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EUA. Duas variantes do vírus fundem-se e formam versão híbrida
Mundo 18.02.2021

EUA. Duas variantes do vírus fundem-se e formam versão híbrida

EUA. Duas variantes do vírus fundem-se e formam versão híbrida

Foto: AFP
Mundo 18.02.2021

EUA. Duas variantes do vírus fundem-se e formam versão híbrida

Esta descoberta aconteceu na Califórnia e trata-se da recombinação da variante B.1.1.7, descoberta no Reino Unido e conhecida por ser mais transmissível, e da variante B.1.429, que se originou na própria Califórnia e que pode ser mais resistente a alguns anticorpos.

A recombinação foi descoberta por Bette Korber no Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México, Estados Unidos, que tornou público numa reunião organizada pela Academia de Ciências de Nova Iorque no princípio de fevereiro.

Se se confirmar, trata-se da primeira recombinação a ser detetado nesta pandemia. Mas este fenómeno era já esperado, uma vez que é comum nos coronavírus. Ao contrário da mutação regular, em que as alterações se acumulam uma de cada vez, que é como surgiram variantes como a B.1.1.7, a recombinação pode reunir múltiplas mutações de uma só vez. Na maioria das vezes, estas não conferem qualquer vantagem ao vírus, mas ocasionalmente pode acontecer.

O que é a recombinação?

De forma geral, a recombinação ocorre durante o processo de reprodução do coronavírus, dentro das células do hospedeiro. O mais provável é que o caso dos EUA tenha ocorrido em um paciente que apresentasse um caso de coinfeção pelo coronavírus, ou seja, a pessoa carregava simultaneamente duas variantes diferentes do agente infeccioso (a britânica e a californiana). Dessa forma, as diferentes informações genéticas, na hora da replicação, podem ter-se misturado e originaram o vírus híbrido.

De acordo com a pesquisadora François Balloux, da University College London, a recombinação pode ser de grande importância evolutiva nalgumas circunstâncias. Isso porque se acredita que o primeiro coronavírus SARS-CoV-2 se tenha originado a partir de uma recombinação entre dois coronavírus, num animal silvestre. Dessa forma, a fusão recém-descoberta pode, inclusive, significar a formação de um novo vírus, o que não parece ser o caso.

Além disso, não se sabe ainda se essa nova variante híbrida pode ser transmitida de pessoa para pessoa, conforme acontece com as outras cepas. Afinal, esta pode ter sido uma mutação negativa e que impedirá a invasão das células humanas saudáveis, por exemplo. Nesse caso, o coronavírus se restringirá ao hospedeiro que deu origem a essa formação. Para mais análises, será necessário acompanhar a cepa e, principalmente, identificar outros pacientes contaminados com ela.

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