Estados Unidos anunciam que deixam de considerar Hong Kong autónomo em relação à China
Estados Unidos anunciam que deixam de considerar Hong Kong autónomo em relação à China
O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, notificou esta quarta-feira o Congresso de que a Administração Trump já não considera Hong Kong região autónoma em relação à China continental, uma medida que poderá ter consequências de grande alcance para o estatuto comercial especial da antiga colónia britânica em relação a Washington.
Na declaração, Pompeo atacou a decisão do mais alto órgão legislativo da China, o Congresso Nacional do Povo, de "impor unilateralmente e arbitrariamente" uma “desastrosa” legislação de segurança nacional a Hong Kong. Segundo o secretário de Estado, esta é "apenas a última de uma série de ações que minam de forma profunda a autonomia e as liberdades de Hong Kong", bem como "as promessas da própria China ao povo de Hong Kong" ao abrigo da Declaração Conjunta Sino-Britânica.
A este respeito, Pompeo afirma que "nenhuma pessoa razoável pode hoje afirmar que Hong Kong mantém um elevado grau de autonomia em relação à China, com base nos factos no terreno". O diplomata diz não estar "satisfeito" com a decisão, uma vez que Hong Kong e "o seu povo dinâmico, empreendedor e livre" são conhecidos há décadas por "florescerem como um bastião de liberdade". No entanto, Pompeo sublinha que "a boa política exige o reconhecimento da realidade".
"Enquanto os Estados Unidos esperavam que Hong Kong, livre e próspera, fornecesse um modelo para a China autoritária, é agora claro que a China está a modelar Hong Kong", disse Pompeo, concluindo que Washington "apoia o povo" desta região na sua luta contra "a crescente negação" por Pequim "da autonomia que lhes foi prometida".
Proposta de lei
O Congresso Nacional Popular da China introduziu na sexta-feira uma lei de segurança nacional destinada a prevenir, deter e punir actos em Hong Kong que ameacem a segurança do país. O projeto abrange atividades secessionistas e subversivas, bem como a interferência estrangeira e o terrorismo.
O projeto de lei suscitou protestos na Região Administrativa Especial chinesa e críticas internacionais acusando o Governo chinês de retirar as proteções legais prometidas ao povo de Hong Kong quando Pequim recuperou o controlo da antiga colónia britânica em 1997, prometendo respeitar o princípio de "um país, dois sistemas", a ideia da coexistência do capitalismo e do socialismo em algumas regiões do país.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse aos jornalistas na Casa Branca, na terça-feira, que o seu governo está a preparar medidas contra a China para a sua tentativa de impor leis de segurança nacional a Hong Kong. Sem entrar em pormenores, Trump disse que a sua administração está "a fazer algo" que seria anunciado no final desta semana.
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