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EUA reúnem 40 aliados na Alemanha, Rússia alerta para III Guerra Mundial
Mundo 7 min. 26.04.2022
Guerra na Ucrânia

EUA reúnem 40 aliados na Alemanha, Rússia alerta para III Guerra Mundial

Um soldado ucraniano olha para o destroço de um míssil balístico russo que caiu num campo em Bohodarove, no leste da Ucrânia.
Guerra na Ucrânia

EUA reúnem 40 aliados na Alemanha, Rússia alerta para III Guerra Mundial

Um soldado ucraniano olha para o destroço de um míssil balístico russo que caiu num campo em Bohodarove, no leste da Ucrânia.
Foto: Yasuyoshi Chiba / AFP
Mundo 7 min. 26.04.2022
Guerra na Ucrânia

EUA reúnem 40 aliados na Alemanha, Rússia alerta para III Guerra Mundial

AFP
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Os Estados Unidos da América (EUA) vão a reunir esta terça-feira cerca de 40 países aliados na Alemanha para armar ainda mais a Ucrânia contra os russos, que alertam para um risco "real" da Terceira Guerra Mundial.

Uma vez que a guerra na Ucrânia gera tensões sem precedentes entre a Rússia e o Ocidente, o chefe diplomático russo Sergei Lavrov levantou a ameaça de uma escalada do conflito para uma guerra mundial. 

"O perigo é grave, é real, não pode ser subestimado", disse Lavrov, citado pela agência Interfax, no dia após uma visita à Ucrânia dos responsáveis norte-americanos dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Antony Blinken e Lloyd Austin. 

Segundo o chefe do Pentágono, representantes de cerca de 40 países na base dos EUA em Ramstein, Alemanha, vão reunir-se esta terça-feira para "gerar capacidades adicionais para as forças ucranianas". 

"Podem ganhar se tiverem o equipamento certo, o apoio certo", disse Austin. O presidente Zelensky afirmou que a vitória ucraniana era apenas uma questão de tempo.

A luta pela liberdade

"Graças à coragem, à sabedoria dos nossos defensores, graças à coragem de todos os ucranianos - o nosso Estado é um verdadeiro símbolo da luta pela liberdade", disse Zelensky no seu discurso de segunda-feira à noite. 


Autoridades ucranianas consideram que estes ataques confirmam a intenção de Moscovo "destruir sistematicamente" infraestruturas ferroviárias.
Rússia ataca cinco estações de comboio no centro e no oeste da Ucrânia
Autoridades ucranianas consideram que estes ataques confirmam a intenção de Moscovo "destruir sistematicamente" infraestruturas ferroviárias.

Os Estados Unidos anunciaram na segunda-feira um novo pacote de ajuda militar de 700 milhões de dólares para a Ucrânia, elevando a sua assistência para 3,4 mil milhões de dólares.

Estão agora a fornecer armas pesadas para combater as forças russas que se estão a concentrar no leste e sul da Ucrânia, depois de não terem conseguido apreender Kiev.

Austin disse que queria "ver a Rússia enfraquecida ao ponto de não poderem fazer o tipo de coisas que fizeram na Ucrânia". 

Segundo o Secretário de Defesa britânico Ben Wallace, Moscovo perdeu "aproximadamente 15 mil soldados" na Ucrânia até à data, um número que não pode ser verificado por fontes independentes. Moscovo não apresentou quaisquer números desde 25 de março, quando afirmou ter perdido 1.351 soldados.

Os militares russos afirmaram ter atingido cerca de 100 alvos na Ucrânia na segunda-feira, incluindo instalações ferroviárias na Ucrânia central.

O Ministério da Defesa ucraniano disse que o exército russo continuava a reforçar as suas defesas antiaéreas, a repor as perdas da ofensiva anterior e a bombardear as infraestruturas. 


Soldados ucranianos num tanque perto de Lyman, no leste da Ucrânia.
Kiev diz que não há acordo para corredor humanitário em Mariupol
Rússia anunciou um cessar-fogo sobre a cidade de Mariupol para permitir a retirada de civis do complexo industrial Azovstal, mas a Ucrânia disse que não se chegou a acordo.

Segundo a mesma fonte, o exército russo está a reagrupar as suas forças no sul e tentou avançar para Zaporizhzhya (leste), mas sofreu perdas e não teve sucesso.

A Rússia declarou o seu objetivo de assumir a totalidade do Donbass, uma grande zona industrial no leste - que os separatistas pró-russos têm controlado parcialmente desde 2014 - e de assumir o controlo total do sul da Ucrânia, onde os combates são também uma ocorrência diária. 

Reino Unido diz que forças russas tomaram cidade de Kreminna

O Ministério da Defesa do Reino Unido avançou esta terça-feira que as forças russas tomaram a pequena cidade de Kreminna, na região de Lugansk, no leste da Ucrânia.

Numa publicação na rede social Twitter, os militares britânicos disseram que Kreminna “caiu e combates pesados são relatados ao sul de Izium, enquanto as forças russas tentam avançar para as cidades de Sloviansk e Kramatorsk, do norte e do leste”.


Nuvens de fumo sobre a fábrica de aço Azovstal e os portões destruídos do Estaleiro Azov, em imagem divulgada na terça-feira.
Kiev propõe à Rússia conversações junto ao complexo metalúrgico Azovstal em Mariupol
"Convidámos os russos a realizar uma sessão especial de conversações mesmo ao lado de Azovstal", informou o conselheiro de Volodymyr Zelensky.

Há mais de uma semana que a cidade estava sob ataque, com intensos combates rua a rua que tornaram impossível a retirada de civis.

“Várias pessoas queriam fugir” de Kreminna, revelou em 18 de abril o governador regional Serhiy Haidai, na plataforma Telegram, acrescentando que quatro pessoas morreram num ataque contra um carro.

Já há dias que a Rússia tinha anunciado ter tomado Kreminna. O governo ucraniano não fez até ao momento qualquer comentário sobre a situação na cidade, que fica a cerca de 600 quilómetros a sudeste da capital ucraniana, Kiev.

Kiev diz que começaram ataques de guerrilha na Rússia

Um conselheiro do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, Oleksiy Arestovich, disse na segunda-feira que os incêndios registados em depósitos de combustível na Rússia poderão ser o início de ataques de guerrilha, em resposta à invasão russa.

“Em Ussuriysk, a base militar incendiou-se, os escritórios de alistamento militar incendiaram-se, as universidades militares incendiaram-se, alguns armazéns, as casas de governadores", disse Arestovich.


Zelensky fala de esperança no domingo de Páscoa dos ortodoxos
"O grande feriado de hoje dá-nos grande esperança e fé inabalável de que a luz vencerá as trevas, o bem vencerá o mal, a vida vencerá a morte e, portanto, a Ucrânia certamente vencerá", apontou, numa intervenção a partir da Catedral de Santa Sofia, em Kiev.

No entanto, o conselheiro de Zelensky sublinhou, numa entrevista citada pela agência de notícias ucraniana Unian, que Kiev “desconhece o que está a acontecer na Rússia”.

Pelo menos 17 pessoas morreram num incêndio que ocorreu em 21 de abril num instituto de investigação das Forças Aeroespaciais russas em Tver, cidade a cerca de 200 quilómetros de Moscovo.

Um incêndio deflagrou na segunda-feira num grande depósito de combustível na cidade de Bryansk, perto da fronteira ucraniana, anunciaram as autoridades russas, sem especificar as razões do fogo.

Segundo as agências de notícias russas citadas pela agência France Presse, “o incêndio deflagrou no depósito de combustível Transneft Bryansk-Druzhba, em Bryansk", uma cidade localizada a 150 quilómetros da fronteira com a Ucrânia, que serve como base logística à ofensiva militar de Moscovo naquele país.

De acordo com as primeiras informações, não há vítimas a registar.


ONU apela a uma trégua imediata em Mariupol para retirar civis
Kiev indicou hoje que as forças russas continuam a bombardear esta cidade no Mar de Azov e, em particular, a siderúrgica Azovstal, a última bolsa de resistência dos combatentes ucranianos naquela zona.

Moscovo tem acusado repetidamente as forças ucranianas de realizarem ataques em solo russo, incluindo numa aldeia na região de Bryansk, em meados de abril.

No início de abril, o governador da região de Belgorod, também na fronteira, alegou que helicópteros ucranianos tinham disparado num depósito de combustível.

Reino Unido elimina tarifas sobre produtos ucranianos

O Reino Unido eliminou na segunda-feira à noite todas as tarifas e restrições a produtos ucranianos, tendo ainda proibido a exportação para a Rússia de produtos tecnológicos considerados como sensíveis.

"Todas as tarifas sobre as mercadorias importadas da Ucrânia serão agora reduzidas a zero e todas as quotas serão removidas em virtude de um acordo de livre comércio, fornecendo apoio económico à Ucrânia", disse o governo britânico em comunicado.

A decisão do executivo de Boris Johnson surge após um pedido direto do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que pediu a liberalização das tarifas e o apoio à economia do país.


Número de refugiados continua a aumentar e ultrapassa 5,16 milhões
Cerca de 90% dos que fugiram são mulheres e crianças, o que é explicado pelo facto de as autoridades ucranianas não permitirem a saída de homens em idade militar.

"A remoção de tarifas sobre as principais exportações da Ucrânia, como cevada, mel, tomate enlatado e aves, ajudará empresas e produtores ucranianos quando mais precisam", disse Zelensky.

O Reino Unido também anunciou a proibição de exportação para a Rússia de produtos e tecnologias considerados sensíveis, incluindo equipamento de interceção e vigilância de telecomunicações.

"Isso fechará qualquer brecha existente, para garantir que a Rússia não adquira esses produtos ao Reino Unido", refere o comunicado.

A Secretária para Comércio Internacional britânica, Anne-Marie Trevelyan, reuniu-se na semana passada em Londres com o embaixador ucraniano no Reino Unido, Vadim Pristaiko, para reiterar o apoio de Londres a Kiev.

"O Reino Unido continuará a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para apoiar a luta da Ucrânia contra a invasão brutal e não provocada de Putin e ajudar a garantir a segurança e a prosperidade a longo prazo da Ucrânia e do seu povo", disse Trevelyan.

O governo britânico ampliou na semana passada a lista das sanções comerciais, proibindo a importação de prata, produtos de madeira e caviar da Rússia.

O Reino Unido aumentou ainda as taxas alfandegárias, em 35 pontos percentuais, sobre certos produtos da Rússia e da aliada Bielorrússia, particularmente diamantes e borracha.

Londres afirma ter imposto sanções a mais de 1.400 pessoas e empresas ligadas ao regime do Presidente russo Vladimir Putin, desde o início da guerra na Ucrânia.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, das quais mais de 5,16 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU – a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

(Com Lusa)

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