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EUA. Enfermeira denuncia alegadas cirurgias para remoção do útero a migrantes
Mundo 2 min. 22.09.2020

EUA. Enfermeira denuncia alegadas cirurgias para remoção do útero a migrantes

EUA. Enfermeira denuncia alegadas cirurgias para remoção do útero a migrantes

Mundo 2 min. 22.09.2020

EUA. Enfermeira denuncia alegadas cirurgias para remoção do útero a migrantes

AFP
AFP
"Uma experiência num campo de concentração", descreve uma das detidas de um centro de detenção de migrantes na Geórgia, no sul dos Estados Unidos.

Uma enfermeira que trabalha na prisão de Imigração de Irwin, nos EUA, denunciou recentemente que várias mulheres terão sido sujeitas a cirurgias de remoção de úteros nesta instalação prisional.

A enfermeira que divulgou a informação confirmou a sua preocupação com o alto índice de mulheres que se submeteram à histerectomia, afirmando que, embora esse procedimento seja indicado em algumas situações, "não é possível que os úteros de todas tivesssem problemas". 

O relato de Dawn Wooten confere mesmo com as versões de algumas mulheres do centro à organização Project South. Segundo o relato de uma detida à organização Project South, em 2019 o centro enviou muitas mulheres para consultas com um ginecologista particular fora do centro, mas que algumas desconfiaram do médico. Segundo é descrito no documento, o profissional seria especialista em remoção de úteros. 

A queixa não refere nomes em concreto, mas os advogados de várias detidas que apresentaram queixa referiram o nome de Mahendra Amin, um especialista em obstetrícia e ginecologia que exerce na cidade vizinha de Douglas, denuncia o jornal The New York Times. De acordo com o jornal americano o Departamento de Segurança Interna abriu uma investigação para averiguar os alegados casos.   

"Quando conheci todas aquelas mulheres que foram submetidas a cirurgias, lembrei-me de que parecia uma experiência num campo de concentração. Era como se estivessem a fazer testes com os nossos corpos", disse uma detida entrevistada pela organização Project South, segundo a denúncia feita.  

Wooten afirmou ainda que o médico chegou a remover o ovário errado de uma detida que tinha um quisto, que então teve de se submeter a outra operação que a deixou sem ovários e, portanto, estéril. "Ela disse que não estava totalmente sob o efeito da anestesia quando o ouviu dizer às enfermeiras que se tinha enganado", disse a profissional.  

As informações que constam da denúncia de Wooten destacam ainda uma "alarmante negligência médica" durante a pandemia de covid-19, onde houve 42 casos de infeção. O centro de detenção de Irwin é administrado por uma empresa privada sob a alçada do Serviço de Imigração e Alfândegas dos EUA (ICE, na sigla inglesa). 

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