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Estados Unidos voltam a aplicar sanções ao Irão esta segunda-feira
Mundo 3 min. 04.11.2018

Estados Unidos voltam a aplicar sanções ao Irão esta segunda-feira

Queimaram-se bandeiras dos EUA e de Israel em manifestações na cidade de Teerão.

Estados Unidos voltam a aplicar sanções ao Irão esta segunda-feira

Queimaram-se bandeiras dos EUA e de Israel em manifestações na cidade de Teerão.
Foto: AFP
Mundo 3 min. 04.11.2018

Estados Unidos voltam a aplicar sanções ao Irão esta segunda-feira

Manifestações em Teerão assinalaram o aniversário da invasão da antiga embaixada norte-americana em 1979. Bandeiras dos EUA e de Israel foram queimadas enquanto se gritavam palavras de ordem contra os dois países considerados inimigos. Hoje entram em vigor as sanções dos Estados Unidos.

A partir desta segunda-feira, os Estados Unidos voltam a aplicar sanções económicas ao Irão, conforme decidiu Donald Trump ao anunciar que se retirava do acordo nuclear assinado em 2015. Na sexta-feira, Trump usou a sua conta no Twitter para lembrar que as sanções estavam a chegar, usando uma fórmula à imagem da popular série televisiva "Game of Thrones".

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu sanções “em força” contra o Irão, por desrespeito do acordo nuclear e apelando à solidariedade internacional para boicotar totalmente a compra de petróleo àquele país árabe. Apesar da entrada em vigor das sanções, Mike Pompeo, secretário de Estado norte-americano, anunciou que oito países vão continuar a ser autorizados a importar petróleo do Irão, embora não mencionasse o nome de qualquer um desses países. No entanto, Turquia e Iraque estarão na lista, tal como Índia e Coreia do Sul, podendo as exceções prolongar-se durante 180 dias. Mas o objetivo final, reafirmado por Pompeo, é impedir todas as exportações de petróleo dos iranianos para que estes deixem, segundo os norte-americanos, de intervir em países do Médio Oriente como Síria, Líbano ou Iémen e acabem com aquilo que a Administração Trump considera ser "o financiamento de ações terroristas".

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif, admitiu que as sanções vão afetar economicamente o país, mas acrescentou que elas não vão mudar as políticas iranianas, considerando-as “inúteis e fúteis”, em declarações a um programa da estação de televisão norte-americana CBS.

“Os Estados Unidos estão viciados em sanções e acreditam que elas são uma panaceia que resolve todos os problemas. Não resolvem. Na realidade, magoam pessoas e, enquanto governo, temos a obrigação de minimizar o seu impacto. Mas as sanções nunca mudarão as políticas”, afirmou o responsável da diplomacia de Teerão.

O Irão garante que tem cumprido com o acordo nuclear que estabeleceu com os Estados Unidos, no mandato de Barack Obama, e apela à Agência Internacional de Energia Atómica para confirmar o seu compromisso. Mas o executivo de Donald Trump não se impressiona com estas palavras e a nova vaga de sanções segue uma outra, introduzida em agosto passado, que afetou o comércio de divisas, metais e o setor automóvel.

Em Washington, os opositores de Donald Trump acusam o Presidente de estar a ajudar os russos, já que eles serão os principais beneficiários destas sanções ao Irão, num momento em que os países árabes produtores de petróleo anunciaram que não vão aumentar as suas quotas de produção. O Irão já tem vindo a reduzir as vendas de petróleo, com quebras de cerca de 800 mil barris diários, comparativamente aos números do início do corrente ano.

Teerão contesta Estados Unidos e Israel

Este domingo, data em que se assinalou mais um aniversário da invasão da antiga embaixada norte-americana em Teerão no ano da revolução que converteu o país numa república islâmica, em 1979, tendo sido feitos reféns durante 444 dias cerca de meia centena de cidadãos dos Estados Unidos, houve diversas manifestações. Bandeiras norte-americanas e israelitas foram queimadas ao mesmo tempo que eram gritadas palavras de ordem contra os dois países considerados inimigos do Irão.

Ali Khamenei, líder supremo do Irão, não fez qualquer menção a uma eventual intenção iraniana de retirada do acordo nuclear, mas lembrou no sábado que, "ao longo de 40 anos de confronto com o Irão, os Estados Unidos sempre saíram derrotados". E deixou críticas a Trump: "Este novo presidente norte-americano colocou em evidência e desacreditou o escasso prestígio que ainda restava aos Estados Unidos e à democracia", defendeu.

Entretanto, o Governo de Hassan Rouhani limitou-se a emitir um comunicado através do Ministério dos Negócios Estrangeiros no qual reafirma que as sanções se assumem como uma "violação do acordo nuclear e das resoluções da ONU". Ao mesmo tempo, a nota sublinhava que "o Irão não irá permitir que o regime de Trump concretize os seus objetivos ilegítimos".

Com Lusa


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