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Estudo. Há 120 mil polícias disponíveis para um golpe de Bolsonaro
Mundo 3 min. 11.08.2020

Estudo. Há 120 mil polícias disponíveis para um golpe de Bolsonaro

Estudo. Há 120 mil polícias disponíveis para um golpe de Bolsonaro

Foto: Isac Nóbrega/Palacio Planalto
Mundo 3 min. 11.08.2020

Estudo. Há 120 mil polícias disponíveis para um golpe de Bolsonaro

Redação
Redação
Estudo sobre a atividade política de polícias brasileiros nas redes sociais permite concluir que quase um terço das forças policiais do país têm posições golpistas e anti-democráticas.

"Esse Congresso Nacional tem que fechar as portas, só tem rato!!!!”

Esta é uma das frases que pode ser lida em páginas nas redes sociais partilhada por muitos polícias brasileiros. O exemplo foi retirado de um estudo que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública está a fazer e cujos primeiros resultados foram recentemente divulgados. São comentários públicos de polícias brasileiros defendendo que instituições da República como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) sejam fechadas e que o presidente Jair Bolsonaro intervenha para acabar com a ordem constitucional democrática do Brasil.

Se segundo o estudo, cerca de 41% dos polícias militares de baixa patente (soldados, cabos, sargentos e subtenentes) sentem-se próximos do grupo político do presidente da República Jair Bolsonaro, frases apontando para um golpe, como a do início do texto, são compartilhadas, sem reserva, por pelo menos 12% de polícias militares, 7% de polícias civis e 2% de polícias federais que possuem contas nas redes sociais e interagem publicamente em grupos e páginas abertas do Facebook. 

A amostra do estudo, abrange um grupo de cerca de 15,3 mil polícias analisados, de um total de 141.717 polícias que interagem em páginas públicas das redes sociais.

E este número pode ser ainda maior, pois o estudo só analisou postagens em páginas públicas e não captou manifestações escritas em perfis privados. Se aceitássemos que os polícias que se manifestam publicamente nas redes são um retrato dos outros, estariamos a considerar um universo de 885.730  efetivos das polícias, o que daria cerca de 120 mil polícias convertidos a discursos golpistas.

Ou seja, a tropa de choque de Bolsonaro nas polícias seria, hoje, equivalente a um terço do efetivo ativo das Forças Armadas. Trata-se de gente experiente e treinada, com acesso a material bélico e com poucos canais formais de controle externo.

A adesão ao bolsonarismo não seria um problema para a ordem social democrática se parte do universo policial e das instituições de segurança que alinham com a extrema-direita não manifestassem concepções reacionárias que ultrapassam o quadro legal democrático, como demonstram grandes teóricos sobre as posições políticas das polícia no mundo, como Robert Reiner e Jerome Skolnick, entre outros. Um estudo de Robert Reiner com polícias ingleses na década de 1970, concluíu que 80% da força policial se descrevia como conservadora, sendo que 18% destes alinhados à extrema-direita e, muitas vezes, manifestamente contrários à existência de direitos e reivindicações LGBTI+, e expressando publicamente ideias racistas. 

Como declara o sociólogo Renato Sérgio Lima, presidente do Fórum Brasil de Segurança Pública:  "Não há nada de errado que esses polícias tenham adesão a ideais conservadores. O problema são esses que interagem com ambientes mais radicalizados, que não somente são conservadores, mas podem ser considerados reacionários ou sectários. Aí começa a preocupar, porque há riscos à institucionalidade democrática."

Os exemplos recentes da Alemanha e da França, que detetaram e agiram para conter movimentos extremistas formados por polícias e ex-polícias desses dois países, comprovam esses perigos.  

No entanto, no Brasil, a questão não é de apenas da simpatia ideológica dos membros das forças policiais; temos que considerar que as polícias, sobretudo a PM, gozam de uma grande autonomia operacional e têm uma baixa transparência em relação aos seus mecanismos internos de supervisão. 

Calcula-se que morrem por homicídio 62 mil brasileiros por ano, sendo uma grade parte dessa cifra negra da responsabilidade de forças policiais. Por exemplo, os executores do assassinato da vereadora de esquerda Marielle Franco era ex-membros das forças especiais da Polícia Militar, num assassinato que ainda está por apurar os mandantes do crime. 





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