Escolha as suas informações

Estender prazo de evacuações é criar “linha vermelha” e provocar "reação", avisam talibãs
Mundo 2 min. 23.08.2021
Afeganistão

Estender prazo de evacuações é criar “linha vermelha” e provocar "reação", avisam talibãs

Afeganistão

Estender prazo de evacuações é criar “linha vermelha” e provocar "reação", avisam talibãs

Foto: Sgt. Samuel Ruiz/U.S. Marine/Pla
Mundo 2 min. 23.08.2021
Afeganistão

Estender prazo de evacuações é criar “linha vermelha” e provocar "reação", avisam talibãs

Lusa
Lusa
“Isso criará desconfiança entre nós. Se houver intenção de continuar a ocupação, isso vai provocar uma reação”, diz porta-voz talibã.

Um porta-voz dos talibãs afirmou hoje que estender além do final de agosto os esforços dos países aliados para retirar pessoas do Afeganistão representa uma “linha vermelha” e provocaria “uma reação”.

Shuail Shaheen falava à televisão britânica Sky News, na véspera de uma reunião do G7 (grupo dos sete países mais ricos) presidida pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, para analisar a crise afegã e a possibilidade de alargar o prazo para evacuações.


Da Europa aos talibãs. EUA criticados pelo caos no aeroporto de Cabul
O aeroporto da capital do Afeganistão é a última possibilidade de fuga para estrangeiros e afegãos que tentam escapar ao novo governo talibã, mas o caos e o desespero têm levado milhares a ficar em terra e a arriscarem a vida para sair do país.

“Isto é algo que se pode designar de linha vermelha. O Presidente (dos Estados Unidos, Joe) Biden anunciou este acordo de que a 31 de agosto retiraria todas as suas forças militares. Assim, se o estendem, isso significa que estão a estender a ocupação quando não há necessidade”, disse o porta-voz dos talibãs.

“Isso criará desconfiança entre nós. Se houver intenção de continuar a ocupação, isso vai provocar uma reação”, acrescentou, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Shaheen referiu que muita gente procura sair do Afeganistão por razões “económicas” e não por medo dos talibãs.

“Todos querem estabelecer-se em países ocidentais para ter uma vida próspera. Não se trata de medo”, disse o porta-voz, classificando de “notícias falsas” as informações de que os talibãs estão a procurar afegãos que ajudaram as forças estrangeiras.

O Reino Unido já retirou do Afeganistão 5.725 pessoas desde 13 de agosto, incluindo 3.100 afegãos, indicou hoje o Ministério da Defesa.

Boris Johnson deverá defender junto dos Estados Unidos uma extensão das operações de retirada em Cabul, durante a cimeira virtual do G7 dedicada ao Afeganistão na terça-feira, disse hoje o secretário de Estado das Forças Armadas britânico, James Heappey, à Sky News.


Luxemburgueses em Cabul poderão ir em caravana militar até ao aeroporto para regressar a casa
A família de luxemburgueses com três crianças, e as outras quatro pessoas que desesperam em Cabul para voltar para o Luxemburgo têm agora uma nova possibilidade de sair do Afeganistão disse o ministro Asselborn à RTL.

Heappey sublinhou, porém, que a decisão não cabe apenas a Washington e que os talibãs também têm uma palavra a dizer sobre o tema.

"Haverá uma conversa com os talibãs. Os talibãs terão a escolha entre procurar colaborar com a comunidade internacional e mostrar que desejam fazer parte do sistema internacional" ou "dizer que não há oportunidade de estender" a presença norte-americana, acrescentou.

Desde que os talibãs entraram em Cabul, há uma semana, milhares de pessoas reuniram-se perto do aeroporto internacional da capital para tentar sair do país antes de 31 de agosto, data fixada pelo governo dos Estados Unidos para a retirada final das suas forças no Afeganistão.

Diante do caos da retirada e sob pressão dos aliados, Joe Biden indicou considerar manter os soldados no país além desse prazo, referindo haver "discussões em andamento" sobre o assunto.

 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas