EUA. Vacina contra a covid-19 entra na fase final dos testes em humanos
EUA. Vacina contra a covid-19 entra na fase final dos testes em humanos
A vacina experimental para a covid-19 da empresa Moderna, dos EUA, vai já entrar na fase decisiva dos ensaios clínicos, no final deste mês. Os resultados anteriores são "promissores", por isso, a Moderna vai testar a vacina em 30 mil voluntários, em condições reais.
Até agora, a 'vacina mRNA-1273' contra COVID-19, da empresa de biotecnologia Moderna, revelou cumprir os objetivos iniciais: mostrar ser “segura e desencadear anticorpos contra a SARS-CoV-2”, o que se verificou em todos os 45 participantes nas fases iniciais dos ensaios clínicos.
Os efeitos secundários da toma mostraram ser “leves a moderados”, o que é considerado normal, nomeadamente dores de cabeça, fadiga, calafrios e dores no local do corpo onde foi administrada a vacina, explicou Tal Zaks, diretor médico da Moderna numa videoconferência de imprensa na segunda-feira, dia 13.
Estes resultados “encorajadores” foram publicados na revista científica New England Journal of Medicine ontem, dia 14, e colocam esta vacina experimental da Moderna na vanguarda das 23 investigações mundiais, segundo a OMS, para encontrar um método de imunização eficaz para a covid-19, a única forma capaz de destruir a pandemia.
Se tudo correr bem nos próximos passos do estudo, a empresa vai conseguir “fornecer aproximadamente 500 milhões de doses por ano e possivelmente até mil milhões de doses por ano, a partir de 2021”, anunciou a Moderna, empresa de biotecnologia dos EUA, em comunicado.
30 mil pessoas em ensaio
Nesta fase decisiva que vai iniciar-se no final deste mês, os investigadores da Moderna irão seguir os 30 mil participantes, voluntários, durante dois anos, para verificar se estes estão protegidos da infeção ou, se forem infetados, se a vacina pode impedir a progressão dos sintomas. O estudo deverá estar concluído a 27 de outubro de 2022 embora os resultados preliminares sejam anunciados muito antes.
“Agora precisamos perceber como funciona a vacina quando a pessoa é exposta ao vírus real", declarou Amesh Adalja, especialista em doenças infeciosas da Universidade Johns Hopkins à imprensa norte-americana.
Segundo explicou Lisa Jackson, investigadora do Kaiser Washington Health Research Institute, em Seattle, que integra o estudo apesar das “respostas imunes promissoras”, na primeira fase ainda não se observou se o nível de resposta imunológica dada pela vacina será suficiente para proteger as pessoas contra a infeção. E é isso que se irá testar nesta fase decisiva em que metade dos 30 mil participantes irão receber uma dose de 100 microgramas da vacina e a outra metade um placebo.
Anticorpos gerados
Segundo o artigo publicado na terça-feira, os 45 participantes na Fase 1 foram divididos em três grupos de 15, aos quais foram administradas doses de 25 microgramas, 100 microgramas e 250 microgramas. Todos receberam uma segunda dose, nas mesmas quantidades, 28 dias mais tarde.
Após a primeira administração, verificou-se que os níveis de anticorpos eram mais elevados com as doses mais elevadas; após a segunda administração, os participantes tinham níveis de anticorpos mais elevados do que a maioria dos doentes que tinham tido Covid-19, recuperado e tinham gerado os seus próprios anticorpos.
Como funciona esta vacina?
A técnica mRNA da vacina foi desenvolvida pela Moderna para combater outros coronavírus, MERS e SARS, mas os ensaios clínicos nunca foram além da primeira fase.
O objetivo da vacina mRNA é dar ao organismo a informação genética necessária para desencadear a proteção preventiva contra o coronavírus.
A vacina introduz material genético da SARS-CoV-2 no organismo humano e este responde produzindo uma proteína que permite ao vírus infiltrar-se na célula hospedeira. A presença desta proteína chamada ‘spike protein’ desenvolve uma resposta imunitária do corpo que induz o desenvolvimento de anticorpos que travam a progressão do novo coronavírus no corpo.
Apesar da vacina ser a grande esperança para ganhar a batalha da pandemia da covid-19, os especialistas mundiais têm advertido que as primeiras vacinas a chegar ao mercado não serão necessariamente as mais eficazes ou as mais seguras.
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