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EUA. Embaixador acusa Trump de traição à nação
Mundo 4 min. 14.11.2019 Do nosso arquivo online

EUA. Embaixador acusa Trump de traição à nação

EUA. Embaixador acusa Trump de traição à nação

Foto: AFP
Mundo 4 min. 14.11.2019 Do nosso arquivo online

EUA. Embaixador acusa Trump de traição à nação

Bruno Amaral de Carvalho
Bruno Amaral de Carvalho
Embaixador interino dos Estados Unidos na Ucrânia afirmou no processo de destituição de Donald Trump que o presidente norte-americano tentou comprar o governo ucraniano com ajuda militar em troca de investigação ao filho do seu principal rival político, Joe Biden.

Começou ontem a fase pública do processo de impeachment contra Donald Trump com transmissão televisiva das declarações demolidoras do embaixador  interino dos Estados Unidos na Ucrânia, William B. Taylor. O veterano diplomata respondeu a perguntas durante quase seis horas descrevendo as manobras do presidente norte-americano para que o governo da Ucrânia investigasse o seu rival político democrata, Joe Biden. 

Este procedimento, de caráter excecional, que é uma espécie de julgamento parlamentar, pretende determinar se o presidente norte-americano cometeu algum crime ou má conduta no escândalo que envolveu o presidente ucraniano e se deve, em consequência, ser destituído. 

De acordo com o jornal El País, Washington preparou-se para a ocasião como costuma fazer nos casos mais mediáticos com bares abertos mais cedo e com bebidas com desconto para acompanhar o direto como se fosse um evento desportivo. Esta é a quarta vez na história que os Estados Unidos ativam este mecanismo legal e, até agora, nenhum presidente foi destituído. Richard Nixon renunciou pelo caso Watergate antes da votação chegar à fase final no Senado. Tanto Andrew Johnson (1865-1869) como Bill Clinton (1996-1999) superaram o processo sem perderem o mandato.

A investigação preliminar começou na Câmara dos Deputados a 24 de setembro, depois da denúncia das negociações do presidente Donald Trump com o atual presidente ucraniano para que o sistema de justiça deste país investigasse o democrata Joe Biden. Na altura, o filho de Biden tinha negócios na Ucrânia quando o pai [Joe Biden] era vice-presidente de Barack Obama. Biden, que está na corrida à presidência norte-americana, é um dos mais fortes candidatos democratas a bater-se nas eleições com Donald Trump.

O que será julgado nas próximas semanas e meses no Capitólio é se as ações do presidente representam um caso de colaboração com uma potência estrangeira para interferir nas eleições presidenciais que se realizam no próximo ano. De acordo com o El País, a declaração de Taylor - que inaugurou as aparições públicas juntamente com outro alto diplomata americano, George Kent - serviu para reforçar suspeitas e, sobretudo, para apontar algo fundamental: se Trump usou o congelamento da ajuda americana, entre outros elementos, como mecanismo de pressão sobre Kiev no meio de uma guerra com os separatistas do leste da Ucrânia.

Segundo o jornal espanhol, o diplomata, com 50 anos de serviço, que conserva o hábito de tomar notas sobre tudo, ouviu claramente que a ajuda militar à Ucrânia era uma moeda de troca numa conversa tida a 1 de setembro com Tim Morrison, membro do Conselho de Segurança Nacional, que se demitiu nesse mesmo mês. De acordo com o relato de Taylor, Morrison contou-lhe sobre uma conversa entre um diplomata americano - Gordon Sondland - e um conselheiro do governo ucraniano, Adrei Yermak, em Varsóvia. Nela, Gordon Sondland advertiu Yermak que a ajuda militar não chegaria até que o presidente, Volodimir Zelensky, se comprometesse publicamente com a investigação à empresa do filho de Joe Biden. "Eu escrevi que seria uma 'loucura' reter a assistência de segurança como forma de troca por ajuda numa campanha política doméstica nos Estados Unidos", afirmou Taylor.

"É isto que os americanos devem esperar do seu presidente? Se este comportamento não merece um impeachment, então o que merece?", perguntou o presidente do Comité de Inteligência, Adam Schiff, democrata, no início da sessão. Em contraste, o republicano mais sénior do comité, Devin Nunes, defendeu o presidente questionando a imparcialidade das testemunhas e enfatizando que as informações de Taylor não vieram em primeira mão, mas de terceiros. Zelensky também negou ter sido pressionado. "O que vamos testemunhar hoje é uma peça televisiva encenada pelos democratas", criticou.

Para a acusação, uma das provas conclusivas é a conversa telefónica de 25 de julho entre Trump e Zelensky, na qual o presidente norte-americano pede explicitamente que se faça tal investigação. Além do testemunho de Taylor, algumas mensagens de texto entre diplomatas, divulgadas como resultado dessas investigações, apontam para o uso da ajuda e um convite a Zelensky na Casa Branca como mecanismo de pressão.

O Comité de Inteligência, responsável pela maior parte da investigação, vai elaborar um relatório final que vai ser enviado ao Comité de Justiça. Ainda que os democratas possam votar por maioria contra Donald Trump na câmara baixa, o caso passa depois para o Senado onde os republicanos detêm a maioria dos membros e é difícil que a destituição do presidente norte-americano venha a acontecer.

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