EUA. Não há qualquer vestígio de fraude nas eleições
EUA. Não há qualquer vestígio de fraude nas eleições
À medida que passam os dias, vai ficando mais claro que as proclamações de Donald Trump contra o processo eleitoral não têm base de sustentação. Quem o diz são as diferentes autoridades estatais que fiscalizam as eleições e que consideram que decorreram sem sobressaltos e com garantias.
Neste plebiscito que deu a vitória ao candidato democrata Joe Biden, não há qualquer prova que corrobore as denúncias de fraude feitas pelo atual inquilino da Casa Branca. O facto é que antes das eleições já Donald Trump questionava a integridade do processo eleitoral e questionava o voto por correspondência.
Sem reconhecer a derrota, o atual Presidente só obteve 217 delegados contra 279 do seu rival. Ainda faltam atribuir 42 representantes mas a vitória de Joe Biden está assegurada por ter ultrapassado os 270.
A abertura de processos por alegada fraude nos votos por correspondência foi a resposta dos republicanos sem qualquer sucesso. Nos estados em que houve prolongamento da votação por correspondência e vitória de Donald Trump, como o Nebraska, Dakota do Norte e Montana, o magnata norte-americano optou por ficar calado.
"As eleições gerais de 2020 têm sido uma das mais calmas e melhor conduzidas, o que é certamente extraordinário devido aos muitos desafios que foram apresentados", afirmou à Associated Press Ben Hovland, um democrata nomeado por Trump na Comissão de Assistência Eleitoral que trabalha em estreita colaboração com funcionários da administração.
Entretanto, os principais líderes do Partido Republicano expressaram a vontade de estender o desafio de Trump durante o tempo necessário, embora a maioria das queixas e processos apresentados tenham sido até agora rejeitados pelos juízes. Com a Casa Branca em estado de negação, os únicos processos ainda em curso não mostraram até agora qualquer prova de fraude que possa inverter o resultado das eleições, afirma o El País.
Em Wisconsin, onde Biden bateu Trump por uma pequena vantagem, a autoridade eleitoral representada por Meagan Wolfe afirmou que o seu gabinete não tinha recebido quaisquer relatórios de problemas nas urnas ou quaisquer queixas envolvendo irregularidades. O mesmo aconteceu no Michigan, onde a sua procuradora-geral, a democrata Dana Nessel, garantiu a legalidade dos resultados.
O El País cita o New York Times que informou na terça-feira que funcionários eleitorais de ambos os partidos em dezenas de estados dizem não haver provas de fraude ou outras irregularidades que tenham influenciado o resultado das eleições presidenciais de 2020. Entre segunda e terça-feira, o New York Times contactou as autoridades eleitorais de cada estado para perguntar se suspeitavam ou tinham provas de votos que pudessem ser considerados ilegais. Um total de 49 estados declarou que não tinha havido problemas. As autoridades contactadas no Texas foram as únicas a não responder à investigação do jornal.
Sem abandonar a acusação de fraude, Trump e a sua candidatura sofreram um grande revés na terça-feira quando se soube que um trabalhador dos correios que tinha afirmado ter testemunhado uma adulteração de votos na Pensilvânia abandonou a sua acusação. Além disso, quase 80% dos americanos - metade dos eleitores republicanos - dizem que Biden é o vencedor, de acordo com uma sondagem Reuters/Ipsos realizada na terça-feira.
O resultado final tem ainda de ser definido na Carolina do Norte, onde Trump lidera com 50% contra 48,7% para Biden. Já no Arizona, o democrata está à frente com 49,4% contra 49% e na Geórgia, onde o presidente eleito também está à frente com 49,5% contra 49,2% para o republicano.
O republicano Brad Raffensperger, da Geórgia, confirmou na quarta-feira que este estado irá proceder a uma recontagem de todos os boletins de voto. Raffensperger indicou que a margem é tão estreita que terá de ser feita "à mão". De acordo com a lei estatal, os candidatos têm o direito de pedir uma recontagem se a margem de diferença no resultado for igual ou inferior a 0,5%.
Por mais que os números e factos apontem para o contrário, os apoiantes fervorosos de Trump continuam a afirmar que houve um esquema fraudulento. Um dos governantes do Texas, Dan Patrick, ofereceu até um milhão de dólares em troca de informações com provas de fraude. "A acusação de fraude eleitoral não é apenas essencial para determinar o resultado desta eleição, é essencial para manter a nossa democracia e restaurar a fé em futuras eleições", afirmou numa mensagem do Twitter.
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