sombrias que não pertencem ao século XXI”. Borrel prometeu um apoio total à Ucrânia e que “qualquer tentativa de ataque terá consequências sérias”.


Von der Leyen promete 600 milhões de euros imediatos para ajudar Ucrânia no conflito com a Rússia
Esta tarde os ministros europeus decidem estratégia. A possível invasão russa da Ucrânia é considerada o pior incidente desde o fim da Guerra Fria.

Além do apoio contra as manobras militares – e esta tarde Von der leyen anunciou 600 milhões de euros imediatos para reforçar as defesas ucranianas – Borrell disse que a UE está a tentar ajudar a Ucrânia a defender-se de ciberataques vindos da Rússia. O último foi há dez dias, quando os ministros europeus se reuniam em Brest, para um encontro sob os auspícios da presidência francesa da UE.

Outro aspeto que Borrell reforçou foi o de “ajudar a fortalecer a resiliência dos países, ajudando a desenvolver instituições democráticas fortes que possam fazer face a ameaças externas”. E, segundo Borrell, isso também vai ser feito nas antigas repúblicas soviéticas, onde há uma tentativa de ingerência de Vladimir Putin. Esta segunda-feira, Von der Leyen anunciou 120 milhões de euros para o reforço das instituições democráticas ucranianas.

Menos nervos, mais diálogo

Quanto à retirada anunciada dos americanos da embaixada em Kiev, Borrell disse que as notícias do êxodo americano eram claramente exageradas. “O que o secretário de Estado Blinken nos disse é que foi autorizado ao pessoal não essencial abandonar o país. Isto não é de maneira nenhuma uma evacuação”, concluiu. A posição entre os Estado-membros é serena: “Nem este nível mínimo de medidas de prevenção é necessário”. 

Borrell defende uma desescalada de tensão nervosa: “Nós sabemos que a Rússia é uma ameaça mas é necessário evitar dar impressões que, precisamente, aumentem os nervos”. Até porque, disse, tem havido “um esforço coletivo de convencer a Rússia para seguir o caminho do diálogo, embora a retórica russa não seja essa. Temos pedido à Rússia para continuar o diálogo com a OSC (Organização de Segurança e Cooperação)”. Os Estados Unidos vão dar agora uma resposta por escrito aos pedidos da Rússia. “Estivemos a discutir os termos da resposta”, disse Borrell.

Há um site da UE só sobre a desinformação russa

Outra ação que Borrell considera importante é a de “continuar a conversar com os nossos parceiros e explicar o que se está a passar na Europa. Porque não é o que a Rússia diz. Ainda hoje foi publicado no site sobre desinformação dedicado à Rússia, os 7 mitos criados pelo Kremlin sobre o conflito Rússia/Ucrânia”. 

O site EUvsDisinfo  https://euvsdisinfo.eu/disinformation-about-the-current-russia-ukraine-conflict-seven-myths-debunked/ foi criado em 2015 pelo Serviço de Ação Externa da UE – cujo edifício foi atacado por manifestantes em Bruxelas neste domingo -  para responder às múltiplas campanhas de desinformação da Federação Russa contra a União Europeia. O EUvsDisinfo explica que o seu principal objetivo é “aumentar a consciência pública das operações de desinformação do Kremlin e ajudar os cidadãos europeus a melhor resistir à desinformação digital e à manipulação dos media”. 

Caso a diplomacia falhe, disse esta tarde Borrell, haverá “uma resposta internacional rápida e forte”. O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, numa conferência de imprensa à parte, salientou que “a unidade entre os países foi total” e confirmou:“Discutiram-se sanções a aplicar à Rússia, mas não posso dar mais informações”. Borrell explicou aos jornalistas, um dado adquirido da diplomacia: “Parte das medidas de dissuasão é não dar informação”.

 

 

 

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