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EUA. Escalam confrontos com a polícia em protestos por justiça a George Floyd
Mundo 5 min. 28.05.2020

EUA. Escalam confrontos com a polícia em protestos por justiça a George Floyd

EUA. Escalam confrontos com a polícia em protestos por justiça a George Floyd

Mundo 5 min. 28.05.2020

EUA. Escalam confrontos com a polícia em protestos por justiça a George Floyd

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Uma esquadra foi invadida e incendiada na cidade onde, durante sete minutos, um polícia asfixiou George Floyd, um afro-americano que estava desarmado, algemado e deitado no chão acabando por falecer mais tarde. Três polícias observaram sem reação. Homens foram despedidos mas o país exige justiça.

A onda de protestos que exigem justiça à morte de George Floyd  já vai na terceira noite e a tensão continua a escalar. Depois de se terem registado vários atos de violência, pilhagens, destruição de montras de lojas, dezenas de incêndios e confrontos com a polícia que interveio com gás lacrimogéneo, segundo as observações da equipa da CNN no local e relatos das autoridades, esta quinta-feira à noite, protestantes invadiram uma esquadra da polícia em Minneapolis e incendiaram o local.


EUA. Manifestantes incendeiam esquadra em protesto contra assassinato
Um porta-voz da polícia daquela cidade do estado de Minnesota confirmou que a terceira esquadra, situada perto do local onde Floyd foi morto, foi evacuada "no interesse da segurança do pessoal".

Um porta-voz da polícia de Minneapolis confirmou que a terceira esquadra, situada perto do local onde Floyd foi morto, foi evacuada "no interesse da segurança do pessoal". O incidente deu-se pouco depois das 22:00 de quinta-feira (06:00 de hoje no Luxemburgo). 

No início da manhã desta quinta-feira, a polícia disse que um homem foi morto a tiro perto do local dos protestos, em Minneapolis, cidade onde Floyd morreu. Segundo o New York Times deu-se um tiroteio fatal na área de protesto que "parecia estar relacionado com o saque de uma loja de penhores onde o dono da loja disparou tiros".  

"Não posso arriscar a segurança de pessoas inocentes, foi isso que me comprometi a defender e é isso que me dedico a fazer", disse Jacob Frey, presidente da câmara de Minneapolis, depois de ativar as forças de segurança.  "Podemos ter as duas coisas. Podemos ter manifestações pacíficas, mas eu também tenho de garantir a segurança de todos na cidade".

Entretanto, uma enorme quantidade de polícias guardam a casa do agente que asfixiou durante sete minutos o George Floyd, contra o chão, desarmado e algemado. Num vídeo partilhado nas redes sociais as pessoas denunciam "vejam a quantidade a defender a casa de um assassino". 

"Lutei, mais do que qualquer outra coisa, nas últimas 36 horas, com uma questão fundamental: Porque é que o homem que matou George Floyd não está na prisão?" indagou o presidente da câmara Jacob Frey numa conferência de imprensa. "Se o tivessem feito, ou se eu o tivesse feito, estaríamos agora mesmo atrás das grades". E eu não posso dar uma boa resposta a esta pergunta". 

Bridgett Floyd,  irmã de George Floyd, apelou à justiça no programa "Today" da NBC, na quinta-feira. "Gostaria que esses agentes fossem acusados de homicídio porque foi exatamente isso que fizeram", disse.

De quarta para quinta-feira, os ânimos começaram a escalar e os protestos que começaram por ser pacíficos foram-se tornando cada vez mais intensos. Segundo a New York Times, o governador do estado de Minnesota, Tim Walz, chamou-lhe "uma situação extremamente perigosa" e exortou os residentes a abandonar a zona. 


"Não consigo respirar". A história de um homem que morreu asfixiado pelo joelho de um polícia
Durante sete minutos um polícia branco asfixiou George Floyd, um afro-americano que estava algemado e deitado no chão. Revolta popular levou centenas às ruas num grito contra o racismo. Atenção: Imagens podem chocar os mais sensíveis.

Frey apelou aos residentes para que se acalmassem. "Imploro a nossa cidade, imploro a nossa comunidade, imploro a cada um de nós que mantenha a paz". Vamos honrar a memória de George Floyd", disse Frey à KARE11 numa entrevista telefónica.

As manifestações alastraram-se também a St. Paul, capital do estado do Minnesota, com a polícia a tentar impedir o saque de lojas e os bombeiros a serem chamados para combater incêndios, noticiou a agência Lusa.

Na quinta-feira à noite, em St. Paul, nuvens de fumo pairavam no ar, enquanto a polícia, armada com bastões e máscaras de gás, vigiava os manifestantes na maior rua comercial da cidade. Segundo a Lusa, as forças de segurança tentaram impedir manifestantes de saquear um armazém Target, havendo registo de muitas montras partidas.

Em Los Angeles, centenas de pessoas marcharam para protestar contra a morte de Floyd e a brutalidade policial já na quarta-feira. A dada altura, alguns manifestantes atacaram um carro da Patrulha da Auto-Estrada da Califórnia que continuou o seu percurso arrastando as pessoas que estavam à sua frente, descreve . "As manifestações pacíficas são uma marca do nosso país. A violência é injustificada e afasta-se da mensagem. Exorto todos nós a protestar pacificamente em nome da segurança pública de todos", afirmou o Xerife do Condado de Los Angeles, Alex Villanueva, numa declaração, citada pelo New t. 

Protestos exigem justiça à morte de George Floyd
Protestos exigem justiça à morte de George Floyd
Foto: AFP

Também em Nova Iorque organizaram-se concentrações públicas, esta quinta-feira, em que se deram alguns casos com confrontos policiais. Em Denver, manifestantes bloquearam o trânsito no centro da cidade.

Segundo a CNN, em Memphis, Tennessee, a polícia respondeu a um protesto com material de guerra e pelo menos duas pessoas foram presas. 

Trump reage a protestos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump publicou na sua conta Twitter uma reação aos protestos à morte de George Floyd, em que diz que não pode "ficar de braços cruzados a ver isto acontecer a uma grande cidade americana, Minneapolis. Uma total falta de liderança".  Trump descreveu o presidente da Câmara da cidade, Jacob Frey, de "muito fraco" conotando-o como "esquerda radical" e ameaçou que ele mesmo fará o trabalho de recompor a ordem na cidade com a Garda Nacional, se o mesmo não for capaz de o fazer.  

Donald Trump disse que os manifestantes são "BANDIDOS" e estão a desonrar a memória de George Floyd. O Presidente norte-americano garantiu ter falado com o governador Tim Walz assegurando que os militares estão do seu lado. "Qualquer dificuldade e nós assumiremos o controlo mas, quando o saque começar, o tiroteio começará", escreveu Trump.

Numa conferência de imprensa na manhã desta sexta-feira, o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey respondeu a Donald Trump dizendo que "fraqueza é recusar-se a assumir a responsabilidade pelos seus próprios atos".

"Fraqueza é apontar o dedo a outra pessoa durante um momento de crise. Donald Trump não sabe nada sobre a força de Minneapolis. Nós somos fortes como o inferno. Será este um período difícil, sim, mas é bom que tenhas a certeza de que vamos ultrapassar isto", disse o autarca.


Este artigo foi atualizado às 08:59 com declarações de Donald Trump e Jacob Frey

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