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EUA: Escândalo sexual afasta estrela democrata do Congresso
Mundo 1 3 min. 30.10.2019

EUA: Escândalo sexual afasta estrela democrata do Congresso

EUA: Escândalo sexual afasta estrela democrata do Congresso

AFP
Mundo 1 3 min. 30.10.2019

EUA: Escândalo sexual afasta estrela democrata do Congresso

Katie Hill demitiu-se após a divulgação de fotos e mensagens que denunciam que mantinha uma relação a três, com o seu marido e uma assistente da campanha.

Katie Hill, congressista democrata, apresentou a sua demissão da Câmara dos Representantes, esta segunda-feira, 28 de outubro, depois de fotografias e mensagens íntimas terem sido reveladas na imprensa.

A congressista de 32 anos, que foi eleita pelo Partido Democrata para aquela câmara do Congresso, em 2018, pelo 25.º distrito do estado da Califórnia, era uma estrela em ascensão no partido, mas acabou por renunciar ao cargo depois de o jornal britânico 'Daily Mail' ter publicado imagens em que a congressista aparece nua e mensagens de texto trocadas com a sua assistente de campanha, com quem manteria uma relação, e ainda desta com o marido de Katie Hill, sugerindo uma relação a três.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

Violação de privacidade e intimidade

Num vídeo publicado no Youtube ontem, onde não escondeu as emoções e se assume como uma pessoa "imperfeita", a  congressista democrata lamenta o sucedido e explica as razões que a levaram a demitir-se. 

Na gravação acusa o marido, de quem se estará a divorciar, e os seus adversários políticos de recorrerem à violação da sua privacidade e intimidade para a usarem como arma política.

"Ontem anunciei a decisão mais difícil da minha vida", começa por dizer no vídeo de três minutos. "Tomei esta decisão para que os meus apoiantes, a minha família, a minha equipa e a nossa comunidade não venham novamente a ser sujeitos à dor inflingida pelo meu marido abusador e à brutalidade de [alguns] agentes políticos", acrescenta Katie Hill, acusando os "media de direita" e os seus "rivais republicanos" de "perpetuarem o abuso" do marido. 

"É nojento e imperdoável e serão responsabilizados", promete. Para a congressista toda essa "campanha" é uma manobra para distrair os eleitores americanos da "crise constitucional" que o país enfrenta e do "trabalho crucial" dos seus colegas de partido.  

'Revenge porn', assédio sexual e #MeToo

Apesar da sua saída do Congresso, a política democrata promete que não vai desistir e assegura que, não só vai continuar a lutar "pela democracia, pela representatividade, justiça e igualdade”, como passar também a "lutar para que mais ninguém passe por aquilo" que passou. 

"Alguns chamam a isto roubo de dados digitais, exploração digital ou 'revenge porn'. Como vítima chamo-lhe uma das piores coisas que se podem fazer", declarou.

À relação confirmada com uma assistente de campanha juntaram-se também suspeitas de que Katie Hill teria mantido uma "relação imprópria" com um subordinado da sua equipa no Congresso, depois de, na semana passada, o site conservador Red State ter afirmado que a congressista mantinha uma relação com o seu assessor legislativo Graham Kelly. Além do caso com a assistente.

O Comité de Ética da Câmara dos Representantes abriu uma investigação a essas acusações, mas a congressista negou o envolvimento com o assessor, confirmando apenas a relação com a assistente, com quem trocara as mensagens de teor íntimo entretanto divulgadas.

No final de 2018, o Congresso aprovou novas leis e regulamentos para combater o assédio sexual no Capitólio, na sequência de vários escândalos que vieram à tona no auge do movimento #MeToo. 

No início desse ano vários senadores, dos dois campos políticos representados, republicano e democrata, demitiram-se na sequência de denúncias contra si, de abuso de poder e assédio sexual a funcionários da instituição. 

Tudo isso contribuiu para que fossem aprovadas, com largo consenso, alterações ao Congressional Accountability Act, de 1995. Criar condições para que os funcionários reportassem mais facilmente queixas de assédio sexual, estabelecer que os congressistas e senadores responsabilizados arcassem com os custos financeiros de eventuais acordos e fomentar a transparência em torno desses acordos ou pagamentos para ilibação de possíveis acusações foram algumas das normas introduzidas.  

Ana Tomás