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EUA pressionam Portugal e Espanha a ajudarem mais a correr com Maduro

EUA pressionam Portugal e Espanha a ajudarem mais a correr com Maduro

Foto: AFP
Mundo 5 min. 14.04.2019

EUA pressionam Portugal e Espanha a ajudarem mais a correr com Maduro

O delegado dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliott Abrams, veio a Portugal na terça-feira passada, para reunir-se com Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, e discutir o agravamento da situação naquele país latino-americano, informou numa mesa-redonda com jornalistas realizada na embaixada norte-americana, em Lisboa.

 “Portugal tem sido um líder no apoio à democracia na Venezuela e no apoio ao povo venezuelano que está a exigir um regresso à democracia", realçou Elliott Abrams. Segundo o diplomata, os Estados Unidos e Portugal "estão em completo acordo sobre o reconhecimento de Juan Guaidó" como Presidente interino da Venezuela e "sobre a necessidade de novas eleições" para um retorno da Venezuela à democracia.

"Tentamos manter um contacto muito próximo com o Governo de Portugal ao mais alto nível. Vemos uma grande parte da crise venezuelana da mesma forma. Em particular, o resultado que queremos, que é a saída de [Nicolás] Maduro, é a realização de eleições livres e o regresso à democracia", indicou.

Elliott Abrams criticou o papel da Rússia na Venezuela, que classificou como "completamente negativo e inútil".

A Rússia "não está a enviar grandes quantidades de ajuda humanitária, não está a ajudar os venezuelanos a recuperar a sua prosperidade ou a sua democracia", frisou.

Em março, o representante especial dos EUA para a Venezuela disse estar preocupado com o apoio que a Rússia continua a manifestar ao Presidente eleito, Nicolás Maduro, por ser um pilar relevante de sustentação do regime, considerando que tem motivações financeiras, para tentar proteger os fundos que emprestou à Venezuela.

Aludindo ao que considera ser a falta de confiança de Nicolas Maduro nas suas próprias forças armadas, Elliott Abrams deu como exemplo que a segurança pessoal do líder venezuelano é assegurada por cubanos.

"Eu penso (...) que ele não confia nos militares. No exército. Os seus guarda-costas são cubanos (...) Não confia neles porque receia que [os militares] sejam patriotas e desejem uma Venezuela democrática", afirmou.

Sobre a interferência de Washington, Elliott Abrams considerou que "é do interesse de Maduro dizer que são os Estados Unidos contra a Venezuela".

"Cinquenta e quatro países reconheceram o Presidente interino Juan Guaidó. Isto não é os Estados Unidos contra a Venezuela. São dezenas de democracias na América Latina, na Europa e na América do Norte, a dizer que apoiam o desejo do povo venezuelano pela democracia", argumentou.


Visita a Madrid

Antes do encontro com representantes do governo espanhol, Elliott Abrams voltou a reunir com jornalistas, desta vez, ontem, na embaixada do seu país em Madrid. “Acreditamos que quando Maduro cair e voltar a democracia alguns dos membros do regime, alguns militares, provavelmente hão-de querer exilar-se”. Na imprensa, Portugal e Espanha têm sido associados como possíveis destinos de exílio. “Essa é uma decisão que o Governo de Espanha tem que tomar”, afirmou acrescentando que uma das formas de os países contribuírem para a “transição democrática” seria “oferecer-lhes um lugar para ir”.


Três meses de convulsão política

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos do chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro.

Mais de 50 países, incluindo a maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, seguiram a decisão norte-americana e reconheceram Guaidó como Presidente interino da Venezuela encarregado de organizar eleições livres e transparentes naquele país.

De acordo com o artigo constitucional que usou para se autoproclamar em janeiro, Juan Guaidó tinha 30 dias para convocar novas eleições presidenciais.

Na Venezuela, que vive uma grave crise política, económica e humanitária, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.


Bolsonaro não descarta intervenção militar

  "Vamos supor que haja uma invasão lá [na Venezuela]. A decisão vai ser minha, mas eu vou ouvir o Conselho de Defesa Nacional e depois o Parlamento brasileiro para tomar a decisão de facto", disse Bolsonaro na passada segunda-feira, numa entrevista à rádio Jovem Pan, citada pela Folha de São Paulo. Na mesma entrevista, acrescentou: "É nossa intenção e dos EUA que exista uma cisão no exército, porque são eles que ainda apoiam Maduro. São as Forças Armadas que decidem se um país vive em democracia ou numa ditadura", acrescentou.  

O Presidente do Brasil também afirmou que um possível conflito na Venezuela provavelmente envolveria uma guerra de guerrilha e que essa situação pode prolongar o conflito.


Apoiantes de Maduro manifestam-se

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participou  numa demonstração de força, este sábado, com a reunião em Caracas de milhares de simpatizantes, incluindo centenas de milicianos e efetivos das Forças Armadas.

O evento realizado no Paseo los Próceres, uma grande praça dedicada aos heróis da emancipação da Venezuela, teve como pretexto a comemoração dos 17 anos do regresso ao poder do falecido mentor político do Presidente venezuelano, Hugo Chávez, depois de ter sido deposto por algumas horas em 2002.

“O 13 de abril de 2002 é um dia que a nossa geração não esquecerá”, afirmou hoje Maduro, rodeado por militares simpatizantes, tanques de guerra e peças de artilharia antiaérea.

A condizer com a pose revolucionária, o chefe de Estado apelou aos milicianos o empenho num “milagre produtivo” que possa alimentar a Venezuela.

“Neste momento, dou ordem às 51.743 unidades populares de defesa integral para se dediquem à produção [de alimentos] em todo o território nacional para ver reverdecer um milagre produtivo”, disse.

“Espingarda ao ombro, pronto para defender a pátria, e abrindo o sulco para semear a semente e produzir o alimento para a comunidade, para o povo”, é o novo retrato do miliciano venezuelano, em quem Nicolás Maduro confia um “milagre produtivo” capaz de disfarçar a quebra massiva e continuada nas receitas do petróleo, responsáveis por 96% do Orçamento venezuelano.


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